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Do Blog Tijolaço.com, de Brizola Neto.

Ah, quer dizer que emigar pra cá, vale?

junho 9th, 2010 às 7:27

Por indicação de um leitor, tomei conhecimento do texto publicado no JB por Mauro Santayana, que reproduzo, estarrecido, para vocês. Leiam, e eu comento a seguir:

Tendo assumido o controle da Coelba, a companhia baiana de eletricidade, durante o governo FHC, a empresa espanhola Iberdrola está oferecendo aos desempregados da província de Castellon, na Espanha, contratos para a execução do programa Luz para Todos, no interior da Bahia. É nisso que deu a “privatização”: se o ministro Lupi nisso concordar, teremos o dinheiro público usado para combater o desemprego na Espanha. Se não há eletricistas no mercado, bastam dois meses para formá-los, como sabem os técnicos do setor.
Seria um contrassenso oferecer emprego aos espanhóis, quando brasileiros são ali tratados pela polícia como facínoras, os homens; e como prostitutas, as nossas filhas, esposas, namoradas e irmãs. Um país que se respeita exige que seus cidadãos sejam respeitados. Não podemos tratar os espanhóis com a mesma violência e desprezo, mas nem por isso devemos oferecer-lhes trabalho que falta aos brasileiros.

Confesso que, embora crível porque vem de um dos mais respeitados jornalistas brasileiros, a informação parecia ser exagerada. Não é. Olhem a notícia que reproduzo ao lado do jornal Las Províncias.

Não tenho e abomino qualquer tipo de xenofobia. Venho de uma família de imigrantes, e creio que é provável que o próprio Santayana, pelo sobrenome, deva ter ascendência espanhola. Fizeram um dos grandes fluxos migratórios para cá se integraram perfeitamente à vida brasileira. Mas não estamos falando de pessoas que juntam seus coisas e vêm para cá espontaneamente. Estamos diante de um processo empresarial, onde há um recrutamento deliberado de mão de obra, que envolverá passagens, acomodação e que, pior, é um programa de emprego rotativo, onde não virão as famílias, mas apenas os trabalhadores para “temporadas” aqui.

São eletricistas de média e alta tensão, setores onde dizem que não há mão de obra qualificada aqui. Então, porque não importam instrutores, capazes de, em pouco tempo, formarem levas enormes de trabalhadores qualificados. Sairia mais barato que deslocá-los às centenas, não é? Não fazem porque, como o próprio jornal espanhol diz, a “destruição do emprego” por lá ronda a casa de 20%.

Atenção, como diz o Santayana, Ministro Carlos Lupi. Estão querendo fazer o programa “Luz para todos, pero empleo para nosotros”.

Aproveitando o assunto, é bom lembrar que a tal Iberdrola, empresa espanhola integrante do consórcio Guaraniana que arrematou a Coelba, era representada pelo, veja só, o marido de uma prima de José Serra,  Gregório Marín Preciado (o “Espanhol”), durante o período de privatização da companhia de energia baiana, e outras. Abaixo segue trecho do livro “Os porões da privataria” de Amaury Ribeiro Jr., que você pode ler na íntegra aqui, que trata das ligações da alta cúpula tucana com o setor privado durante o período em que o Brasil foi vendido a preço de banana para o “mercado”:

Ribeiro Jr. vai detalhar, por exemplo, as ligações perigosas de José Serra com seu clã. A começar por seu primo Gregório Marín Preciado, casado com a prima do ex-governador Vicência Talan Marín. Além de primos, os dois foram sócios. O “Espanhol”, como (Marin) é conhecido, precisa explicar onde obteve US$ 3,2 milhões para depositar em contas de uma empresa vinculada a Ricardo Sérgio de Oliveira, homem-forte do Banco do Brasil durante as privatizações dos anos 1990. E continuará relatando como funcionam as empresas offshores semeadas em paraísos fiscais do Caribe pela filha – e sócia — do ex-governador, Verônica Serra e por seu genro, Alexandre Bourgeois. Como os dois tiram vantagem das suas operações, como seu dinheiro ingressa no Brasil …

(…) 

A trajetória do empresário Gregório Marin Preciado, ex-sócio, doador de campanha e primo do candidato do PSDB à Presidência da República mescla uma atuação no Brasil e no exterior. Ex-integrante do conselho de administração do Banco do Estado de São Paulo (Banespa), então o banco público paulista – nomeado quando Serra era secretário de planejamento do governo estadual, Preciado obteve uma redução de sua dívida no Banco do Brasil de R$ 448 milhões (1) para irrisórios R$ 4,1 milhões. Na época, Ricardo Sérgio de Oliveira era diretor da área internacional do BB e o todo-poderoso articulador das privatizações sob FHC.

Ricardo Sérgio também ajudaria o primo de Serra, representante da Iberdrola, da Espanha, a montar o consórcio Guaraniana. Sob influência do ex-tesoureiro de Serra e de FHC, mesmo sendo Preciado devedor milionário e relapso do BB, o banco também se juntaria ao Guaraniana para disputar e ganhar o leilão de três estatais do setor elétrico (Coelba, da Bahia, a Cosern, do Rio Grande do Norte, e a Celpe, de Pernambuco).

Brasil, um país de todos, espanhóis, americanos, ingleses, portugueses… desde que forneçam algum pro bolso dos poderosos, é claro…

Do site: www.at.com.br

Vereador critica atração do Festival


Foto: Divulgação

O vereador Carlos Alberto Martins (PSDC) criticou a contratação pela Prefeitura de Amparo do cantor Lenine para se apresentar no 10.º Festival de Inverno de Amparo que terá início em julho. A critica do vereador foi feita na sessão realizada na terça-feira, dia 25 de maio. Segundo o vereador, o cantor seria um desconhecido. Na tribuna da Câmara Municipal, Carlos Alberto fundamentou pelo fato de nunca ter recebido em seu programa de Rádio pedido para tocar músicas do cantor Lenine. A Prefeitura de Amparo vai pagar pelo show do artista R$ 61.906,00. Carlos Alberto afirmou que a Prefeitura de Amparo, com a contratação, “jogou dinheiro no ralo e deu a descarga”. O vereador sugeriu a contratação de cantores mais populares e sugeriu as duplas: Rio Negro & Solimões e Bruno & Marone. O vereador Celso Manzoli (PMDB) também criticou a contratação do cantor e disse que o dinheiro gasto poderia ser pago a cantores de Amparo.  Lenine canta “Aquilo que Dá no Coração”, música de abertura da novela Passione, levada ao ar pela Rede Globo no horário das 21 horas.  

