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Archive for Julho, 2009


No sábado, 11 de Julho, estive na reunião dos estudantes universitários de Amparo no Clube A. E. Irapuã, organizada pela Comissão dos Estudantes de Amparo. Os estudantes tiveram a iniciativa de união e representação de seus interesses através da comissão para pleitearem junto à Prefeitura Municipal alguns pontos como o auxilio no custeio do transporte para cidades como Jaguariúna, Campinas, Bragança Paulista, Itatiba, e também para a faculdade de Amparo. Ao mesmo tempo, estudantes da Faculdade de Jaguariúna conseguiram alguns incentivos para os estudantes amparenses junto à diretoria da instituição, como desconto nas mensalidades, prorrogação do prazo para pagamento da mensalidade com desconto e prorrogação do prazo de rematrícula em quase 30 dias.

Sem julgar o mérito dos pedidos, precisamos reconhecer que a iniciativa é nobre e exemplar. A iniciativa envolve, no mínimo, 500 alunos de nível universitário que daqui a alguns anos estarão exercendo suas profissões em Amparo, trabalhando no desenvolvimento econômico e social da cidade.

A participação do Vereador Carlos Alberto, que para alguns pareceu oportunista, é exemplo a ser seguido pelos demais representantes eleitos para, no mínimo, participarem dos movimentos sociais da cidade, para que possam conhecer melhor quem paga os salários dos integrantes do legislativo, e mais importante que isso, conhecer as necessidades e aspirações de quem paga os mais altos impostos do mundo, mas que precisam brigar por um ‘auxílio’ do poder público para utilizarem o ensino privado, enquanto o poder público tem a obrigação de oferecer educação de qualidade para todos.

A mobilização é importante. A participação dos representantes da população é muito mais!

Os estudantes deram importante passo rumo à conscientização política para que saiam da inércia da ‘modinha’ do “não gosto de política!”. É claro que, quando os interesses dizem respeito ao bolso de cada um, a participação é maior, mas continuar pensando que unir-se por interesses pontuais e de importância pessoal, é pura burrice!

Quando pedimos a um prefeito que forneça transporte a todos os estudantes da cidade, que é rodeada por cidades que tem maiores e mais importantes instituições de ensino, já temos a certeza que essa é uma luta em vão, pois todos sabem da dificuldade financeira de cidades e estados, e o pior, todos sabem do ralo de dinheiro público que são as casas legislativas federais e estaduais, mas que ninguém protesta contra nada!

Outro dia li uma matéria na internet sobre os 10 maiores devedores de IPTU da cidade de São Paulo. Juntos devem mais de 500 milhões, dinheiro suficiente, segundo a Folha de S. Paulo, para acabar com o déficit de vagas em creches na cidade que é de 80.000 vagas, além de mais 12 hospitais.

Aí eu penso o que poderíamos fazer com 33 milhões ANUAIS (fonte http://www.transparencia.org.br) que gastamos com CADA UM dos 81 senadores? Será que não dava pra construir uma universidade por mês em cada estado? Será que dava para construir algumas centenas de hospitais por todo o Brasil? Será que dava pra fazer uma revolução na educação deste país?

Precisamos aprender a mexer na raiz do problema. Precisamos aprender, de uma vez por todas, a PROTESTAR E AGIR!

De que adianta lutar por ajuda no transporte, se não somos capazes de brigar para que deputados, senadores, vereadores atendam aos NOSSOS interesses? De que adianta brigar por desconto na faculdade se não somos capazes de brigar para que os assaltos ao dinheiro público acabem? De que adianta querer ensino de qualidade se você enche a boca pra falar: “não gosto de política!”. Viver é ser político, ou melhor, é ser politizado, pois político é uma palavra de nossa língua que anda desmoralizada demais. E ser politizado não é ter uma posição de esquerda ou de direita, mas sim ter interesse no que envolve a sua vida, é buscar informar-se para evoluir.

Plagiando o presidente Lula, nunca na história desse país, houve uma oportunidade tão grande como essa. Nunca a corrupção chegou a tal nível, e nunca a população esteve tão revoltada com os abusos dos senhores do privilégio. Está na hora da ação!

A mobilização dos estudantes deve continuar, mas deve evoluir. Não pode ficar presa apenas nos interesses do capital, pois as instituições de ensinos têm interesse sim na manutenção e aumento do volume de estudantes, mas deve dar passos a frente, na busca de conscientizar a letárgica classe estudantil de que a politização é o único meio de ação popular eficaz.

Precisamos aprender que nada cai no colo, sentado na frente da TV assistindo a novela, o futebol e o Jornal Nacional!

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Convivemos hoje com uma situação incomodante. A situação precária do legislativo brasileiro em todos os níveis. Não conseguimos enxergar a representação popular nas casas e o pior, a maioria dos ocupantes desses cargos eletivos não se vê na obrigação de buscar maior contato com a população, e isso causa uma resposta: a redução do respeito dos eleitores pela vida política. O cidadão comum prefere se esquivar da vida política, deixando um espaço livre para outros que enxergam na vida política, um meio de sustento e não um meio de exercício da cidadania.

