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Archive for Junho, 2009

Do Blog Fazendo Media


MÍDIA E POLÍTICA: RELAÇÕES PERIGOSAS
por Rafael Maia

Num momento em que grandes conglomerados de mídia do Brasil e do mundo passam por dificuldades financeiras e reformas emergenciais para sobreviver há que se questionar a validade da concentração dos meios de comunicação, que torna o acesso e a produção de informações cada vez menos democráticos.

As principais empresas de comunicação do país estão endividadas e, como informou o Jornal do Brasil (25/10/03), o governo estuda a possibilidade de usar recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para auxiliá-las, sob a alegação de que não seria bom para a economia nacional se essas empresas recorressem aos bancos privados e ao capital estrangeiro.

Políticos e até mesmo empresários de mídia criticaram a iniciativa do governo. Arthur Virgílio, líder do PSDB no Senado, disse ao JB que o financiamento do BNDES limitaria a liberdade dos meios de comunicação. Octavio Frias de Oliveira, proprietário do Grupo Folha, em entrevista publicada na AOL em 23 de outubro, afirmou que, com essa medida, “o governo quer a mídia de joelhos”.

Diante de tais declarações, pode-se chegar a pensar que a mídia brasileira não mantém qualquer vínculo com o poder constituído e que, contrariando alguns teóricos da comunicação, ela não faz parte desse poder.

Vendendo o público

Ignacio Ramonet, diretor do jornal francês Le Monde Diplomatique, pensa o contrário. Em seminário no 3º Fórum Social Mundial, realizado em janeiro deste ano em Porto Alegre, Ramonet afirmou que a idéia de que a mídia atua como quarto poder, defendendo a sociedade do abuso dos outros poderes, não é mais válida. Para ele, a maior parte dos grupos de comunicação hoje se une ao Poder Executivo para oprimir o cidadão. Ramonet acredita que, com o processo de globalização e a conseqüente formação dos conglomerados midiáticos, o objetivo de informar se diluiu entre outros interesses.

De fato, a lógica que rege essas empresas é a do mercado. Fatores como qualidade, diversidade cultural e criação artística estão subjugados ao caráter mercadológico da informação e da comunicação. Não à toa, a cotação das empresas de comunicação na bolsa de valores é o fator determinante de seu sucesso e a moeda de troca utilizada na expansão dos conglomerados. Ramonet, no artigo “Senhores das redes”, publicado em junho de 2002 no Correio Braziliense, afirma que o faturamento das empresas de comunicação em 2000 representou 10% da economia mundial (algo em torno de 4 trilhões de reais).

Se a preocupação maior dessas empresas é a cotação de suas ações, não fica difícil concluir que interessa a elas atrair o maior número possível de consumidores de seus produtos (jornais, revistas, canais de TV etc.), num processo que transforma o próprio consumidor em produto. Afinal, os meios de comunicação há muito deixaram de vender informação ao público e passaram a vender o público a seus anunciantes.

Quadro assustador

Os efeitos maléficos do poderio dos conglomerados de comunicação no que diz respeito à democratização da informação e da sociedade são conhecidos e apontados há tempos por teóricos da comunicação. No artigo “As redes de TV e os senhores da aldeia global”, publicado em 1991, Argemiro Ferreira cita um estudo do jornalista norte-americano Ben H. Bagdikian, ao constatar que “os gigantes da mídia (…) têm duas enormes vantagens: ‘controlam a imagem pública dos líderes nacionais que, em razão disso, temem e favorecem as pretensões dos magnatas da mídia; e estes controlam a informação e o entretenimento que ajudam a estabelecer as atitudes sociais, políticas e culturais de populações cada vez maiores’”.

A concentração dos veículos de comunicação nas mãos de um pequeno número de empresas simultaneamente concorrentes e aliadas gera discursos unilaterais, padronização informacional, ideológica e cultural e o pior, desinformação, visto que só chega ao conhecimento público o que for de interesse dos grandes conglomerados. Argemiro Ferreira aponta a existência de uma perigosa censura nos meios de comunicação, já que, por vivermos numa sociedade supostamente democrática, tal censura se configura de modo informal e quase imperceptível. O objetivo de cada um dos conglomerados é tornar-se o único interlocutor dos cidadãos. Para tanto, não medem esforços na tentativa de monopolizar todo o processo de produção e divulgação da informação. No entanto, as recentes crises nas companhias nacionais e internacionais – como o caso da Vivendi, grupo francês que em 2002 pôs parte de suas empresas à venda para pagar dívidas – têm provado que as intenções monopolizadoras são bastante pretensas.