Quem é Lenine?  

Osvaldo Lenine Macedo Pimentel, conhecido apenas como Lenine, nasceu em Recife, no dia 2 de fevereiro de 1959) é um cantor, compositor, arranjador e músico brasileiro. Na internet, o site da Wikpedia fala o seguinte sobre o biografia do cantor: “Filho de um velho comunista e de uma católica praticante, criou-se porém uma espécie de détente na família. Até os 8 anos, os filhos eram obrigados a ir à missa com a mãe. Depois disso, ficavam por conta do pai: Marx era leitura obrigatória. Aos domingos, ouvia-se música de todo tipo – canções napolitanas, música alemã, música folclórica russa, Glenn Miller, Tchaikovsky, Chopin, Gil Evans, e mais tarde, Hermeto Pascoal e os tropicalistas. Foi para o Rio de Janeiro no final dos anos 1970, pois naquela época havia pouco espaço ou recursos para música em Recife. Morou com alguns amigos, compositores. Dividiram por algum tempo um apartamento na Urca, depois uma casinha numa vila em Botafogo, famosa por ter sido moradia de Macalé e Sônia Braga. Depois foram para Santa Teresa. Lenine teve seu som gravado por Elba Ramalho, sendo ela a primeira cantora de sucesso nacional a gravar uma música sua. Depois vieram Fernanda Abreu, O Rappa, Milton Nascimento, Maria Rita, Maria Bethânia e muitos outros. Produziu “Segundo” de Maria Rita, “De uns tempos pra cá” de Chico César, “Lonji” de Tcheka, cantor e compositor do Cabo Verde, e “Ponto Enredo” de Pedro Luis e a Parede. Trabalhou em televisão com os diretores Guel Arraes e Jorge Furtado. Para eles, fez a direção musical de “Caramuru, a Invenção do Brasil” que, depois de minissérie, virou um longa-metragem. Participou também da direção do musical de “Cambaio”, musical de João Falcão e Adriana Falcão, baseado em canções de Chico Buarque e Edu Lobo. Em 2005, Lenine ganhou dois prêmios Grammy Latino: um pelo melhor disco de música brasileira contemporânea e outro pela melhor canção brasileira”. 

Já vai tarde…

Há alguns dias assisti entrevista do Supremo Presidente do Supremo, Gilmar Mendes, produzida pelo STF e veiculada em parceria com o youtube. Uma excelente forma de “conversa” com a população que enviou e votou nas perguntas que seriam feitas a ele sem nenhuma interferência do youtube ou do STF, mas que se transformou numa verdadeira arapuca pro coronel. Como alguns políticos que usam o twitter pra falar, em vez de fazer, Gilmar Mendes achou que estaria tudo sob controle naquilo que seria um marco no modelo de comunicação da mais alta corte brasileira, mas ele não imaginou que, sem o filtro da censura imposta pelo poder econômico que seleciona o que e como serão discutidos os assuntos no monopólio midiático nacional, o povo, as pessoas comuns, o colocou na parede, deixando-o em posição acuada como nenhum meio de comunicação conseguiu deixá-lo durante seu reinado. É, o povo sabe o que faz. O povo sabe pensar, apesar da tentativa de imposição de idéias e opiniões emplacada pelo quarteto Globo/Veja/Folha/Estadão. Segue artigo de Leandro Fortes, do blog Brasília, eu vi, e o vídeo da entrevista, é claro.  

Divirtam-se:    

Saída pela direita.

 

“No fim das contas, a função primordial do ministro Gilmar Mendes à frente do Supremo Tribunal Federal foi a de produzir noticiário e manchetes para a falange conservadora que tomou conta de grande parte dos veículos de comunicação do Brasil. De forma premeditada e com muita astúcia, Mendes conseguiu fazer com que a velha mídia nacional gravitasse em torno dele, apenas com a promessa de intervir, como de fato interveio, nas ações de governo que ameaçavam a rotina, o conforto e as atividades empresariais da nossa elite colonial. Nesse aspecto, os dois habeas corpus concedidos ao banqueiro Daniel Dantas, flagrado no mesmo crime que manteve o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda no cárcere por 60 dias, foram nada mais que um cartão de visitas. Mais relevante do que tudo foi a capacidade de Gilmar Mendes fixar na pauta e nos editoriais da velha mídia a tese quase infantil da existência de um Estado policialesco levado a cabo pela Polícia Federal e, com isso, justificar, dali para frente, a mais temerária das gestões da Suprema Corte do País desde sua criação, há mais cem anos.  

Num prazo de pouco menos de dois anos, Mendes politizou as ações do Judiciário pelo viés da extrema direita, coisa que não se viu nem durante a ditadura militar (1964-1985), época em que a Justiça andava de joelhos, mas dela não se exigia protagonismo algum. Assim, alinhou-se o ministro tanto aos interesses dos latifundiários, aos quais defende sem pudor algum, como aos dos torturadores do regime dos generais, ao se posicionar publicamente contra a revisão da Lei da Anistia, de cuja à apreciação no STF ele se esquivou, herança deixada a céu aberto para o novo presidente do tribunal, ministro Cezar Peluso. Para Mendes, tal revisão poderá levar o País a uma convulsão social. É uma tese tão sólida como o conto da escuta telefônica, fábula jornalística que teve o presidente do STF como personagem principal a dialogar canduras com o senador Demóstenes Torres, do DEM de Goiás.  

A farsa do grampo, publicada pela revista Veja e repercutida, em série, por veículos co-irmãos, serviu para derrubar o delegado Paulo Lacerda do comando da PF, com o auxílio luxuoso do ministro da Defesa, Nelson Jobim, que se valeu de uma mentira para tal. E essa, não se enganem, foi a verdadeira missão a ser cumprida. Na aposentadoria, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá tempo para refletir e registrar essa história amarga em suas memórias: o dia em que, chamado “às falas” por Gilmar Mendes, não só se submeteu como aceitou mandar para o degredo, em Portugal, o melhor e mais importante diretor geral que a Polícia Federal brasileira já teve. O fez para fugir de um enfrentamento necessário e, por isso mesmo, aceitou ser derrotado. Aliás, creio, a única verdadeira derrota do governo Lula foi exatamente a de abrir mão da política de combate permanente à corrupção desencadeada por Lacerda na PF para satisfazer os interesses de grupos vinculados às vontades de Gilmar Mendes.  

