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Archive for Outubro, 2009


“Estamos em Greve!”

“Trabalhadores desorganizados em bando.
Reféns de um único soldado sem farda.
Silenciosos na fila do banco,
são tratados como gado marcados em brasa.

Sem educação, têm apenas uma missão.
Fazer girar o sistema,
que carrega a bandeira e o lema:
‘Falta de cultura e desinformação!’

‘Não sou bandido!’, dizia o rapaz.
‘Não sabe ler?’, dizia o segurança apontando para traz:
‘Estamos em Greve!’, lia-se no cartaz.

Greve em semana de pagamento?
Justo quando os idosos ansiosamente esperam tal momento?
Não deveriam parar todos juntos,
no dia em que os bancos debitam seus lucros?

Dizem que inteligência é afrodisíaco!
Mais que isso, é ferramenta de discernimento
entre as lutas justas e as greves burras,
que atrasam os boletos, e só provocam aumentos
no lucro dos bancos com suas multas!

Precisamos parar para pensar.
Se é uma greve particular, que acabará com nossos problemas?
Ou se ela é só mais uma parte do ‘esquema’,
que a gente vive a sustentar.

O Brasil precisa de uma reforma geral.
Do sistema de ensino ao eleitoral.
Só assim decretaremos independência,
quando os desejos do povo entrarem em vigência.
De uma vez por todas, desde Cabral!”

Murilo Oliveira.

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A última terça-feira foi ótima. Participei da I Conferência de Comunicação do Circuito das Águas Paulista, e lá tive várias gratas surpresas. A Conferência regional definiu as diretrizes e ações que o poder público deve ter como prioridade no setor de Comunicação na ótica do Circuito das Águas Paulista, que serão enviadas à Conferência Nacional que ocorrerá em Brasília, em 2 de dezembro de 2009. Os grupos midiáticos donos do poder no setor já estão fazendo barulho contra esse encontro que vai mexer num vespeiro de abelhas africanas. Na Conferência Nacional serão discutidos temas que, há mais de 20 anos, são motivadores de lutas sociais pela democratização dos meios de comunicação, como: concessão de TVs e da radiodifusão; crescimento da internet e das novas mídias; propriedade cruzada dos meios de comunicação; fortalecimento da imprensa e culturas regionais; e concentração de veículos na mão de um mesmo grupo.

Os trabalhos iniciaram com a palestra do Prefeito de Pedreira, Hamilton Bernardes, contando a iniciativa inovadora da inclusão digital, nomeada Infovia, que surge como idéia pioneira nas cidades da região do Circuito das Águas.

A primeira grata surpresa foi a palestra da Profª Maria José da Costa Oliveira (Metrocamp), que abordou a comunicação pública, seus conceitos e rótulos. Em sua abordagem, tratou da comunicação pública como uma via de duas mãos, onde o poder público não atende as verdadeiras necessidades da população se apenas exercer uma comunicação ativa, onde apenas fornece informação de seus atos sem receber de volta as aspirações e críticas da comunidade. Dentre vários conceitos abordados, destaco o conceito da “accountability” que deve ser mais observado pelos poderes públicos de todos os níveis. Uma empresa ou entidade pública é accountable quando tem compromisso com: a transparência; a prestação de contas com veracidade, privilegiando sempre o interesse público; e a centralização dos processos nos cidadãos (público-alvo do poder público). Além disso, o poder público deve dar atenção especial à adaptação aos instrumentos necessários de comunicação com os cidadãos e a entender a complexidade da comunicação pública. O poder público, assim como a comunidade, deve ter um olhar global sobre os problemas, mas sempre agindo localmente. Fica apenas a decepção com a organização do evento que, por incrível que pareça, não ligou o computador das apresentações ao sistema de som, o que não nos permitiu ver um material com áudio produzido pela professora. Ficamos na curiosidade.

A segunda grata surpresa foi no debate após a apresentação da Profª, onde tivemos o privilégio de ouvir algumas palavras de um exemplo vivo, o Sr. Wilson, historiador, ex-exilado político, preso e torturado pela ditadura militar (vulga ditabranda by Folha de S. Paulo). Com mais de 80 anos estava lá, fazendo o que muito jovem não é capaz: pensar; agir; debater; enfim, mudar a sociedade que vivemos. Acredito que hoje vivemos uma ditadura invisível, a ditadura da mídia, e exemplos de lutas como o desse Sr. sempre são motivadores e servem como combustível para não desistirmos de nosso ideais.

A terceira grata surpresa foi logo chegando em casa para o almoço. Recebi uma ligação da prefeitura de Monte Alegre do Sul, me convocando para a vaga a qual fui aprovado no concurso deste ano. Nesta quarta fiz a entrevista no RH e já assinei minha convocação. Agora sou funcionário público.

Voltando do almoço, presenciei a última – e na minha opinião, a melhor – grata surpresa do dia: a palestra do Prof. Hélio Sôlha (Unicamp) que abordou a mídia, seus conceitos, características particulares da mídia brasileira e a necessidade da regulamentação do setor. Foi uma palestra sensacional, e por isso vou dedicar um artigo exclusivamente falando desta palestra no blog, pois aqui faltaria espaço pra tanta informação importante. Sôlha define o ambiente mídia como a “privatização do espaço público”, onde o conceito de cidadania tem uma dupla classificação: o cidadão consumidor e o não consumidor. O capitalismo contemporâneo, dentre outros conceitos, exige o crescimento incessante do consumo e a “venda de olhares” e tudo isso acontece no espaço público, a mídia. Hoje, nada acontece se não estiver na mídia. Movimentos sociais, culturais, etc., ou seja, tudo só tem visibilidade à população se a mídia der a visibilidade necessária. A campanha política só acontece se estiver na mídia, e a discussão em praça pública tornou-se refém da mídia. Entende-se então que a vida social é regulada pelo espaço público (que antigamente eram as praças, e hoje é a mídia), e se o espaço público não tem controle, perdemos também o controle da vida social. Aqui encontramos uma das razões de termos uma sociedade tão anestesiada em relação à vida em sociedade, à cidadania propriamente dita.