Mesmo assim, o quadro de concentração de mídia no Brasil assusta. O relatório “Donos da mídia”, publicado no ano passado pelo coordenador do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), Daniel Herz, revela que seis redes privadas nacionais abrangem 667 veículos, entre emissoras de TV, rádios e jornais. Uma realidade ainda muito distante da desejada pelos defensores de uma comunicação democrática.

Agonia em rua deserta

“Temos de começar a compreender que as ondas no ar, as freqüências de rádio e TV, são um recurso precioso. Pertencem ao povo, que não sabe disso porque nos últimos oitenta anos elas foram tomadas pelos colonizadores empresariais. Tanto a televisão quanto o rádio têm grande potencial para a educação e para enriquecer a democracia”, diz Steve Rendall, analista sênior do grupo Fair (Justiça e Precisão na Reportagem), no artigo “Uma só voz”, de Glauco Faria, publicado em abril na revista Fórum.

É necessário compreender que democratizar a comunicação é garantir a todo cidadão não só o direito de acesso, mas o de produção de conteúdo dos meios, mesmo que com o auxílio ou o intermédio de um profissional de comunicação. O importante é que os diversos grupos sociais sejam ouvidos e tenham à sua disposição veículos nos quais possam expor suas idéias e ter suas necessidades específicas atendidas.

Por lei, o acesso à comunicação é direito de todos. Mas a mesma lei dificulta, por exemplo, o processo de legalização e manutenção de rádios e TVs comunitárias. Os poucos que conseguem legitimar-se raramente conseguem manter-se segundo as imposições legais. Para esses meios não há socorro do BNDES. O resultado desse processo é a proliferação de veículos ilegais que são constantemente perseguidos e fechados pelo Judiciário. Em outras palavras, o que se observa a cada dia no Brasil é o aumento do abismo entre os detentores e os consumidores dos meios de comunicação. É a democracia agonizando numa rua deserta e escura.

Matéria de capa da edição # 8 do FM impresso

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Mais um bom exemplo de como o voto em lista é maléfico à democracia.

O voto em lista já é utilizado para as eleições de senadores. Conseqüência?

Existem 10 senadores no exercício do cargo que, NÃO RECEBERAM VOTO NENHUM..!!

Eles normalmente financiam a campanha do titular que, por uma graça de Deus, são nomeados para cargos do governo federal ou estadual, deixando de bandeja uma cadeira no senado para seu suplente que foi eleito pela lista estabelecida pelo partido.

Esse é o voto em lista. Você quer isso?

Então fique esperto, por que está rolando no congresso uma proposta que quer estabelecer o voto em lista em todo o país já nas eleições de 2010!

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Nota rápida 6

Está rolando uma ‘limpa’ na Infraero.

Através do novo estatuto implantado pelo tenente-brigadeiro Cleonilson Nicácio, indicado pelo ministro da Defesa Nelson Jobim para o cargo de presidente da estatal (que tem um orçamento anual de 1,5 bilhões de reais e lucro anual de 154 milhões de reais), foi criada uma lista de extinção de 240 cargos ‘dispensáveis’ espalhados por superintendências em todo o país.

Por enquanto, apenas 140 dos 240 cargos foram colocados numa lista de exclusão, e desses, apenas 28 já foram excluídos.

Tamanho cuidado deve-se ao velho conhecido toma-lá-dá-cá. Acontece que muitos desses cargos, coincidentemente, são ocupados por parentes ou apadrinhados políticos de deputados e senadores, na maioria do PMDB. Dos 28 cargos excluídos primeiramente, 2 mexeram com interesses de peixe grande dentro do congresso, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) que tinha o irmão e a cunhada empregados na estatal. Em revanche, Jucá entrou com projeto de PEC que estabeleceria como regra a nomeação apenas de militares para cargos do ministério da Defesa.