O presidente do STF deu centenas de entrevistas sobre os mais diversos assuntos, sobretudo aqueles sobre os quais não poderia, como juiz, jamais se pronunciar fora dos autos. Essa é, inclusive, a mais grave distorção do sistema de escolha dos nomes ao STF, a de colocar não-juízes, como Mendes, na Suprema Corte, para julgar as grandes questões constitucionais da nação. Alheio ao cargo que ocupava (ou ciente até demais), o ministro versou sobre tudo e sobre todos. Deu força e fé pública a teses as mais conservadoras. Foi um arauto dos fazendeiros, dos banqueiros, da guarda pretoriana da ditadura militar e da velha mídia. Em troca, colheu farto material favorável a ele no noticiário, um relicário de elogios e textos laudatórios sobre sua luta contra o Estado policial, os juízes de primeira instância, o Ministério Público e os movimentos sociais, entre outros moinhos de vento vendidos nos jornais como inimigos da democracia.  

Na imprensa nacional, apenas CartaCapital, por meio de duas reportagens (“O empresário Gilmar” e Nos rincões de Mendes”), teve coragem de se contrapor ao culto à personalidade de Mendes instalado nas redações brasileiras como regra de jornalismo. Por essa razão, somos, eu e a revista, processados pelo ministro. Acusa-nos, o magistrado, de má fé ao divulgar os dados contábeis do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), uma academia de cursinhos jurídicos da qual Mendes é sócio. Trata-se de instituição construída com dinheiro do Banco do Brasil, sobre terreno público praticamente doado pelo ex-governador do DF Joaquim Roriz e mantido às custas de contratos milionários fechados, sem licitação, com órgãos da União.  

Assim, a figura de Gilmar Mendes, além de tudo, está inserida eternamente em um dos piores momentos do jornalismo brasileiro. E não apenas por ter sido o algoz do fim da obrigatoriedade do diploma para se exercer a profissão, mas, antes de tudo, por ter dado enorme visibilidade a maus jornalistas e, pior ainda, fazer deles, em algum momento, um exemplo servil de comportamento a ser seguido como condição primordial de crescimento na carreira. Foi dessa simbiose fatal que nasceu não apenas a farsa do grampo, mas toda a estrutura de comunicação e de relação com a imprensa do STF, no sombrio período da Idade Mendes.  

Emblemática sobre essa relação foi uma nota do informe digital “Jornalistas & Companhia”, de abril de 2009, sobre o aniversário do publicitário Renato Parente, assessor de imprensa de Gilmar Mendes no STF (os grifos são originais):   

“A festa de aniversário de 45 anos de Renato Parente, chefe do Serviço de Imprensa do STF (e que teve um papel importante na construção da TV Justiça, apontada como paradigma na área da tevê pública), realizada na tarde do último domingo (19/4), em Brasília, mostrou a importância que o Judiciário tem hoje no cenário nacional. Estiveram presentes, entre outros, a diretora da Globo, Sílvia Faria, a colunista Mônica Bergamo, e o próprio presidente do STF, Gilmar Mendes, entre outros.”  

Olha, quando festa de aniversário de assessor de imprensa serve para mostrar a importância do Poder Judiciário, é sinal de que há algo muito errado com a instituição. Essa relação de Renato Parente com celebridades da mídia é, em todos os sentidos, o pior sintoma da doença incestuosa que obriga jornalistas de boa e má reputação a se misturarem, em Brasília, em cerimônias de beija-mão de caráter duvidoso. Foi, como se sabe, um convescote de sintonia editorial. Renato Parente é o chefe da assessoria que, em março de 2009, em nome de Gilmar Mendes, chamou o presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), às falas, para que um debate da TV Câmara fosse retirado do ar e da internet. Motivo: eu critiquei o posicionamento do presidente do STF sobre a Operação Satiagraha e fiz justiça ao trabalho do delegado federal Protógenes Queiroz, além de citar a coragem do juiz Fausto De Sanctis ao mandar prender, por duas vezes, o banqueiro Daniel Dantas.      

Certamente em consonância com o “paradigma na área de tevê pública” da TV Justiça tocada por Renato Parente, a censura na Câmara foi feita com a conivência de um jornalista, Beto Seabra, diretor da TV Câmara, que ainda foi mais além: anunciou que as pautas do programa “Comitê de Imprensa”, a partir dali, seriam monitoradas. Um vexame total. Denunciei em carta aberta aos jornalistas e em todas as instâncias corporativas (sindicatos, Fenaj e ABI) o ato de censura e, com a ajuda de diversos blogs, consegui expor aquela infâmia, até que, cobrada publicamente, a TV Câmara foi obrigada a capitular e recolocar o programa no ar, ao menos na internet. Foi uma das grandes vitórias da blogosfera, até então, haja vista nem um único jornal, rádio ou emissora de tevê, mesmo diante de um gravíssimo caso de censura e restrição de liberdade de expressão e imprensa, ter tido coragem de tratar do assunto. No particular, no entanto, recebi centenas de e-mails e telefonemas de solidariedade de jornalistas de todo o país.      

Não deixa de ser irônico que, às vésperas de deixar a presidência do STF, Gilmar Mendes tenha sido obrigado, na certa, inadvertidamente, a se submeter ao constrangimento de ver sua gestão resumida ao caso Daniel Dantas, durante entrevista no youtube. Como foi administrada pelo Google, e não pelo paradigma da TV Justiça, a sabatina acabou por destruir o resto de estratégia ainda imaginada por Mendes para tentar passar à história como o salvador da pátria ameaçada pelo Estado policial da PF. Ninguém sequer tocou nesse assunto, diga-se de passagem. As pessoas só queriam saber dos HCs a Daniel Dantas, do descrédito do Judiciário e da atuação dele e da família na política de Diamantino, terra natal dos Mendes, em Mato Grosso. Como último recurso, a assessoria do ministro ainda tentou tirar o vídeo de circulação, ao menos no site do STF, dentro do sofisticado e democrático paradigma de tevê pública bolado por Renato Parente.      

Como derradeiro esforço, nos últimos dias de reinado, Mendes dedicou-se a dar entrevistas para tentar, ainda como estratégia, vincular o próprio nome aos bons resultados obtidos por ações do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), embora o mérito sequer tenha sido dele, mas de um juiz de carreira, Gilson Dipp. Ministro do Superior Tribunal de Justiça e corregedor do órgão, Dipp foi nomeado para o cargo pelo presidente Lula, longe da vontade de Gilmar Mendes. Graças ao ministro do STJ, foi feita a maior e mais importante devassa nos tribunais de Justiça do Brasil, até então antros estaduais intocáveis comandados, em muitos casos, por verdadeiras quadrilhas de toga.      