São raros os casos de eleitos que buscam saber as opiniões de seu eleitorado para se posicionarem diante das mais diferentes situações, e principalmente, legislar em causa dessas pessoas. O que vemos hoje é um jogo que transformou os legislativos em departamentos de aprovação de projetos dos governos, e as causas são duas: a negação por parte da grande maioria de pessoas de bem deste país da necessidade de se interessar pela vida política de sua Cidade/Estado/País; e o exagerado uso das Medidas Provisórias.

E você cidadão comum, sabe por que o Governo Lula já conseguiu aprovar mais de 400 MPs durante sua estadia no poder? Por que ele próprio nomeou mais de 30 mil cargos de confiança, uma espécie de loteamento do poder usado em troca de apoio nas votações de projetos de interesse do Executivo. No estado de São Paulo, os cargos de confiança ultrapassam os 20 mil, e todos eles estrangulam a perspectiva de crescimento profissional de servidores concursados dentro do meio público, a menos que estes se filiem a grupos políticos.

De acordo com a ONG Transparência Brasil, em nosso país os percentuais variam de 29% a 67% de eleitos para cargos do legislativo, que já foram condenados em segunda instância por crimes contra a administração pública; tiveram contas rejeitadas por Tribunais de Contas e/ou Justiça Eleitoral; ou estão sendo acusados judicialmente por compra de votos, desde o Congresso Nacional a Câmaras Municipais. E isso só tem uma causa: os cidadãos de bem desistiram de lutar por estas vagas.

Pouco vemos o legislativo amparense aprovando leis de grande importância para o município. O que vemos é um festival de requerimentos e projetos de pouca relevância para a sociedade local, e quando alguma matéria é aprovada, a maioria é de iniciativa do Executivo. Sem contar o não cumprimento de várias leis municipais. Quanto ao poder de fiscalização, este ficou de lado quando vemos os resultados das obras em nossa cidade. Nada foi supervisionado pelos nossos ‘representantes’. Nada foi questionado. Aquele material era bom mesmo? A empresa contratada pode causar algum tipo de problema? Quais são as possibilidades? Nada disso foi discutido antes da assinatura do contrato.

A recente aprovação da Lei que concede subvenção às escolas de samba em Amparo é mais uma prova de que o legislativo é submisso. Vereadores aprovaram por unanimidade o projeto de Lei de autoria do prefeito Paulo Miotta que destina R$ 63 mil a cada uma das quatro escolas de samba amparenses (num total de R$ 252 mil). Ao abrir os jornais, li que essa verba faz parte do montante dos investimentos destinados a cultura de nossa cidade, e me coloquei no lugar de vários escritores, pintores, poetas, artistas plásticos, músicos de outros gêneros (que não o samba) que não recebem tamanho apoio. Tenho amigos músicos e sei o quanto eles sofrem para continuar a tocar. Só a paixão pela música os mantém na batalha. Ainda li que o presidente da Câmara local defende maiores investimentos públicos nas escolas de samba, e inclusive afirmou que faz parte de uma escola de samba. Isso não pode ser considerado legislar em causa própria e/ou entidade a qual participa?

Compreendo a baixa qualidade do ensino público, e a dificuldade dos professores que se tornam cada vez maiores diante da falta de mais bibliotecas espalhadas pela cidade, dando oportunidade aos desvios de conduta da juventude dos bairros afastados, que não recebem nenhum tipo de incentivo à cultura, como aulas de música e outros tipos de formas de expressões artísticas e culturais. Só restam a eles as más influências. Só com o carnaval a prefeitura municipal gasta em média R$ 500 mil por ano. Quantos CDs de artistas locais poderiam ser produzidos com R$ 500mil? Quantas exposições artísticas e outros meios de expressão cultural poderiam ser auxiliados com R$ 500 mil? Quantos alunos de outras manifestações artísticas poderiam ser beneficiados com R$ 500 mil?

Como sempre, o abismo entre os eleitos e os eleitores é enorme. Os eleitos defendem causas populistas, acreditando que esses são os reais interesses da população, mas se saírem às ruas e conversarem com diferentes pessoas de diferentes bairros, verão que a maioria prefere que esse dinheiro destinado a cultura, não se restrinja a maior parte às escolas de samba. Verão que iniciativas inteligentes de inserção de jovens carentes em diferentes meios de expressões artísticas (que não só o samba) terão melhores resultados no combate à delinqüência juvenil, dado que percebemos um crescente aumento da violência em nossa cidade.

Verão, enfim, que apesar de aparentemente não atraírem mais votos, estas diferentes ações de incentivo a culturas diversificadas trarão melhores resultados sociais e, conseqüentemente, culturais. Mas isso depende da intenção de cada um.

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From Red Boy..!!

Recebi esse email do amigo Vermeio, o famos Daniel Bolgheroni:

“Usar o .doc do Word barra o acesso de milhares de pessoas que não têm condição de comprar o Word, que não usam Windows, que estejam lendo e-mail através do celular, etc. Além disso, propaga o uso de uma tecnologia proprietária de uma grande corporação americana.

Hoje em dia, com o uso irrestrito de computadores, discutir esse tipo de assunto é essencial quando se fala em política. Já existem no mundo várias iniciativas de padronizar o uso de documentos abertos emrepartições públicas, inclusive em âmbito estadual aqui no Brasil.