Detalhe, o Brasil seria o único país no mundo com essa prática.

Calcule comigo: estatal com orçamento de 1,5 bilhões e lucro de 154 milhões + cargos de confiança + interesses governistas + olho grande de partidos + necessidade de extinção de cargos…

Tudo isso é igual à = mais toma-lá-dá-cá..!!

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Coração não esquece.


Imagine que você vive num país em guerra civil. Imagine que seu filho é jovem, pardo e pobre. Imagine que esse é o perfil exato traçado pelo Estado como bandido. Imagine que o Estado esteja loteado por bandidos, brancos, ricos e jurássicos. Imagine que você perde esse filho inocente, tratado como bandido e morto com tiros na nuca. Imagine que os documentos dele estavam dentro de sua jaqueta, inclusive o holerite manchado de sangue. Imagine que a justiça arquivou o caso e não o investigou como homicídio, mas sim por ‘resistência seguida de morte’, segundo declaração do policial que o assassinou.

E ainda dizem que o Brasil vive em paz, que aqui não existe guerra…

Continue imaginando, por que parece que o brasileiro não acredita nas coisas que realmente acontecem no seu país. Continue imaginando que um grupo criminoso armado um dia resolveu afrontar o Estado, resultando na perda de seu filho, estudante que não teve aula por causa do toque de recolher e que, voltando pra casa tomou três tiros na nuca.

Imagine que como você, outras 483 mães e pais passam pelo mesmo calvário e que apenas 6% deles (cerca de 30) eram mães e pais de filhos com antecedentes criminais, mas que mesmo assim mereceriam o mesmo tratamento neutro de investigação independente de serem bandidos ou não. Imagine também que 63% dos casos (cerca de 300) tenham sido arquivados, como o de seu filho.

Imagine que no período dos ataques da organização criminosa e dos revides por parte do Estado, os números de mortos no seu estado tenham quadruplicado. Imagine que o policial que matou o seu filho tenha removido o corpo do local do crime para atrapalhar as investigações com a desculpa de que seu filho agonizava. Quem toma três tiros na nuca não agoniza, morre. Imagine que nos dois primeiros dias do confronto, a quantidade de vítimas civis e de agentes do Estado tenha sido equivalentes. Imagine que no terceiro dia essa diferença salte de números equivalentes para dez civis para cada agente morto. Imagine ainda que no quinto dia os números já chegassem a 20 civis para cada agente público morto, e do sexto dia em diante, apenas civis tenham sido assassinados.

Imagine que, a contragosto do Estado, o conselho de medicina tenha contabilizado os números do confronto, e ao contrário do que a Secretaria de Segurança Pública tenha dito na época, os números mostrem o dobro de ocorrências admitidas pelo Estado. Imagine que os laudos de 54 casos apontem para ‘execução’, e 89 casos apontam para ‘mínima chance de defesa’. Imagine que os laudos também mostrem que em média, cada vítima tenha levado 5 tiros, e que 60% dos mortos receberam tiro na cabeça. Imagine que 27% receberam tiro na nuca e que 57% levaram tiro nas costas.

Imagine que por outro lado, a perícia tenha feito laudo balístico em apenas 5,7% dos casos. Imagine que a ocorrência de pericia nos locais dos crimes tenha sido em cerca de 25 assassinatos apenas, do total de 483. Imagine que apenas 13,7% das armas utilizadas nos crimes por policiais tenham sofrido perícia, e que apenas 13,5% das vítimas tenham passado por perícia nas mãos para a busca de vestígio de pólvora, que indicaria o confronto armado alegado pela PM. Imagine que o Estado quer que você esqueça o assassinato do seu filho inocente, arquivando o processo.

Agora imagine que você vive numa democracia livre, em paz, sem guerra. Imagine-se nas novelas do globo, andando por ruas calmas sem violência. Imagine você comprando a sua revista semanal que não fala nada disso.