É de Gilson Dipp, portanto, e não de Gilmar Mendes, o verdadeiro registro moralizador do Judiciário desse período, a Idade Mendes, de resto, de triste memória nacional.      

Mas que, felizmente, se encerra hoje.”      

Não canso de surpreender-me com o poder de manipulação da mídia em geral. Já não deveria mais, mas ainda me surpreendo. Sempre quando cito a manipulação midiática faço questão de dizer que a mais bem sucedida manipulação é a não-informação. A imposição da dúvida como conceito.

Há muito venho tentando entender, acompanhando a mídia tradicional, o fenômeno Yoani Sánchez, a blogueira “dissidente” cubana. Impossível chegar a conclusões seguras, pelo menos para alguém que conhece o “modus operandi” do cartel midiático internacional. Pouca informação relevante, pouco questionamento, mínima confirmação da veracidade das informações (diria até que é inexistente) e uso do assunto não como explanação do tema e sim como pilar de sustentação para conceitos anteriormente defendidos por tais meios. Conceitos estes que, do meu ponto de vista, são ultrapassados e anti-democráticos.

Descontente, comecei a passear por blogs e agências de notícias de todo tipo. Encontrei um artigo que saía do senso comum, e ao ler que o texto é de Frei Betto, levei ainda mais em consideração os argumentos apresentados. Vocês podem conferir com os próprios olhos clicando no link.

Mas o que venho postar aqui não é sobre o artigo lucidamente elaborado por este senhor, e sim uma entrevista da própria Yoani Sánchez cujo link encontrei em um dos comentários em um dos tantos blogs que publicaram o texto. Dizia: “Senhores, hoje postei uma entrevista brilhante com Yoani Sánchez. O jornalista, francês, um especialista sobre Cuba conseguiu investigar as contradições dessa senhora. Abaixo segue o Link – http://fpacheco5.blogspot.com/2010/04/conversaciones-con-la-bloguera-cubana.html“.

E olha a pérola que encontro: um entrevista de qualidade inquestionável, com argumentação séria e elucidativa, nos trazendo contrapontos que o cartel midiático internacional tenta, de toda e qualquer maneira, nos esconder. Foi uma verdadeira aula de jornalismo investigativo, questionador e que nos prova que jornalismo sério, é sim, possível.

A entrevista é de Salim Lamrani, “profesor encargado de cursos en la Universidad Paris-Sorbonne -Paris IV y en la Universidad Paris-Est Marne-la-Vallée y periodista francés, especialista de las relaciones entre Cuba y Estados Unidos. Acaba de publicar Cuba: Ce que les médias ne vous diront jamais (Paris: Editions Estrella, 2009)”.

Não gostaria de emitir minha opinião antes que leia a entrevista, mas vou destacar pontos que achei fundamentais até para uma leitura superficial:

As contradições eu deixo para que cada um analise e tire suas conclusões, mas o que não pode passar despercebido são alguns dados que nos escondem a cada dia. Na entrevista podemos ter acesso a informações que nos mostram que os E.U.A. aprovaram uma lei que concede cidadania a todos os cubanos que emigram para a América, um caso único no mundo que se torna mais absurdo quando se é constatado que o país alvo da lei sofre sanções econômicas que dificultam a vida dos mais pobres, e além disso, financiam pessoas que desejam receber dinheiro em troca de uma suposta oposição ao regime. Em Cuba existe uma lei que trata essas pessoas como criminosos, ou seja, não são presos políticos e sim presos comuns julgados pelas leis vigentes daquele país, e isso ninguém pode contestar, pois como em qualquer país democrático, como exemplo a França, é crime grave receber dinheiro de uma potência estrangeira para fazer oposição ao governo. Isso caracteriza uma ingerência por parte da potência econômica financiadora, e é tratado com severas punições em variados países ao redor do mundo. Acuada Yoani cita quando Cuba também interferiu em governos de nações africanas, desconsiderando que tais ingerências foram para livrar países africanos do colonialismo explorador português e da segregação racial, que provocou inclusive um grande agradecimento de Nelson Mandela que reservou sua primeira viagem internacional a Cuba como reconhecimento à ajuda.
 
 Quanto a questão dos avanços sociais, Yoani diz que tais avanços tiveram altos custos a população cubana. Vamos aos “custos”:
 
– Cuba é o país que tem maior número de professores por habitante no mundo, com classes de 20 alunos no máximo, o que não é o caso da França, por exemplo.

Em relação a educação, a taxa de analfabetismo na América Latina é de cerca de 11,7% e de cerca de 0,2% em Cuba. A taxa de escolaridade no primário é de 92% na América Latina e de 100% em Cuba e para o secundário, cerca de 52% e de 99,7% em Cuba. São índices do Departamento de Educação da UNESCO.

– Segundo o Banco Mundial, Cuba está internacionalmente reconhecida por seus êxitos no campo da educação e  da saúde, com um serviço social que supera o da maior parte dos países em desenvolvimento e em certos setores comparável a de países desenvolvidos. Desde a Revolução cubana em 1959 e o estabelecimento de um governo comunista com partido único, o país criou um sistema de serviços sociais que garantisse o aceso universal a educação e a saúde, proporcionado pelo Estado. Este modelo permitiu a Cuba alcançar uma alfabetização universal, erradicar certas doenças, permitir aceso geral a água potável e ao saneamento básico, uma das taxas de mortalidade infantil mais baixas da região e uma das mais longas expectativas de vida. Uma revisão dos indicadores sociais de Cuba revela uma melhora quase contínua desde 1960 até 1980. Vários indícios importantes, como a expectativa de vida e a taxa de mortalidade infantil, seguiram melhorando durante a crise econômica do país nos anos 90… Na atualidade a política social de Cuba é uma das melhores do mundo dentre os em desenvolvimento, como documentam numerosas fontes internacionais incluídas a Organização Mundial de Saúde, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e outras agências da ONU, e do Banco Mundial. Segundo os indicadores de desenvolvimento no mundo em 2002, Cuba supera amplamente a América Latina e Caribe e a outros países com ingresso em um dos mais importantes índices de educação, saúde e de saneamento básico. Em 1959, a taxa de mortalidade infantil era de 60 por mil. Em 2009 era de 4,8. Se trata da taxa mais baixa do continente americano do Terceiro Mundo; inclusive mais baixa que a dos Estados Unidos.
 
– A expectativa de vida era de 58 anos antes da Revolução. Agora é de quase 80 anos e é similar a de muitos países desenvolvidos. Cuba tem agora 67.000 médicos frente aos 6.000 de 1959. Segundo o diário inglês The Guardian, Cuba tem duas vezes mais médicos que a Inglaterra para uma população quatro vezes inferior.
 