Você poderia usar texto puro no próprio e-mail, poderia ter salvo em .odf, em .pdf, etc. Principalmente quando falamos do .odf ou OpenDocument, vale a pena dar uma lida: http://pt.wikipedia.org/wiki/OpenDocument

Praticamente qualquer editor de texto hoje em dia suporta o OpenDocument, com exceção do Microsoft Word. Os motivos são óbvios, ou seja, manter o monopólio do .doc e evitar que concorrentes consigam ler e escrever nesse formato.

E também esta notícia: http://www.broffice.org/odf-alliance_ganha_versao_brasileira

Escrevo porque acho isso essencial. Mesmo. E também porque não consegui ler o texto no formato .doc.

Abraço!”

Publiquei por que também achei essencial..!! Vlw

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Diploma de jornalista: o buraco é mais embaixo

“…sambista não tem valor nessa terra de doutor e seu doutor o meu pai tinha razão”, canta Paulinho da Viola, no samba intitulado “14 anos”.

Acrescento ao sambistas sem valor os pedreiros, carpinteiros, maquinistas, estivadores, lixeiros, lavradores, camponeses, cortadores de cana, peão de fazenda e de obra, barrageiros, bóias frias, ascensoristas, cobradores, motoristas, carregadores, domésticas, faxineiras e pescadores. A lista é imensa. Esses milhões, a ninguenzada, como dizia o saudoso Darcy Ribeiro, que construíram e constroem o Brasil, têm um traço em comum: exercem profissões de trabalho manual. E é aqui que a cousa pega. Nesse nosso país de doutores, trabalho manual, braçal, é quase indigno. Vale pouco e ganha pouco, herança terrível de 400 anos de escravidão, que pesa sobre nossos ombros.

Vejam que exemplo histórico: José Thomaz Nabuco, filho do intelectual e abolicionista Joaquim Nabuco, no livro “Um médico do Brasil Colônia”, editora Nova Fronteira, 1986, às tantas narra que nosso antepassado comum, Manoel Fernandez Nabuco, chegado à Bahia em 1763, vindo da Vila de Escalhão, Portugal, era médico, naquela época chamado cirurgião, e para ter seu diploma reconhecido pelo cirurgião mor da corte e a licença de “el rei” para exercer sua profissão precisou provar que seus pais e avós paternos e maternos viviam de “suas fazendas”, ou seja: das suas rendas, o que significava não terem exercido trabalhos manuais ou braçais.

Que carga pesada herdamos. Para limpar essa marca ignóbil, que vem de muito longe, ter um diploma universitário é uma das formas mais buscadas e aceitas. Então dá-lhe abertura de faculdades de fachada, arapucas pra tomar dinheiro basicamente dos filhos dessa “ninguenzada” que listei antes. O cidadão, a cida-dã, vai continuar feirante, mecânico, manicure, vendedora, auxiliar administrativo, mas poderá, com orgulho, dizer “eu tenho um diploma da faculdade”, ou melhor e mais bonito, “eu sou doutor”.

Todos os bacharéis e licenciados formados no ensino superior são doutores sem ter feito mestrado e muito menos doutorado. São os advo-gados, médicos, dentistas, engenheiros, procu-radores, juízes, deputados… até os delegados de polícia. Os bacharéis que são doutores.

Como titulei, o buraco é mais embaixo. O que precisamos, de fato, é tratar dignamente, principalmente remunerar dignamente todo esse povo, esses milhões que fazem nosso país. Se assim fizéssemos, não haveria essa pressão violenta para conseguir o diploma universitário. Uma boa formação, um bom ensino de segundo grau, um bom salário bastariam para uma vida digna e cidadã.

A profissão de jornalista é muito importante, fundamental mesmo para se construir sociedades democráticas, plurais, mais justas e igualitárias. Seu reconhecimento e regulamentação não deve se limitar à obrigatoriedade do diploma universitário. Deve ser bem remunerada, prote-gida nos seus direitos e benefícios e admirada pela qualidade da sua produção, independência, senso crítico e ético e não apenas por um diploma que, no mais das vezes, veio de faculdades nascidas para aplacar a mancha horrenda de não sermos doutores.

Com essa visão, me pergunto por que precisamos de advogados, que obrigatoriamente precisam de diplomas de faculdades de direito, geralmente de baixíssima qualidade. Deveríamos também poder defender nossos direitos de cidadãos frente a qualquer arbitrariedade, seja da esfera pública ou da privada, com ou sem advogados, mas sim protegidos por uma vivência democrática, a constituição federal e um conjunto de leis conhecidas e respeitadas. Assim fosse e esse imenso cartório, essa reservona de mercado seria menor e menos nociva. Nada contra os advogados, penso que isso vale para muitas outras profissões que poderão ser exercidas sem a obrigatoriedade do diploma universitário específico. Claro que a sofisticação e diversidade das atividades econômicas exigem formação especializada, inclusive bons advogados. Mas insisto: não é apenas a obrigatoriedade do diploma que a possibilita.

Essas reservonas não interessam aos jornalistas, às suas lutas e reconhecimento. Penso que eles precisam trazer para esse nobre ofício um número cada vez maior de gentes com talento, com ou sem o diploma, inclusive os milhares de jovens que hoje lutam para dar voz à suas comunidades através de rádios comunitárias, jornais, revistas, blogs e outros variados meios por todo esse nosso Brasil.