Apenas imagine… Imagine… Imagine…

Segue letra do F.U.R.T.O., de Marcelo Yuka que fala sobre o assunto tão comum em nosso país:

Não Se Preocupe Comigo
F.UR.T.O

“Últimas notícias…
A madrugada de hoje foi tensa no morro
Oremos juntos pela vida financeira”

Não se preocupe comigo
Mas eu não volto mais pra casa não
Mas eu não volto mais pra casa não

Não se preocupe comigo mas com o que me aconteceu
Eu sumi e eles podem levar um outro filho seu
Sem corpo, sem prova! Sem prova, sem crime!
O sal da lágrima fica no gosto
E ao costume da língua em duas falas diferentes

Mães de Acarí, da praça de maio
E outras tantas por aí
Entre o conflito e a indecisão
Entre o conflito e a indecisão

As vítimas não encontradas somos todos nós
Os que não demos adeus e nem rezamos
Nos cemitérios clandestinos da justiça

Não se preocupe comigo
Mas eu não volto mais pra casa não
Mas eu não volto mais pra casa não

Não se preocupe comigo mas com o que me aconteceu
Eu sumi e eles podem levar um outro filho seu
Sem corpo, sem prova! Sem prova, sem crime!
O sal da lágrima fica no gosto
E ao costume da língua em duas falas diferentes

Mães de Acarí, da praça de maio
E outras tantas por aí
Entre o conflito e a indecisão
Entre o conflito e a indecisão

As vítimas não encontradas somos todos nós
Os que não demos adeus e nem rezamos
Nos cemitérios clandestinos da justiça

Não se preocupe comigo
Mas eu não volto mais pra casa não
Mas eu não volto mais pra casa não

Eu que talvez esteja mais próximo do que pareça
Vago num grão da vida ou nas lembranças da beleza
Não sei se virei fim ou me perdi em mim
Mas nessa expressão posso ser história e recomeço
Psicografado, nunca esquecido ou requerido

Não se preocupe comigo
Mas com a época que devora caminhos
E destinos com tanta pressa
Apagando rastros que nos ensinam
E nos permitem a voltar

Não se preocupe comigo
Mas eu não volto mais pra casa não
Mas eu não volto mais pra casa não

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Acabo de ler excelente matéria de Phydia de Athayde que abre nova discussão sobre um tema já muito explorado, mas muito mal resolvido. O trânsito infernal das grandes cidades brasileiras. Em conjunto com Dal Marcondes, Efraim Neto, Fabrício Angelo e Gisele Paulino da equipe da revista digital Envolverde (www.envolverde.org.br), desvendaram as entranhas, e muitos mitos, dos raros bons exemplos e dos vários maus exemplos de enfrentamento do problema em várias capitais do país e até na Colômbia.

Da Colômbia veio mais uma prova de que os políticos brasileiros brincam com problemas sérios, em troco de mais votos na próxima eleição de pessoas que pagam impostos e caem na conversa de políticos que nos enfiam goela a baixo que as grandes obras viárias solucionam os gargalos dos congestionamentos. Pelo contrário, pois além de encorajar mais gente a ter carro, essas obras apenas criam mais bolsões de congestionamento por não incluírem nos projetos opções para pedestres, ciclistas e principalmente, eficientes sistemas públicos de transporte. O Expresso Tiradentes paulistano, antigo Fura-Fila (promessa de campanha mal atendida, pois foi inaugurado com apenas uma parte do projeto original) custou 95% A MAIS do que o Transmilênio colombiano em Bogotá, que saiu por 3,5 milhões de dólares e transporta 47 mil passageiros por hora que pagam tarifa única. Esse sistema tornou-se referência na América Latina desde a sua inauguração, em 2000, e consiste em 80 quilômetros de corredores por onde circulam mais de mil ônibus.

A ironia do destino é que o modelo para a inspiração desta obra foi um exemplo brasileiro, que prova que com boa vontade e INTELIGÊNCIA, podemos criar soluções estratégicas para esse caos. O exemplo veio de Curitiba, onde 85% dos cidadãos utilizam transporte público, que carrega 20 mil passageiros por hora pagando tarifa única. O sistema conta com corredores de ônibus em quase todas as principais vias e linhas distribuidoras nas extremidades do sistema, trazendo maior mobilidade e menos anda-anda aos passageiros.