– A censura da imprensa também existia antes da Revolução. Entre dezembro de 1956 e janeiro de 1959, durante a guerra contra o regime de Batista, a censura se impôs 630 dias sobre 759. E aos opositores se reservava uma triste sorte.

– Nos anos 50 Cuba ocupava o segundo posto entre os países americanos em números de emigração para os Estados Unidos, logo atrás do México. Cuba mandava mais emigrantes aos Estados Unidos que toda Centroamérica e toda América do Sul juntas, ao contrário de atualmente em que Cuba só ocupa o décimo posto apesar da lei de Ajuste Cubano e das sanções econômicas.

– Atualmente, repito, Cuba só ocupa o décimo posto no continente americano em números de emigração aos Estados Unidos. Então a obsessão de migrar-se que dizem é mais forte em nove países do continente, pelo menos.

Apenas vou destacar mais um ponto que fala da falta de liberdade de expressão e espaço na imprensa para pessoas comuns, o que (coincidência?) também não temos aqui pois a censura é imposta, não por um governo, mas pelo poder econômico. Segue:

 SL: Perdone, ¿el hecho de que yo la entreviste puede llevarla a la cárcel?

YS: ¡Por supuesto!

SL: No tengo la impresión de que eso la preocupe mucho ya que me está concediendo una entrevista en plena tarde, en el vestíbulo de un hotel del centro de La Habana Vieja.

YS: No estoy preocupada. Esta ley estipula que toda persona que denuncia las violaciones de los derechos humanos en Cuba colabora con las sanciones económicas, pues Washington justifica la imposición de las sanciones contra Cuba a causa de la violación de los derechos humanos.

SL: Si no me equivoco, la ley 88 se aprobó en 1996 para responder a la ley Helms-Burton y sanciona sobre todo a las personas que colaboren con la aplicación de esta legislación en Cuba, por ejemplo proporcionando información a Washington sobre los inversionistas extranjeros en Cuba para que éstos sean perseguidos ante los tribunales estadounidenses. Que yo sepa, nadie ha sido condenado por eso, hasta ahora. Hablemos de libertad de expresión. Usted tiene cierta libertad de tono en su blog. Está siendo entrevistada en plena tarde en un hotel. ¿No ve una contradicción entre el hecho de afirmar que no hay ninguna libertad de expresión en Cuba y la realidad de sus escritos y sus actividades que demuestran lo contrario?

YS: Sí, pero no se puede consultar desde Cuba porque está bloqueado.

SL: Le puedo asegurar que lo consulté esta mañana antes de la entrevista, desde este hotel.

YS: Es posible, pero la mayor parte del tiempo está bloqueado. De todas formas, hoy día, no puedo tener el menor espacio en la prensa cubana, mientras que soy una persona moderada, ni en la radio, ni en la televisión

SL: Pero puede publicar lo que le de la gana en su blog.

YS: Pero no puedo publicar una sola palabra en la prensa cubana.

SL: En Francia, que es una democracia, amplios sectores de la población no tienen ningún espacio en los medias ya que la mayoría pertenecen a grupos económicos y financieros privados.

YS: Sí, pero es diferente.

Diferente como cara pálida?

Se gostou da abordagem, se quer agregar mais conhecimento ao seu intelecto e se deseja tornar o seu conhecimento mais plural, delicie-se com este show completo de jornalismo sério:

Conversaciones con la bloguera cubana Yoani Sánchez (I y II)
Por Salim Lamrani

Yoani Sánchez es la nueva figura de la oposición cubana.

Desde la creación de su blog «Generación Y» en 2007, ha obtenido innumerables premios internacionales: El premio de Periodismo Ortega y Gasset (2008), el premio Bitacoras.com (2008), el premio The Bob’s (2008), el premio Maria Moors Cabot (2008) de la prestigiosa universidad estadounidense de Columbia.

Del mismo modo, la bloguera fue seleccionada entre las 100 personalidades más influyentes del mundo por la revista Time (2008), en compañía de George W. Bush, Hu Jintao y el Dalai Lama. Su blog fue incluido en la lista de los 25 mejores blogs del mundo del canal CNN y la revista Time (2008). El 30 de noviembre de 2008 el diario español El País la incluyó en la lista de las 100 personalidades hispanoamericanas más influyentes del año (lista en la cual no aparecían ni Fidel Castro ni Raúl Castro). La revista Foreign Policy por su parte la incluyó entre los 10 intelectuales más importantes del año y la revista mexicana Gato Pardo hizo lo mismo para el año 2008.

Esta impresionante avalancha de distinciones así como su carácter simultáneo han suscitado numerosas interrogantes, tanto más cuanto que Yoani Sánchez, según sus propias confesiones, es una total desconocida en su propio país. ¿Cómo una persona desconocida por sus vecinos –según la propia bloguera– puede formar parte de la lista de las 100 personalidades más influyentes del año?

Un diplomático occidental, cercano a esta atípica opositora al gobierno de La Habana, había leído una serie de artículos que escribí sobre Yoani Sánchez y que eran relativamente críticos. Se los enseñó a la bloguera cubana y ésta quiso reunirse conmigo para esclarecer algunos puntos que había abordado.

El encuentro con la joven disidente de fama controvertida no tuvo lugar en algún oscuro apartamento con ventanas cerradas o en un lugar aislado y recluso para escapar a los oídos indiscretos de la «policía política». Al contrario, se desarrolló en el vestíbulo del Hotel Plaza, en el centro de la Habana Vieja , en una tarde inundada de sol. El lugar estaba muy concurrido, con numerosos turistas extranjeros que deambulaban por el inmenso salón del majestuoso edificio que abrió sus puertas a principios del siglo XX.

Yoani Sánchez está cercana a las embajadas occidentales. En efecto, una simple llamada de mi contacto al mediodía permitió fijar la cita para tres horas después. A las 15 horas, la bloguera apareció sonriente, vestida con una falda larga y una camiseta azul. Llevaba también una chaqueta deportiva para hacer frente a la relativa frescura del invierno habanero.

La conversación duró cerca de dos horas alrededor de una mesa del bar del hotel con la presencia de su marido, Reinaldo Escobar, quien la acompaño durante unos veinte minutos antes de abandonar el lugar para acudir a otra cita. Yoani Sánchez se mostró sumamente cordial y afable y dio prueba de una gran tranquilidad. El tono de voz era seguro y en ningún momento se mostró incómoda. Acostumbrada a los medios occidentales, domina relativamente bien el arte de la comunicación.