Wagner Nabuco é historiador, diretor-geral da Caros Amigos, sem diploma de administrador de empresas.

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Banda Larga no Brasil: Uma piada de mal gosto

Colaboração: Jomar Silva*

Data de Publicação: 03 de July de 2009

Há algumas semanas, tive acesso a um relatório sobre a situação atual dos acessos de banda larga no mundo todo, e não me surpreendi em ver o Brasil classificado como um dos acessos mais caros e de pior qualidade.

O que chamamos de banda larga no Brasil, na verdade é uma grande piada, contada pelas falaciosas empresas de telecomunicações, que são reguladas por uma entidade que simplesmente não cumpre com suas obrigações e ninguém faz nada sobre isso. Quer ver como eles mentem e te enganam descaradamente?

Vocês sabiam que a velocidade da banda larga que contrataram é apenas “ilustrativa”, e que o valor real garantido em contrato é, em média, 10% disso? Sabia que esta velocidade “ilustrativa” não é bidirecional?

Trocando por miúdos, quando você fica todo feliz em ter 2MB de banda larga, na verdade seu contrato diz que você tem direito a 200kbps de banda, extensível (quando possível) a 2Mbps. Claro que esta “tremenda velocidade” é apenas no sentido chamado de downstream (da Internet para seu computador), pois no sentido contrário (upstream ou do seu computador para a Internet), a velocidade raramente passa dos 256 kbps (sendo 128kpbs o valor comumente utilizado). Esta última explicação pode agora te ajudar a entender o motivo pelo qual você consegue baixar muito rápido um e-mail com um anexo grande, mas demora muito para, por exemplo, re-enviar este e-mail para outras pessoas.

O que me deixa mais indignado ainda com as operadoras, é a constância com que cometem “erros de configuração” nas conexões dos usuários (já vi este “problema acidental” em inúmeras conexões ADSL, Cabo e 3G). Este “problema acidental” ocorre com frequência pois a maioria dos usuários não sabe como verificar a largura de banda que lhe está verdadeiramente sendo entregue. Por isso, gosto sempre de ensinar a todos como faze-lo: http://www.speedtest.net (basta acessar o site e seguir as instruções que ele vai te fornecer… em poucos segundos você vai descobrir quão honesta é sua operadora, ops… ato falho… quer dizer, quão bem configurada está sua conexão).

O caso mais grave que já vi foi de um parente que havia comprado um computador novo dual core, com 4Gb de RAM (um baita maquinão mesmo) e vivia se queixando que seu computador estava “lento na internet”. Detalhe adicional: ele era assinante de banda larga ADSL de uma certa operadora espanhola em São Paulo (que prefiro não citar o nome para não infectar e poluir este blog) e é um mero usuário (não tem conhecimento técnico algum, com a imensa maioria dos usuários de Banda Larga no Brasil).

Depois de tanta reclamação (mais de um mês), resolvi dar uma passada na casa dele para ver o que estava acontecendo. Quando usei o SpeedTest lá, descobri que os 2Mbps que ele estava pagando eram na verdade 128kps. Ele ligou para o suporte técnico da tal operadora e o atendente insistia com ele que estava tudo certo e que o computador dele estava com o problema (a mesma ladainha que ele já havia ouvido algumas dezenas de vezes). Fui obrigado a pegar o telefone e conversar com o tal “técnico”. Quando avisei a ele que eu sabia o que estava fazendo e falando (já trabalhei em centros de Pesquisa e Desenvolvimento de telecomunicações, banda larga e multimídia), e que a tal empresa espanhola estava cometendo uma fraude gravíssima, a voz do atendente tremulou… ele então se desculpou e passou a seu supervisor, que gentilmente se desculpou pois havia detectado um “erro de configuração” no modem ADSL e me pediu “por gentileza” para resetar o modem… Reset feito e modem navegando a 2M
bps… Já vi “erros de configuração” idênticos a esse em operadoras de cabo e 3G, mas confesso que a tal operadora espanhola é recordista nestes erros (testem suas conexões e veremos os resultados).

Falando em 3G, mais uma vez, uma falácia gigantesca. Já vi até operadora vendendo largura de banda que nem em laboratório se conseguiu colocar para funcionar direito ainda (tudo bem.. eles devem pensar que os usuários brasileiros são mesmo um bando de ignorantes fáceis de enganar, não é mesmo?).

Um exemplo interessante das maravilhas do mundo 3G é a minha magnífica conexão 3G do BlackBerry Bold da Claro (já fiz um review bem legal do BB Bold aqui no blog, e confesso que não vivo mais sem meu BlackBerry). Quando comprei, assinei o serviço de dados todo empolgado, pois teria uma conexão 3G (que no Brasil virou erroneamente sinônimo de Banda Larga Móvel), e não atentei ao detalhe que 3G é a tecnologia de transmissão, e isso em nada se relaciona com a banda. Meu BlackBerry Bold 3G da Claro não passa dos humilhantes 128kpbs, e nem adianta ligar lá para reclamar, pois nos contratos que assinei (como todo bom brasileiro, sem ler com a devida atenção), não existe nada sobre a largura de banda… sou um trouxa mesmo, não é? (no momento em que escrevo fiz um teste e minha super conexão 3G atingiu um pico de 31 Kbps… me deu saudades do meu modem U. S. Robotics Courier 33.600).

