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Archive for Setembro, 2009


Como já mencionei neste espaço, está claro o uso eleitoreiro – a favor e contra Dilma – de tudo o que vemos na grande mídia sobre o pré-sal. É fato também que, como todas as grandes descobertas deste país desde o pau-brasil, passando pelas minas gerais, Amazônia e jogadores de futebol, alguns ainda acreditam que entregar de bandeja nossas riquezas à exploração sem limites de grupos internacionais seja a melhor forma de gerir nossos recursos naturais.

Quando saímos da discussão superficial liderada pela mídia golpista e buscamos nos aprofundar na discussão dos reais interesses da nação quanto ao direcionamento e uso de seus recursos naturais, percebemos que grande parte da população – por interesse pessoal e/ou partidário e/ou por falta de conhecimento – entende que a melhor forma de exploração de nossos recursos naturais seja por meio de privatizações ou concessões para empresas estrangeiras ou de capital aberto.

Mas quando buscamos as argumentações que vão em direção contrária, ou seja, que o Estado deve sim estar no comando da situação, não temos argumentos que possam convencer-nos do contrário. Também concordo que o Estado tem muitas falhas, ainda, quanto à gestão dos recursos vindos de tais riquezas, como podemos ver na questão das rodovias estatais. Quando privatizadas nos proporcionam abissal diferença de qualidade de asfalto, de segurança, sinalização, mas em troca nos cobram taxas e mais taxas de pedágio, que no estado de São Paulo – que está nas mãos do PSDB desde que eu era um simples material genético em formação – levantaram mais de 3 bilhões de reais para as empresas privadas em dez anos de concessões. Um verdadeiro assalto ao contribuinte que já paga impostos ao Estado, que é quem deveria proporcionar tudo o que a concessionária proporciona.

Olhando mais a fundo, o que as empresas que levantaram bilhões dos bolsos do brasileiro investiram em troca? Investiram em outros meios de transporte? Não. Investiram em outras rotas alternativas? Não.

O mesmo devemos considerar para as empresas detentoras de nossos recursos naturais. Se a Petrobras tivesse virado Petrobrax – como queriam os tucanos de FHC – e tivesse sido privatizada, a empresa ganhadora da concorrência descobriria o pré-sal? Ela investiria em tecnologia 100% nacional para a extração de petróleo e refino? Você acredita que uma empresa, cujo único interesse é o capital, investiria numa milionária pesquisa de uma quase impossível exploração do pré-sal ou numa tradicional pesquisa de exploração de petróleo na África ou na Venezuela?

Quando pensamos na auto-suficiência, estudos mostram que o Brasil vai consumir até 2040 cerca de 100 bilhões de barris de petróleo. Os mesmos 100 bilhões estimados nos campos de pré-sal se 100% dos campos encontrados forem 100% exploráveis. E, ao contrário de que alguns pensam, 2040 está logo ali.

Portanto, se uma empresa estrangeira tomar conta das decisões sobre os limites de exploração, com certeza ela irá explorar ao máximo os recursos do pré-sal, e quando menos esperamos, estaremos comprando petróleo estrangeiro dessa mesma empresa que estará explorando outro país de trouxas. Além disso, se é que alguém pensa que é pouco, não será do interesse da empresa estrangeira investir em outras fontes de energia. Ou você acha que existe algum lobo bonzinho na selva capitalista preocupado com o futuro da humanidade?

Se pensarmos mais a frente, sobre o desenvolvimento sustentável do país, temos que estar cientes de que a extração de nossos recursos naturais deve ser controlada pelo Estado para que ele busque na exploração inteligente os recursos para o financiamento de avanços em outros setores da sociedade. O Estado deve regular a velocidade da exploração de maneira que encontre o equilíbrio para que a economia do país não fique dependente do petróleo e que, ao mesmo tempo, sustente e atenda a demanda interna de consumo de combustíveis fósseis, viabilizando também pesquisas em novas tecnologias e fontes renováveis de energia. Mesmo a idéia de a Petrobras tomar conta sozinha dos recursos do pré-sal é enganosa, pois como ela explicará à seus acionistas o direcionamento da produção ao mercado interno quando o mercado externo oferecer valor maior?

Os mais antigos lembram que antes no Brasil era necessário acelerar a produção de petróleo para atender o consumo interno, mas os jornalões sempre condenaram a criação e os investimentos na Petrobras. Hoje se ajoelham perante sua grandeza e influência no desenvolvimento do país. E ainda que critiquem os investimentos nas pesquisas do pré-sal, já aprenderam a lição, e não tentam mais impedir, mas sim desestabilizar uma das Estatais mais importantes do mundo.