Esta bloguera, personaje de apariencia frágil, inteligente y sagaz, es consciente de que, aunque le cueste reconocerlo, su mediatización en Occidente no es una casualidad, sino que se debe al hecho de que preconiza la instauración de un «capitalismo sui generis» en Cuba.

El incidente del 6 de noviembre de 2009

Salim Lamrani: Empecemos por el incidente que ocurrió el 6 de noviembre de 2009 en La Habana. En su blog, usted explicó que fue arrestada con tres de sus amigos por «tres fornidos desconocidos» durante una «tarde cargada de golpes, gritos e insultos». Usted denunció las violencias que las fuerzas del orden cubanas cometieron contra usted. ¿Confirma su versión de los hechos?

Yoani Sánchez: Efectivamente, confirmo que sufrí violencia. Me secuestraron 25 minutos. Recibí golpes. Logré quitarle un papel que uno de ellos tenía en el bolsillo y lo puse en mi boca. Uno puso su rodilla sobre mi pecho y el otro, desde el asiento delantero me daba en la zona de los riñones y me golpeaba la cabeza para que abriera la boca y soltara el papel. En un momento, sentí que no saldría nunca de aquel auto.

SL: El relato, en su blog, es verdaderamente terrorífico. Cito textualmente: usted habló de «golpes y empujones», de «golpes en los nudillos», de «andanada de golpes», de la «rodilla sobre [su] pecho», de los golpes en «los riñones y […] la cabeza», «el cabello halado», de su «rostro enrojecido por la presión y el cuerpo adolorido», de «los golpes [que] seguían cayendo» y «todos estos morados». Sin embargo, cuando recibió la prensa internacional el 9 de noviembre todas las marcas habían desaparecido. ¿Cómo explica eso?

YS: Son profesionales de la golpiza.

SL: De acuerdo, pero ¿por qué no sacó fotos de las marcas?

YS: Tengo las fotos. Tengo pruebas fotográficas

SL: ¿Tiene pruebas fotográficas?

YS: Tengo las pruebas fotográficas.

SL: Pero, ¿por qué no las ha publicado para desmentir todos los rumores según los cuales usted habría inventado una agresión para que la prensa hablara de su caso?

YS: Prefiero guardarlas por el momento y no publicarlas. Quiero presentarlas ante un tribunal un día para que esos tres hombres sean juzgados. Me acuerdo perfectamente de sus rostros y tengo fotos de dos de ellos por lo menos. En cuanto al tercero, queda por identificar pero dado que se trataba del jefe, será fácil de ubicar. Tengo también el papel que le quité a uno de ellos y que tiene mi saliva pues lo puse en mi boca. En ese papel estaba escrito el nombre de una mujer.

SL: De acuerdo. Usted publica muchas fotos en su blog. Nos resulta difícil entender por qué prefiere no mostrar las marcas esta vez.

YS: Como ya le dije, prefiero reservarlas a la justicia.

SL: Usted entiende que con esta actitud está dando crédito a los que piensan que inventó esa agresión.

YS: Es mi elección.

SL: Sin embargo, incluso los medios occidentales que le son más bien favorables tomaron precauciones oratorias poco habituales para contar su relato. El corresponsal de la BBC en La Habana Fernando Ravsberg escribe, por ejemplo, que usted «no tiene hematomas, marcas o cicatrices». La agencia France Presse relata la historia clarificando con mucho cuidado que se trata de su versión con el título «Cuba: la bloguera Yoani Sánchez dice haber sido golpeada y detenida brevemente». El periodista afirma por otra parte que usted «no resultó herida».

YS: Yo no quisiera evaluar el trabajo de ellos. No soy quien debe juzgarlo. Son profesionales que pasan por situaciones muy complicadas que no puedo evaluar. Lo cierto es que la existencia o no de marcas físicas no es la evidencia del hecho.

SL: Pero la presencia de marcas demostraría que se ejercieron violencias. De ahí la importancia de publicar las fotos.

YS: Usted debe entender que son profesionales de la intimidación. El hecho de que tres desconocidos me condujeran a un auto sin presentarme ningún documento me da el derecho de quejarme como si me hubieran fracturado todos los huesos del cuerpo. Las fotos no son importantes porque la ilegalidad está cometida. La precisión de «si me dolió aquí o si me dolió allá» es mi dolor interior.

SL: Sí, pero el problema es que usted presentó eso como una agresión muy violenta. Usted habló de «secuestro al peor estilo de la camorra siciliana».

YS: Sí, es verdad, pero sé que es mi palabra contra la de ellos. El hecho de entrar en ese tipo de detalles, de saber si tengo marcas o no, nos aleja del tema real que es que me secuestraron durante 25 minutos de manera ilegal.

SL: Perdone la insistencia pero pienso que es importante. Hay una diferencia entre un control de identidad que dura 25 minutos y violencias policiales. Mi pregunta es sencilla. Usted dijo, cito: «Durante todo el fin de semana tuve inflamados el pómulo y la ceja». Dado que tiene las fotos, puede ahora enseñar las marcas.

YS: Ya le dije que prefiero reservarlas para el tribunal.

SL: Usted entiende que a alguna gente le costará creer su versión si no publica las fotos.

YS: Pienso que al entrar en ese tipo de detalles se pierde la esencia. La esencia es que tres bloggers acompañados por una amiga iban a un punto de la ciudad que era Calle 23 esquina G. Habíamos oído hablar que un grupo de jóvenes habían convocado una marcha contra la violencia. Gente alternativa, cantantes de hip hop, de rap, artistas. Iba allí como bloguera para hacer fotos y publicarlas en mi blog y hacer entrevistas. En el camino fuimos interceptados por un auto Geely

SL: ¿Para que no participaran en el evento?

YS: Las razones eran evidentemente ésas. Ellos nunca me lo dijeron formalmente pero era el objetivo. Me dijeron que me montara en el auto. Les pregunté quiénes eran. Uno de ellos me tomó por la muñeca y empecé a ir para atrás. Eso ocurrió en una zona de La Habana bastante céntrica, en una parada de ómnibus.

SL: Entonces había gente. Había testigos.

YS: Hay testigos pero no quieren hablar. Tienen miedo.

SL: ¿Ni siquiera de manera anónima? ¿Por qué la prensa occidental no los ha entrevistado de manera anónima como hace a menudo cuando publica reportajes críticos sobre Cuba?

YS: No puedo explicarle la reacción de la prensa. Yo le puedo contar lo que pasó. Uno de ellos, un hombre de unos cincuenta años, con una figura complexa como si hubiera practicado alguna vez en su vida lucha libre –le digo eso porque mi padre practicó ese deporte y tiene las mismas características-. Yo tengo las muñecas muy finas y logré zafarme y le pedí quién era. Había tres hombres además del chofer.