Phydia de Athayde e os outros participantes percorreram trechos em várias capitais do país e, ao contrário do que se espera, demoram mais de ônibus do que de carro, os quais consumiram 1/3 do tempo em relação aos transportes públicos. No caminho dos pedestres, poucas calçadas boas e muitos obstáculos que muitos idosos e portadores de deficiências físicas são incapazes de ultrapassar.

Ao contrario da idéia de que alargamento de vias e construções de viadutos são os investimentos ideais e as soluções para o problema, a descentralização e distribuição de serviços públicos como educação, cultura, saúde e outros, por toda a cidade trariam mais e melhores resultados. Claro que juntamente com investimentos em sistemas de transportes públicos inteligentes que incluam opções para ciclistas e pedestres e que, principalmente, invertam a condição carro/pedestre. Os projetos devem estrangular sim o espaço para carros, em contrapeso a disponibilização de mais espaços para pedestres e ciclistas juntamente com transporte público de qualidade. Então, da próxima vez que ver um político falar que você passa por uma obra dele no seu trajeto de casa para o trabalho, considere também que os congestionamentos que você enfrenta foram também causados por ele.

O motorista deve ser incentivado a trocar o transporte convencional por meios mais ecológicos e saudáveis, ao mesmo tempo em que dever ser desestimulado a usar o carro em ruas apertadas e com poucas opções de estacionamentos. É uma questão de solucionar o caos urbano e incentivar uma vida mais saudável, menos sedentária e que proporcionará um ar mais puro.

Considerando o nosso caso, em Amparo, muitas pessoas criticam as obras do centro. Acredito que algumas críticas são consideráveis, mas nem todas. O exemplo deve ser levado a mais pontos da cidade. O espaço liberado para pedestres traz mais vida à cidade e proporciona melhores relações entre pedestres e motoristas, além de valorizar todo o conteúdo histórico do local, mas confesso que nunca vi ciclovias sem proteção para os ciclistas como foram feitas tanto no Parque Linear, que possui uma pequena guia como proteção que pode ser facilmente ultrapassada por veículos (como já aconteceu onde foi derrubado um poste de iluminação que até hoje não foi reinstalado, e que por sorte não feriu ninguém), quanto na Rua XV de Novembro onde TODOS os carros invadem a ciclovia sem qualquer problema, as quais são utilizadas com ‘pistinhas’ por motociclistas que se arriscam e arriscam ciclistas andando em alta velocidade sobre o asfalto liso.

Uma proteção de 30 cm de altura que desse acesso apenas a ciclistas e pedestres resolveria o problemas e baixaria a zero o risco de atropelamentos, mas acredito também que o bom senso de motoristas e o RESPEITO ao próximo e às leis de trânsito deveriam ser suficientes. Faltou inteligência dos engenheiros (que engenheiros?, pois não vejo os nomes deles nas placas de propaganda das obras) e faltou senso de observação dos políticos responsáveis pelas obras, pois em cinco minutos de observação qualquer pessoa vê que aquilo está errado e causando riscos.

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A pobreza da riqueza

Por Cristóvam Buarque

Em nenhum outro país os ricos demonstram mais ostentação que no Brasil. Apesar disso, os brasileiros ricos são pobres. São pobres porque compram sofisticados automóveis importados, com todos os exagerados equipamentos da modernidade, mas ficam horas engarrafados ao lado dos ônibus de subúrbio. E, às vezes, são assaltados, seqüestrados ou mortos nos sinais de trânsito. Presenteiam belos carros a seus filhos e não voltam a dormir tranqüilos enquanto eles não chegam em casa. Pagam fortunas para construir modernas mansões, desenhadas por arquitetos de renome, e são obrigados a escondê-las atrás de muralhas, como se vivessem nos tempos dos castelos medievais, dependendo de guardas que se revezam em turnos.