Em uma coisa, todas as operadoras se nivelam: atendimento ridículo quando ocorrem problemas.

Estou a 3 dias sem a minha conexão de banda larga (via cabo), e já fiquei plantado feito um imbecil por uma manhã inteira aguardando o “técnico” que nunca chegou… quem sabe amanhã.

Interessante é notar que ontem, o segundo dia do meu “apagão”, acabei dando uma passada no consultório da minha irmã e ela estava aflita pois sua conexão 3G da Claro não funcionava. Ligamos para o suporte técnico e após alguns minutos de conversa (e eu explicar para o “especialista” deles) que na área onde ela estava o 3G estava fora do ar, pois meu BlackBerry também da Claro só se conectava via EDGE por lá, ele insistia que “a rede não possui problema algum”… antes que me esqueça, as luzes do modem 3G indicavam isso mesmo: sinal fraco e intermitente.

A ligação terminou quando ele me pediu para fazer qualquer coisa no “menu iniciar” do computador, e eu avisei que o computador da minha irmã roda Linux (sim, uma Nutricionista que usa Linux… e diga-se de passagem o adora, após ter perdido algumas semanas de trabalho com um tal Vista que simplesmente não funcionava). Voltando ao assunto, já viram a reação de um vampiro quando vê a cruz? A do “especialista” da Claro foi idêntica: “sr, nossos modems não funcionam em Linux e não damos suporte”. Quando fui explicar a ele que o “modem deles” estava funcionando em Linux há singelos 12 meses, recebi como resposta “estou encerrando a ligação, pois o Sr não usa um sistema suportado”… resultado: SE VOCÊ USA LINUX, NÃO CONTRATE 3G COM A CLARO !!! (minha irmã está indo hoje contratar uma nova conexão com outra operadora).

Contei esta história, pois passei pelo consultório dela para bater um papo e ver se ela estava mesmo contente com o 3G, pois depois de dois dias (agora três) sem minha Banda Lerda via cabo, eu estava pensando mesmo em cancela-la e contratar um 3G… acho que ainda não dá para fazer isso.

Me sobrou o bom e velho ADSL… quer dizer, tinha sobrado, pois alguns minutos depois do bate boca com o “especialista” da Claro, recebi um telefonema do meu pai, nervoso pois precisava enviar um e-mail com urgência e sua conexão ADSL (da tal operadora espanhola) não estava funcionando (me doeu, mas tive que orienta-lo a ligar para o suporte técnico da operadora, apesar de saber que ele sofre de pressão alta :) )… alguns minutos depois li num portal da Internet que a tal operadora estava sofrendo mais um apagão (o segundo do mês), desta vez nos ADSL de algumas regiões de São Paulo (e claro, eles negavam o apagão e assumiam alguns “problemas isolados” (se esse pessoal fosse da OMS a gripe do porco seria classificada como “alguns meros resfriados localizados”).

Sendo assim, num mesmo dia, todas as possibilidades de conexão “banda larga” que conheço estavam fora do ar, e todos os usuários tendo que aguentar os “especialistas e técnicos” das operadoras (aliás, se você que está lendo ainda não é formado e queria se especializar com rapidez, não vai para a escola não bobo: Arrume um emprego em um call center… você vira “especialista” e “técnico” em algumas horas… é sério).

* Jomar Silva é engenheiro eletrônico, pós graduado em gestão de projetos e desenvolvimento de sistemas e Diretor Geral da ODF Alliance Chapter Brasil. Atua no mercado de TI desde 1996, com ênfase no desenvolvimento de software em projetos de Pesquisa e Desenvolvimento para empresas do setor de Telecomunicações e Tecnologia da Informação. Atua ainda como “advisor” em padrões abertos junto a indústria de software. É coordenador do Grupo e Trabalho na ABNT que tratou da adoção do ODF como norma brasileira e membro do OASIS ODF TC (comitê internacional que desenvolve o padrão ODF).

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Orkut, Twitter e a nova era..


No artigo do dia 09/07/09 na Gazeta Amparense escrevi sobre o assunto. Recebi alguns questionamentos do porque critiquei a matéria de capa da Veja de semana passada, onde ela trata as redes sociais da internet como “Sozinhos.com”.

Só pra você entender por que discordo da Veja.

A solidão independe de internet, é uma questão pessoal. Se uma pessoa sente solidão porque não consegue manter relações pela internet, é por que ela já não tem essas relações na vida real. Como vai ler abaixo, a internet é apenas uma ferramenta. Relações de amizade não se fazem pela internet, ela apenas é uma ferramenta que traz agilidade a esses contatos.

Quem pensa em buscar na internet o preenchimento do vazio de sua vida real, já começou errado, ou seja, vai continuar na solidão.