SL: Entonces había cuatro hombres en total y no tres.

YS: Sí, pero no le vi la cara al chofer. Me dijeron: «Yoani, móntate en el carro, tú sabes quiénes somos nosotros». Les respondí: «Yo no sé quiénes son ustedes». El más bajo me dijo: «Escúchame, tú sabes quien soy yo, tú me conoces». Contesté: «No, no sé quién tú eres. No te conozco. ¿Quién eres tú? Enséñame tus papeles o algún documento». El otro me dijo: «Móntate, no hagas las cosas más difíciles». Entonces empecé a gritar: «¡Auxilio, unos secuestradores!»

SL: ¿Sabía usted que se trataba de policías sin uniforme?

YS: Me lo imaginaba, pero nunca me mostraron sus documentos.

SL: ¿Cuál era su objetivo entonces?

YS: Quería que las cosas se hicieran en toda legalidad, es decir, que me mostraran sus papeles y que me llevaran después aunque sospechaba que representaban la autoridad. Uno no puede obligar a un ciudadano a montarse en un carro privado sin presentar sus papeles, si no es una ilegalidad y un secuestro.

SL: ¿Cómo reaccionó la gente en la parada?

YS: Las personas en la parada se quedaron atónitas porque «secuestro» no es una palabra que se usa en Cuba porque no existe este fenómeno. Entonces se preguntaron lo que pasaba. No teníamos pinta de delincuentes. Algunos se acercaron pero uno de los policías les gritó: «¡No se metan que son unos contrarrevolucionarios!». Esa fue la confirmación de que se trataba de personas de la policía política aunque me lo imaginé por el auto Geely que llevaban, que son chinos, de nueva fabricación, y que no se han vendido en ninguna tienda en Cuba. Pertenecen exclusivamente a personas del Ministerio de las Fuerzas Armadas y del Ministerio de Interior.

SL: Entonces usted sabía desde el inicio que se trataba de policías vestidos de civiles por el carro en el cual andaban.

YS: Intuía eso. Por otra parte tuve la confirmación cuando uno de ellos llamó a un policía en uniforme. Una patrulla compuesta de un hombre y de una mujer llegó y se llevó a dos de nosotros. Nos dejó entre las manos de esos dos desconocidos.

SL: Pero ya no albergaba la menor duda respecto a quiénes eran.

YS: No, pero no nos enseñaron ningún papel. Los policías no nos dijeron que representaban la autoridad. No nos dijeron nada.

SL: Resulta difícil entender el interés para las autoridades cubanas de agredirla físicamente con el riesgo de desatar un escándalo internacional. Usted es famosa. ¿Por qué habrían hecho eso?

YS: Su objetivo era radicalizarme para que escribiera textos violentos contra ellos, pero no lo lograrán.

SL: No se puede decir que usted es blanda con el gobierno cubano.

YS: Yo nunca uso la violencia verbal ni ataques personales. Nunca uso adjetivos incendiarios como «sangrienta represión», por ejemplo. Su objetivo era entonces radicalizarme.

SL: Sin embargo usted es muy dura respecto al gobierno de La Habana. En su blog, dice: «el barco que hace aguas a punto del naufragio». Usted habla de «los gritos del déspota», de «seres de las sombras, que como vampiros se alimentan de nuestra alegría humana, nos inoculan el temor a través del golpe, la amenaza, el chantaje», «ha naufragado el proceso, el sistema, las expectativas, las ilusiones. [Es un] naufragio [total]», Son palabras muy fuertes.

YS: Quizás, pero su objetivo era quemar el fenómeno Yoani Sánchez, demonizarme. Por eso mi blog estuvo bloqueado durante bastante tiempo.

SL: Sin embargo parece sorprendente que las autoridades cubanas hayan decidido atacarla físicamente.

YS: Fue una torpeza. No me explico por qué me impidieron que asistiera a la marcha pues no pienso como los que reprimen. No tengo explicación. Quizás querían que no me reuniera con los jóvenes. Los policías pensaban que iba a formar un escándalo o hacer un discurso incendiario.

Para volver al arresto, los policías se llevaron a mis amigos, de manera enérgica y firme pero sin violencia. En el momento que me doy cuenta que van a dejarnos solos con Orlando con estos tres tipos me agarré a una planta que había en la calle y Claudia se agarró a mí por la cintura para impedir la separación antes de que la llevaran los policías.

SL: ¿Para qué resistir a las fuerzas del orden en uniforme y correr el riesgo de ser acusada de eso y cometer un delito? En Francia si usted resiste a la policía, se arriesga a sanciones.

YS: Se los llevaron de todas formas. La mujer policía se llevó a Claudia. Las tres personas nos llevaron al carro y empecé a gritar de nuevo: «¡Auxilio! ¡Un secuestro!».

SL: ¿Por qué? Usted sabía que se trataba de policías sin uniforme.

YS: No me mostraron ningún papel. Empiezan entonces a golpearme y me empujan hacia el carro. Claudia fue testigo y lo contó.

SL: ¿Usted no me acaba de decir que la patrulla se la había llevado?

YS: Vio la escena desde lejos mientras se alejaba el carro de policía. Me defendí y golpeé como un animal que siente que llegó su última hora. Dieron una vuelta luego por el Vedado e intentaban quitarme el papel que tenía en la boca. Agarré a uno por los testículos y redobló la violencia. Nos llevaron a un barrio bastante marginal, La Timba , que se encuentra cerca de la Plaza de la Revolución. El hombre bajó, abrió la puerta y nos pidió que saliéramos. No quise bajarme. Nos sacaron por la fuerza con Orlando y se fueron.

Llegó una señora y le dijimos que fuimos secuestrados. Nos tomó por unos locos y se fue. El carro regresó pero no se detuvo. Sólo nos lanzaron mi bolso en el cual se encontraban mi celular y mi cámara.

SL: ¿Regresaron para devolverle su celular y su cámara?

YS: Sí

SL: ¿No le parece extraño que se molestaran en regresar? Habrían podido confiscarle su celular y su cámara, que son sus herramientas de trabajo.

YS: Bueno, no sé. Todo duró 25 minutos en total.

SL: Usted entiende, sin embargo, que mientras no publique las fotos se dudará de su versión, y eso arrojará una sombra sobre la credibilidad de todo lo que dice.

YS: No importa.