Os ricos brasileiros usufruem privadamente tudo o que a riqueza lhes oferece, mas vivem encalacrados na pobreza social. Na sexta-feira, saem de noite para jantar em restaurantes tão caros que os ricos da Europa não conseguiriam freqüentar, mas perdem o apetite diante da pobreza que ali por perto arregala os olhos pedindo um pouco de pão; ou são obrigados a restaurantes fechados, cercados e protegidos por policiais privados. Quando terminam de comer escondidos, são obrigados a tomar o carro à porta, trazido por um manobrista, sem o prazer de caminhar pela rua, ir a um cinema ou teatro, depois continuar até um bar para conversar sobre o que viram. Mesmo assim, não é raro que o pobre rico seja assaltado antes de terminar o jantar, ou depois, na estrada a caminho de casa. Felizmente isso nem sempre acontece, mas certamente, a viagem é um susto durante todo o caminho. E, às vezes, o sobressalto continua, mesmo dentro de casa.

Os ricos brasileiros são pobres de tanto medo. Por mais riquezas que acumulem no presente, são pobres na falta de segurança para usufruir o patrimônio no futuro. E vivem no susto permanente diante das incertezas em que os filhos crescerão. Os ricos brasileiros continuam pobres de tanto gastar dinheiro apenas para corrigir os desacertos criados pela desigualdade que suas riquezas provocam: em insegurança e ineficiência.

No lugar de usufruir tudo aquilo com que gastam, uma parte considerável do dinheiro nada adquire, serve apenas para evitar perdas. Por causa da pobreza ao redor, os brasileiros ricos vivem um paradoxo: para ficarem mais ricos têm de perder dinheiro, gastando cada vez mais apenas para se proteger da realidade hostil e ineficiente.

Quando viajam ao exterior, os ricos sabem que no hotel onde se hospedarão serão vistos como assassinos de crianças na Candelária, destruidores da Floresta Amazônica, usurpadores da maior concentração de renda do planeta, portadores de malária, de dengue e de verminoses. São ricos empobrecidos pela vergonha que sentem ao serem vistos pelos olhos estrangeiros.

Na verdade, a maior pobreza dos ricos brasileiros está na incapacidade de verem a riqueza que há nos pobres. Foi esta pobreza de visão que impediu os ricos brasileiros de perceberem, cem anos atrás, a riqueza que havia nos braços dos escravos libertos se lhes fosse dado direito de trabalhar a imensa quantidade de terra ociosa de que o país dispunha. Se tivesse percebido essa riqueza e libertado a terra junto com os escravos, os ricos brasileiros teriam abolido a pobreza que os acompanha ao longo de mais de um século. Se os latifúndios tivessem sido colocados à disposição dos braços dos ex-escravos, a riqueza criada teria chegado aos ricos de hoje, que viveriam em cidades sem o peso da imigração descontrolada e com uma população sem miséria.


A pobreza de visão dos ricos impediu também de verem a riqueza que há na cabeça de um povo educado. Ao longo de toda a nossa história, os nossos ricos abandonaram a educação do povo, desviaram os recursos para criar a riqueza que seria só deles, e ficaram pobres: contratam trabalhadores com baixa produtividade, investem em modernos equipamentos e não encontram quem os saiba manejar, vivem rodeados de compatriotas que não sabem ler o mundo ao redor, não sabem mudar o mundo, não sabem construir um novo país que beneficie a todos. Muito mais ricos seriam os ricos se vivessem em uma sociedade onde todos fossem educados.

Para poderem usar os seus caros automóveis, os ricos construíram viadutos com dinheiro de colocar água e esgoto nas cidades, achando que, ao comprar água mineral, se protegiam das doenças dos pobres. Esqueceram-se de que precisam desses pobres e não podem contar com eles todos os dias e com toda saúde, porque eles (os pobres) vivem sem água e sem esgoto. Montam modernos hospitais, mas tem dificuldades em evitar infecções porque os pobres trazem de casa os germes que os contaminam. Com a pobreza de achar que poderiam ficar ricos sozinhos, construíram um país doente e vivem no meio da doença.

Há um grave quadro de pobreza entre os ricos brasileiros. E esta pobreza é tão grave que a maior parte deles não percebe. Por isso a pobreza de espírito tem sido o maior inspirador das decisões governamentais das pobres ricas elites brasileiras.