O Orkut, que a Veja também retrata como ferramenta de preenchimento do vazio afetivo, é usado pela maioria das pessoas para reencontrar amigos e conhecidos da época de escola, na faculdade, na infância, e também os atuais amigos. Ninguém discute pelo Orkut questões emocionais. Talvez uma minoria sim, mas a Veja trata como a maioria absoluta. O Orkut é usado para colocar fotos que você deseja, e trocar mensagens publicamente com outras pessoas, mas principalmente para organizar com muito mais facilidade e agilidade aquele churrasco do fim de semana, ou a festa de aniversario de alguém, etc… Quase ninguém usa o Orkut pra contar um problema pessoal. Essas coisas só podem ser feitas com olho no olho. Talvez no MSN sim, mas porque você tem a privacidade de trocar as mensagens apenas entre duas pessoas, mas mesmo assim, elas em 99,9% das vezes já mantém uma relação estreita na vida real.

O que a Veja faz os leitores pensarem, é que essas ferramentas são apenas para manter relações afetivas, quando na realidade, a maior parte dos usuários as usam como ferramenta de busca e difusão de informação e um meio de organização de mobilizações sociais independente da distancia, cultura, ideologias, etc…

Os grandes meios de comunicação, com a razão deles, logicamente vão tentar desmoralizar esses movimentos, pois como mostrado na entrevista do Marcelo Tas abaixo, estamos no início de uma nova era na comunicação, e essa nova era vai causar uma queda enorme no número de leitores e assinantes desses grandes meios de comunicação, como já vem acontecendo ha algum tempo. O Estadão, por exemplo, está com campanha na TV em que pede ao novo assinante que estabeleça o preço da assinatura do primeiro mês no valor que ele acredite que o jornal mereça. Trocando em miúdos, PELO AMOR DE DEUS, PAGUE QUANTO QUISER, MAS ASSINE. Claro que sempre vai haver uma minoria que use essas ferramentas de modo errado (para questões afetivas), e é justamente o que a Veja trata como maioria, ou até mesmo como absoluto. E é por isso que não dá pra acreditar nela… rsrs

Só um pequeno exemplo. A própria Veja tem um perfil no Twitter. Mas ela não fez uma citação sequer sobre isso na matéria. Por quê?

Por que o perfil da Veja no Twitter apenas divulga links de suas matérias, colunas, etc. Traduzindo, a Veja utiliza o Twitter para divulgação e difusão de informação, só as dela, é lógico. A Veja não utiliza o Twitter para relações afetivas, como a maioria dos usuários também não. Pena que ela retrate de outra maneira na revista.

Se ela citasse que usa o seu perfil no Twitter para divulgação de informação, teria que dar maior ênfase no assunto, pois estaria admitindo que precisa participar dessa nova era pra não ficar para trás.

É por isso que finalizo o artigo do jornal com “Está aí uma nova era. Prepare-se…”, por que realmente não existe exagero quando cito isso.

Do blog do Marcelo Tas:

O twitter já revolucionou a comunicação
Abaixo, copio entrevista concedida ao Blog do Link, caderno de tecnologia do jornal “O Estado de São Paulo”. Curiosamente, ou não por acaso, apesar de publicada em 05/07/2009, apenas na internet, foi uma das entrevistas que mais gerou comentários dos leitores, via e-mail, twitter e outras redes sociais. Hoje foi parar na home do Yahoo! Brasil.

Ana Freitas, para o Blog do Link

Após uma semana agitada na relação entre política e internet (e um coronel amapaense no meio), o jornalista Marcelo Tas faz um balanço do que, afinal, merece atenção. Apoiador e divulgador do #ForaSarney, ele defende a mobilização pela internet mas critica alguns métodos adotados por partidários da campanha. Em entrevista ao Link por telefone, Tas citou a palavra “revolução” nove vezes e falou sobre jornalismo, política e internet.

Você acha que o Twitter vai revolucionar a comunicação?
Não, eu acho que já revolucionou. Acho que já influenciou e mudou muito a comunicação.

Qual sua posição sobre todo o caso envolvendo o #ForaSarney e as celebridades no Twitter?
Antes de mais nada, fico muito aliviado por ainda termos pessoas indignadas com o Sarney. Acho maravilhoso que uma molecada tenha tido a iniciativa de criar a tag e começado a se manifestar. Esse episódio aí (das celebridades que foram convidadas a participar da mobilização) para mim é muito pequeno. É uma coisa que ganhou uma dimensão… não há nenhum interesse em ficar falando em “subcelebridades”. Pra mim (as pessoas que convidaram as celebridades) são pessoas equivocadas sim, e a maneira como eles pediram essa ajuda ao Ashton [Kutcher] foi totalmente ingênua e boboca, para usar palavras muito elegantes. Mas isso para mim teve nenhuma importância. O mais importante foi ver a molecada gerando esse barulhão na internet contra o Sarney.

Ainda que essas manifestações tenham ficado só na rede e poucos tenham comparecido de fato aos locais marcados pra manifestação?
Esse é o jeito analógico de pensar. Quando você fala que o pessoal não compareceu, está se baseando em algo como as Diretas Já, né? Mas nas Diretas demorou um ano e meio pra botar 300 mil pessoas na rua. O #ForaSarney em uma semana mobilizou, saiu matéria em tudo quanto é jornal, e já decretam que foi um fracasso. Se estão criticando as pessoas que foram, quem está errado? Quem foi ou quem não foi? Vi um monte de nerds, em alguns lugares como o Amapá, foram 50 pessoas. Acho isso incrível, primeiro porque o Amapá foi o lugar onde foi eleito o Sarney. E aí as pessoas acham que foi um fracasso. O que me interessa é que tem gente colocando pra fora sua indignação. Jovens que sempre foram tratados como alienados, que “só ficam sentados no computador”, quando tiram a bunda do computador são criticados porque são poucos?