O problema não está no controle dos recursos por parte do Estado, mas sim no controle do Estado por parte dos cidadãos. Se não sairmos “às ruas” para parar o país e frear bruscamente a corrupção, qualquer iniciativa será fracassada, mas nenhuma seria tão ignorante quanto à entrega do controle de nossas riquezas a grupos internacionais.

Partilha sim, privatização NUNCA!

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A moda do mais fácil


Há alguns meses atrás tivemos notícias de que em Ilha Solteira, Itapura e em Fernandópolis a justiça impôs um toque de recolher a menores de 18 anos depois das 23 horas. Tal decisão por si só é inconstitucional, pois impede o direito do cidadão de ir e vir, independente de sua idade.

Mas o mais preocupante não é isso. O que assusta é que atitudes como essa provam que o poder público assume a sua irresponsabilidade em duas situações: na formação dos jovens que se tornam pais/mães que não sabem educar os filhos por nunca terem tido educação de qualidade nas escolas, pois se esses pais não sabem ensinar uma conta de matemática ou uma regra da língua portuguesa, não serão capazes também de ensinar os filhos o caminho correto da vida; e no resguardo de vidas que devem ter o direito de ir e vir a qualquer lugar e devem ter o direito de serem protegidos pelo Estado quando sofrerem ou causarem risco a sua vida ou a de terceiros.

A situação de jovens viciados em crack em todas as ruas de qualquer cidade é uma questão de saúde pública, e não vemos o Estado tomar atitudes. O crack é o pior flagelo humano que tenho conhecimento, e nunca vi ações realmente eficazes no afrontamento a esta situação. Se jovens que são de famílias abastadas, mesmo passando por tratamentos longos e sérios, dificilmente se livram do vicio do crack, imagine jovens pobres e moradores de rua! Eles estão completamente abandonados e enxergam no crack, uma válvula de escape que sempre se torna um suicídio lento, doloroso, triste e deprimente. Um viciado em crack se transforma em um animal sem pudores na busca por mais uma ‘pedra’.

A situação do toque de recolher, além de comprovar a incompetência dos órgãos públicos, mostra que esses órgãos estão interessados apenas no “mais fácil”. É muito mais difícil reformar a educação do país, mas é o mais correto. É muito mais difícil combater o tráfico de drogas, mas é o mais eficiente.

É muito mais difícil se discutir a liberação do cultivo particular de qualquer tipo de droga que vai contra os interesses dos peixes grandes do tráfico nacional, que têm seus representantes no poder, do que permitir que, se o cidadão quiser plantar a droga e fizer sozinho e usar em casa, este deve ser um direito dele. Ele vai usar a própria terra, a própria casa e o próprio corpo, mas pelo menos ele não vai se ver obrigado a financiar o crime e causar males a toda uma sociedade. O uso de drogas deve ser tratado como questão de saúde pública e não de segurança pública.

Mas é muito mais fácil tapar o sol com a peneira e criar o toque de recolher, do que tratar os viciados e bater de frente com interesses de peixes grandes. O tráfico de drogas no país é o grande financiador do crime, e isso pode acabar com a revisão das leis sobre o assunto. Se o individuo tem o direito de plantar tabaco para fazer cigarro e cana-de-açúcar pra fazer pinga, ele deveria ter o direito também de plantar qualquer outra coisa, desde que não venda ou presenteie ninguém. Mas essa idéia vai contra interesses de pessoas que têm grande força, por debaixo do pano, os bastidores do poder. Seria o fim do negócio deles.

Enfim, é mais fácil fingir que toma conta do que realmente tomar conta. É mais fácil prender os jovens em casa do que educá-los corretamente através de investimentos num ensino público de qualidade. É mais fácil manter o sistema de tráfico de drogas como está do que acabar com os negócios de “parceiros”. É mais fácil liberar o álcool e o cigarro, que são grandes fontes de impostos, do que liberar o plantio e uso caseiro de qualquer outro tipo de droga que não trará um centavo aos cofres públicos. Se quer proibir, que se proíba tudo!

O álcool e o cigarro matam legalizados pelo código penal, enquanto quem é viciado em outras drogas é considerado marginal. Por que não proibir todo tipo de droga, sem exceções? Será que os homens do poder são financiados pela indústria do álcool e do tabaco? Estão ganhando dinheiro e vendo o povo se matar.

Tudo é interesse. Até o toque de recolher, pois é mais fácil prender os honestos e deixar livres os bandidos.

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