Se percebessem a riqueza potencial que há nos braços e nos cérebros dos pobres, os ricos brasileiros poderiam reorientar o modelo de desenvolvimento em direção aos interesses de nossas massas populares. Liberariam a terra para os trabalhadores rurais, realizariam um programa de construção de casas e implantação de redes de água e esgoto, contratariam centenas de milhares de professores e colocariam o povo para produzir para o próprio povo. Esta seria uma decisão que enriqueceria o Brasil inteiro – os pobres que sairiam da pobreza e os ricos que sairiam da vergonha, da insegurança e da insensatez.

Mas isso é esperar demais. Os ricos são tão pobres que não percebem a triste pobreza em que usufruem suas malditas riquezas.”

Não é triste saber que pra você ser muito rico, alguém tem que ser muito pobre?

O que você vai fazer para mudar essa realidade? Gastar mais com segurança? Ou buscar meios de pressionar o poder público a inverter essa ordem criminosa?

Você tem dinheiro! E no nosso país, ter dinheiro é ter poder! O que você vai fazer com esse poder que você possui? Nada?

Pense… pois você e o pobre alí, vieram da mesma linha evolutiva do camarada pensante aqui de baixo…

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Vampiros, sempre vampiros…

Do Blog Escrevinhador, de Rodrigo Vianna:

“Precatórios: “Serra e Kassab agem como vampiros”
publicada quinta, 02/04/2009 às 10:26 e atualizado segunda, 06/04/2009 às 19:23 | 5 Comentários

Você sabe o que é precatório? Trata-se de assunto aparentemente chato, mas da maior importância…

Precatório é uma dívida do governo com um cidadão comum ou com uma empresa. Dívida que a Justiça mandou pagar, dívida sobre a qual não cabe mais nenhum recurso.

A Constituição de 88 criou regras para o pagamento dos tais precatórios: há uma fila , e o governo ou a Prefeitura são obrigados a ir pagando, pelo critério da antiguidade. Do contrário, podem sofrer até intervenção.

Pois bem: na última semana, o Senado aprovou – com votações-relâmpago – emenda à Constituição com regras que facilitam a vida dos governantes, e tornam mais difícil ao cidadão receber as dívidas.

Uma das mudanças prevê que Estados e municípios façam um “leilão” entre os contribuintes: quem der um abatimento maior na dívida, “fura” a fila e recebe primeiro!

Exemplos: um sujeito tem 100 mil reais a receber do governo de São Paulo, digamos. Esperou mais de 15 anos até a ação transitar pela Justiça. Agora, em vez do critério de antiguidade, pode valer o critério do “leilão”. Se o sujeito aceitar receber 50 mil (em vez de 100 mil), passa na frente dos outros que estão na fila há mais tempo ainda.

Sabe quem foram os grandes lobbystas, que batalharam por essa e outras mudanças? Serra e Kassab.

José Paulo de Andrade, veterano jornalista da Rádio Bandeirantes de São Paulo, comentava o assunto dia desses. José Paulo é conhecido por suas opiniões conservadoras. Mas tem um mérito: não briga com os fatos. Sabe o que ele disse no ar? “Nesse caso, desculpem, mas Kassab e Serra agem como vampiros, sugando o sangue do cidadão brasileiro”.

Vampiro. Muita gente acha que o Serra lembra um pouco um vampiro. Mas, nesse caso dos precatórios, o José Paulo de Andrade não se refere à aparência, mas à atitude mesmo.

Quanto ao Kassab, ele é de um partido que diz defender a livre-iniciativa, contra a “opressão” do Estado. Mas, estava lá em Brasilia, a fazer lobby contra os interesses dos cidadãos.Vergonhoso!

Enquanto o governo federal prolonga a isenção de IPI para os carros (e, com isso, consegue recuperar esse mercado, agindo contra a crise econômca), a dupla Serra-Kassab age na contra-mão: a Prefeitura e o Estado mas ricos do país querem garfar o cidadão, num momento em que a economia brasileira precisa de mais recursos circulando, pra ajudar a combater a crise.

É essa gente que quer voltar a governar o Brasil, vendendo uma imagem de “competência”?

É inacreditável. Não se trata de uma análise ideológica, mas de resultados. Lembre o que foi esse povo no governo federal: “apagão”, economia estagnada, ausênca de politicas sociais.

Como podem falar de “competência”, de “bom gerenciamento” do Estado. Francamente… “

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