Então exagero pensar em revolução pela internet?
Não, com a internet não. A revolução se faz com pessoas. (A internet) É apenas uma ferramenta, e não é a única. Eu acredito que revolução pra valer, de gente séria, se faz com educação. É a revolução que foi feita na Coreia, e é essa a revolução que me interessa. É o país que tem maior adoção de banda larga e de telefonia celular do mundo, onde a internet não foi tratada com preconceito, mas como uma ferramenta. Nosso erro é olhar pra internet como se ela tivesse vida, como se ela fosse uma pessoa. Ela não é uma pessoa, ela é uma ferramenta como uma caneta. Depende de como a gente usa. O nosso caso, que é bastante grave, é que as pessoas que saem na frente levam porrada de quem tem medo da mudança, como foi essa molecada do #ForaSarney. Tem umas pessoas que ficam torcendo contra, e ficam pintando eles como se eles fossem uns bobocas. Eu não tenho esse tipo de preconceito. Não participei das manifestações, até porque eu, como apresentador do CQC, não tenho que tomar partido ou vestir a camisa de uma causa. Mas apoiei ajudando a divulgar por um motivo muito simples: eu acho o Sarney uma doença para o Brasil.

Não foi ingenuidade dos partidários de Sarney minimizar a campanha?
A cabeça dele é analógica, é a cabeça de um coronel que já fechou televisões e jornais. O Sarney já chegou a tirar do ar a Rede Globo no Maranhão. É um cara que domina o mundo analógico, mas desconhece o digital e começa a levar seus tombos. A mesma coisa aconteceu com o ACM. O coronel manda prender, manda sumir com gente. Não tenho duvida de que o Sarney vai ser soterrado pela opinião publica.

Diante desse panorama político de uma liberdade de expressão inédita na humanidade, você acha é possível censurar a internet?
Não dá. E isso é curioso, por conta do DNA da internet, que é descentralizado. É uma espécie de armadilha do destino para esses tiranos, mesmo na China. Lá, os nerds conseguem driblar o firewall, a muralha digital chinesa. Não é todo mundo, mas um faz um buraquinho, outro faz outro e a muralha digital vai cair que nem a grande muralha. Você acha que os iranianos teriam tido condição de fazer a mobilização que fizeram sem o Twitter?
Não dava. Eles não teriam tido a abrangência e a velocidade que conseguiram. Nós estamos acompanhando em tempo real. Por exemplo, a menina que levou o tiro e caiu no asfalto. A gente viu aquela imagem umas horas depois, o mundo inteiro viu. Há três anos isso provavelmente não aconteceria. Esse é um exemplo muito evidente de algo que já está entre nós.

É o fim da barreira entre fã e ídolo, político e eleitor…
Isso é algo que está aí e vai se aprofundar. O fã realmente vive muito próximo, como o cara que trouxe a informação [sobre a agressão] do Danilo. Ele sabia que eu estava online. Ele não só se sente perto de mim como está perto de mim. Quanto mais você troca informação com seu público, mais constrói relação de confiança. E isso é o que aqueles meninos não souberam fazer, no episódio das “subcelebridades”. Eles (celebridades) foram falar de um assunto que não faz parte da vida deles. Falaram do #ForaSarney como se aquilo fosse uma brincadeira. O papo mais idiota que existe é o ‘vamos botar no Trending Topics’ (assuntos mais comentados do twitter). A importância disso é zero, e quem pensa desse jeito são pessoas velhas, acostumadas a falar de ibope. A internet não é sobre audiência – não adianta você querer inflar seus seguidores do dia pra noite.
É sobre ‘cauda longa’, sobre uma maioria que não é uniforme, como eram os seguidores da novela das oito. Era uma manada de gente que nem sabe porque está vendo a novela. Na internet não, o cara que é meu seguidor no Twitter sabe porque é meu seguidor. Não adianta de uma hora pra outra você querer bombar seus seguidores. No mundo virtual, as coisas têm que ser muito reais. Outro jeito das pessoas pensarem é “quero ficar famoso, então vou lá falar com o apresentador do ‘Big Brother'”. Tem muita gente que me pede “Marcelo, me dá um tweet que eu quero ficar famoso”. É gente totalmente equivocada.

Na internet, você acha que as movimentações vão sempre estar na mão das pessoas?
Não gosto muito desse negocio de ‘está na mão do povo’, porque povo foi uma palavra desmoralizada pelos políticos.

Mas pense no povo como uma coisa bonita.
É uma ferramenta mais democrática, não tenho dúvida.

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Quando decidi escrever algo sobre o Senado, minha primeira atitude foi visitar o site do Senado Federal (www.senado.gov.br) e elaborar uma listagem dos nomes mais conhecidos e ‘respeitados’.

Pronto! Terminei a lista!