Lembro ainda de uma citação feita pela Profª Maria José da Costa Oliveira de uma frase dita por Washington Olivetto, um dos mais bem sucedidos publicitários brasileiros, que uma vez confessou que a atual situação da sociedade brasileira é, em grande parte, em decorrência da desconstrução de valores provocada pela mídia e suas incansáveis campanhas publicitárias.

Para terminar, vou publicar aqui dois conceitos que destaquei na apresentação de Sôlha que acho que temos de refletir e discutir muito mais:
“ – Regular a mídia é regular o espaço público redefinido pelo ambiente mídia”; “ – Estabelecer um controle social sobre a mídia significa rediscutir o direito à liberdade de expressão pela ótica do DIREITO PÚBLICO”.

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Sabe aqueles dias em que você fica indignado com alguma coisa? Foi como fiquei ontem depois de ver uma matéria sobre a seção solene do Congresso Nacional onde, após muita pressão de suplentes de vereadores – e, é lógico, seus partidos – foi aprovado o aumento de número de vereadores em todo o país. São quase 8.000 novos vereadores com suas “turmas”. Assessores, secretárias, verbas pra isso, verba pra aquilo… E lá vai mais um poucão do nosso dinheirinho suado… O relator da PEC 336/2009 disse que não haverão crescimentos nos gastos das câmaras municipais, mas você acredita em políticos?

Vi ainda que alguns vereadores suplentes da região do ABC paulista já buscaram no judiciário uma tentativa de garantir o recebimento da diplomação imediatamente, e não só em 1º de janeiro de 2010 como se esperava. E tem mais, querem receber também os salários retroativos desde janeiro de 2009. É brincadeira? Como você aí, que pagou imposto na compra desse jornal, aceita isso tão passivamente? Por que você aí, leitor, não se junta ao indignado autor aqui, e ao padeiro ali, ao empresário, ao professor, ao funcionário da limpeza, à madame da loja, ao dono do bar, ao policial, ao amigo do futebol, às amigas da balada, para PROTESTAR?

Li no site de um jornal de Amparo que: “(…). A emenda foi promulgada pelo Congresso na quinta-feira, dia 18, entrando em vigor imediatamente. Toda a discussão foi realizada com as galerias do Plenário do Senado lotadas de suplentes de vereadores, que estavam em Brasília desde o início da semana para a votação. (…)”

Só em Amparo, serão mais 5 vereadores. Um crescimento de 50% do dia para a noite. Porque não era o POVO a estar lá fazendo barulho CONTRA esse absurdo?

Por que os visionários que inventaram Brasília – a ilha dos privilégiados – sabiam que esse povo sem educação de qualidade, sem saneamento básico, sem CULTURA para protestar com argumentação, não iria atravessar o país pra reclamar. A classe média, anestesiada pelo consumismo capitalista e pela mídia manipuladora – que enfia goela abaixo suas novelas de temática suja, consumista, que venera as celebridades da ignorância e os pseudo-artistas – está totalmente calada. Incrivelmente calada, diria. A nós, cidadão comuns, não cabe apenas sermos honestos. Precisamos também cobrar de nossos representantes a mesma honestidade que cobramos de nosso filhos, de nossos amigos, parceiros, clientes, patrões. Cabe a nós, unir-mos para parar o país até que as reformas necessárias sejam iniciadas por iniciativas populares, pois os donos do poder não irão fazê-las.

Por onde anda toda aquela classe artística influente que lutou contra a ditadura? Alguns mamam nas tetas do governo. Outros, nas tetas da mídia. Os que restam, estão sabe-se lá onde, calados também. Porém, as raras excessões existem! Como vou mostrar a seguir, num texto de autoria de Elisa Lucinda, chamado ‘Só de sacanagem’, lido pela cantora Ana Carolina na gravação de seu DVD ao vivo:
“Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Por quantas provas terá ela que passar?

Tudo isso que está aí no ar: malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu dinheiro, do NOSSO dinheiro que reservamos duramente pra educar os meninos mais pobres que nós, pra cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais.

Esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais!
Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova? Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?

É certo que tempos difíceis existem pra aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a MENTIRA DOS MAUS BRASILEIROS venha quebrar no nosso nariz. Meu coração tá no escuro! A luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e os justos que os precederam:
” – Não roubarás!”
” – Devolva o lápis do coleguinha!”
” – Esse apontador não é seu, minha filha!”

Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar. Até habeas-corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar, e sobre o qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará. Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: MAIS HONESTA AINDA EU VOU FICAR! Só de sacanagem!

Dirão:
“ – Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo o mundo rouba.”

E eu vou dizer:
”- Não importa! Será esse o meu carnaval. Vou confiar mais e outra vez! Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos. Vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau.”

Dirão:
” – É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal”.

E eu direi:
” – Não admito! Minha esperança é imortal!”

E eu repito:
” – Ouviram? IMORTAL!!! Sei que não dá pra mudar o começo mas, se a gente quiser, vai dar pra mudar o final!”

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