Pensei sobre o que já havia planejado fazer, comentar nome por nome para mostrar em detalhes o que nós, eleitores, podemos rejeitar nas próximas eleições. Antes de começar a escrever pensei também no que iria propor ao final do artigo, pois já que vamos tirar alguns do poder, temos que colocar outros. O texto travou… Apaguei a lista… Não adianta falar em rotação de poder enquanto o sistema eleitoral é a principal causa das grandes vergonhas de nossas casas legislativas. Vai ser 6 por meia-dúzia. Quem podemos colocar lá?

Dúvida cruel. E não é exagero! A grande maioria da nossa população vive com o insuficiente. Se não passa fome, tem dívida até o pescoço e vive iludido por uma mídia dominada por grandes parceiros da ditadura. A grande parcela politizada da classe média, incluindo a classe artística, assiste a tudo calada, anestesiada talvez por tanta sujeira e cara-de-pau sempre presente na classe política, em qualquer nível. O restante divide-se em poderosos, políticos ou não, que dominam nossas instituições municipais, estaduais e federais e uma pequena, mas muito persistente parcela da população tupiniquim consciente de tudo o que é preciso ser corrigido, mas ilhados por um país de dimensões continentais que tem sua capital no meio do nada, talvez para evitar que essa parcela da população consiga se unir.

Porém, o tempo tratou de corrigir um erro provocado por ‘visionários’ que enxergaram na construção de Brasília, um meio de afastar o povo do poder para que pudessem criar seus ‘bunkers’ secretos para orgias não tão secretas assim. O tempo trouxe a internet, a banda larga (de péssima qualidade), a tecnologia, e a divulgação de informação livre.

Muitos dos leitores de jornais e revistas, penso eu que a maioria, não tem idéia do que se passa pela rede hoje. Afirmo isso porque era um leitor apenas desse tipo de meio de divulgação de informação e quando me deparei com as realidades que transitam livremente pela internet, fiquei espantado! Consegui entender por que muitos dizem que os meios de comunicação deixaram de vender informação ao público e passaram a vender o público a seus anunciantes.

Com a facilidade e agilidade em publicar textos através de sites, blogs e outros, uma pequena parcela de barulhentos começaram e ser ouvidos. E quando você ouve uma verdade muito bem embasada, fica difícil de ignorar.

Você pode perguntar: o que de tão importante assim está sendo tratado por essas pessoas?

E eu respondo: muita sujeira! É preciso muito estômago!

Mas acredito que o mais importante não são os escândalos e sim a discussão pública e livre de temas que dizem respeito ao nosso país e ao futuro de nossas famílias.

E a discussão, divulgação, e debate público de informações realmente importantes têm um único caminho a ser percorrido, que levará aos tão desejados movimentos sociais, a ação! O Twitter, por exemplo, que conheci por pura curiosidade, mas que me mostrou ser excelente ferramenta de união de pensamentos comuns, e que a Veja tratou como a solidão virtual em sua capa de semana passada, está se tornando num poderoso meio de interação e união de pessoas com interesses e ideais comuns. Ao contrário da solidão, retratada pela semanal do Grupo Abril, o Twitter nas semanas passadas conseguiu unir pessoas em diferentes cidades no mesmo horário para protestar contra os desmandos do bigode mais odiado desse país, José Sarney.

BRASÍLIA, SÃO PAULO, RIO, CAMPINAS, BELO HORIZONTE, GOIÂNIA, JUIZ DE FORA, PORTO ALEGRE, CAMPO GRANDE, MANAUS, RECIFE, FLORIANÓPOLIS, NATAL, MACAPÁ.

Essas foram as cidades onde aconteceram protestos organizados pelo Twitter. Na grande mídia, nenhuma notícia. O que já era esperado, afinal receber milhões e milhões em investimentos publicitários deve ter um preço. Mas, mais uma vez, o único meio livre de divulgação de informação, a internet, teve papel fundamental na cobertura dos protestos, tanto que motivou entrevista no ‘Estadão’ com Marcelo Tas, que você pode conferir em http://marcelotas.blog.uol.com.br no arquivo do dia 07/07/2009. Quando perguntado sobre uma possível censura na internet, Tas afirmou: “Não dá. E isso é curioso, por conta do DNA da internet, que é descentralizado. É uma espécie de armadilha do destino para esses tiranos, mesmo na China. Lá, os ‘nerds’ conseguem driblar o firewall, a muralha digital chinesa. Não é todo mundo, mas um faz um buraquinho, outro faz outro e a muralha digital vai cair que nem a grande muralha. Você acha que os iranianos teriam tido condição de fazer a mobilização que fizeram sem o Twitter? Não dava. Eles não teriam tido a abrangência e a velocidade que conseguiram.”

A cobertura do protesto em Brasília você pode conferir em: http://bit.ly/f3Aee

Vale lembrar os protestos no Irã, onde o MUNDO soube em cerca de duas horas do assassinato de uma estudante protestante através do Twitter, o que foi o estopim de toda aquela manifestação social que estamos assistindo até hoje. Vale lembrar também que os blogs tiveram papel fundamental na divulgação de informação, já que a imprensa foi proibida de mencionar qualquer tipo de informação.

Está aí uma nova era, prepare-se…

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