Suiza y el regreso a Cuba

SL: En 2002, usted decidió emigrar a Suiza. Dos años después regresó a Cuba. Resulta difícil entender por qué dejó el «paraíso europeo» para regresar al país que usted describe como un infierno. La pregunta es sencilla: ¿por qué?

YS: Es una pregunta muy buena. Primero, me gusta nadar a contracorriente. Me gusta organizar mi vida a mi manera. Lo que es absurdo no es irse y regresar a Cuba sino las leyes migratorias cubanas que estipulan que toda persona que pasa once meses en el exterior pierde su estatus de residente permanente. En otras condiciones yo podría estar dos años en el exterior y con el dinero ganado, podría regresar a Cuba para reparar la casa y hacer otras cosas. Entonces no es el hecho de que decida regresar a Cuba lo que es sorprendente sino las leyes migratorias cubanas.

SL: Lo que es sorprendente es sobre todo que teniendo la posibilidad de vivir en uno de los países más ricos del mundo, usted haya decidido regresar a su país que usted describe de modo más bien apocalíptico, apenas dos años después de su salida.

YS: Las razones son varias. Primero, no pude irme con mi familia. Somos una pequeña familia pero estamos muy unidos con mi hermana y mis padres. Mi padre estuvo enfermo durante mi estancia y tenía miedo de que muriera sin poder verlo. También me sentía culpable de vivir mejor que ellos. Cada vez que me compraba un par de zapatos, que me conectaba a Internet, pensaba en ellos. Me sentía culpable.

SL: De acuerdo, pero desde Suiza podía ayudarlos mandando dinero.

YS: Es verdad, pero hay otra razón. Pensé que con lo que había aprendido en Suiza, podría cambiar las cosas regresando a Cuba. También hay la nostalgia de las personas, de los amigos. No fue una decisión pensada pero no me arrepiento. Tenía ganas de regresar y regresé. Es verdad que es algo que pueda parecer poco común, pero me gusta hacer cosas inhabituales. Abrí un blog y la gente me preguntó por qué hacía eso, mientras que el blog me satisface profesionalmente.

SL: De acuerdo, pero a pesar de todas estas razones, nos cuesta entender el por qué de su regreso a Cuba cuando en Occidente se piensa que todos los cubanos quieren abandonar el país. Es aún más sorprendente en su caso pues presenta su país, repito, de modo apocalíptico.

YS: Discutiría la palabra, como filóloga, pues «apocalíptico» es un término grandilocuente. Hay una cosa que caracteriza mi blog, es la moderación verbal.

SL: No es siempre el caso. Usted describe por ejemplo a Cuba como “una inmensa prisión, con muros ideológicos”. Los términos son bastante fuertes.

YS: Nunca he escrito eso.

SL: Son las palabras de una entrevista que dio al canal francés France 24 el 22 de octubre de 2009.

YS: ¿Usted leyó eso en francés o en español?

SL: En francés.

YS: Desconfíe de las traducciones pues nunca he dicho eso. Se me prestan muy a menudo cosas que no he dicho. Por ejemplo, el periódico español ABC me atribuyó palabras que nunca había pronunciado y protesté. El artículo fue finalmente retirado del sitio Internet

SL: ¿Cuáles eran esas palabras?

YS: «En los hospitales cubanos muere más gente de hambre que de enfermedad». Era una mentira total. Nunca había dicho eso.

SL: ¿Entonces la prensa occidental manipuló lo que dijo?

YS: No diría eso.

SL: Si le atribuyen palabras que no pronunció, se trata de manipulación.

YS: Granma manipula más la realidad que la prensa occidental cuando dicen que soy la creación del grupo mediático Prisa.

SL: Justamente, ¿no tiene la impresión de que la prensa occidental la usa porque usted preconiza un «capitalismo sui generis» en Cuba?

YS: No soy responsable de lo que hace la prensa. Mi blog es una terapia personal, un exorcismo. Tengo la impresión de que soy más manipulada en mi propio país que en otra parte. Usted sabe que existe una ley en Cuba, la ley 88 que se le llama la ley «mordaza» que encarcela a la gente que hace lo que estamos haciendo.

SL: ¿Es decir?

YS: Que nuestra conversación puede ser considerada como un delito y que puede incurrir en una pena de hasta 15 años de prisión.

SL: Perdone, ¿el hecho de que yo la entreviste puede llevarla a la cárcel?

YS: ¡Por supuesto!

SL: No tengo la impresión de que eso la preocupe mucho ya que me está concediendo una entrevista en plena tarde, en el vestíbulo de un hotel del centro de La Habana Vieja.

YS: No estoy preocupada. Esta ley estipula que toda persona que denuncia las violaciones de los derechos humanos en Cuba colabora con las sanciones económicas, pues Washington justifica la imposición de las sanciones contra Cuba a causa de la violación de los derechos humanos.

SL: Si no me equivoco, la ley 88 se aprobó en 1996 para responder a la ley Helms-Burton y sanciona sobre todo a las personas que colaboren con la aplicación de esta legislación en Cuba, por ejemplo proporcionando información a Washington sobre los inversionistas extranjeros en Cuba para que éstos sean perseguidos ante los tribunales estadounidenses. Que yo sepa, nadie ha sido condenado por eso, hasta ahora. Hablemos de libertad de expresión. Usted tiene cierta libertad de tono en su blog. Está siendo entrevistada en plena tarde en un hotel. ¿No ve una contradicción entre el hecho de afirmar que no hay ninguna libertad de expresión en Cuba y la realidad de sus escritos y sus actividades que demuestran lo contrario?

YS: Sí, pero no se puede consultar desde Cuba porque está bloqueado.

SL: Le puedo asegurar que lo consulté esta mañana antes de la entrevista, desde este hotel.

YS: Es posible, pero la mayor parte del tiempo está bloqueado. De todas formas, hoy día, no puedo tener el menor espacio en la prensa cubana, mientras que soy una persona moderada, ni en la radio, ni en la televisión

SL: Pero puede publicar lo que le de la gana en su blog.

YS: Pero no puedo publicar una sola palabra en la prensa cubana.

SL: En Francia, que es una democracia, amplios sectores de la población no tienen ningún espacio en los medias ya que la mayoría pertenecen a grupos económicos y financieros privados.

YS: Sí, pero es diferente.

SL: ¿Recibió usted amenazas por sus actividades? ¿La han amenazado alguna vez con una pena de prisión por lo que escribe?

YS: Amenazas directas de pena de prisión no, pero no me dejan viajar fuera. Estoy invitada actualmente a un Congreso sobre la lengua española en Chile, hice todos los trámites pero no me dejan salir.

SL: ¿Le han dado alguna explicación?

YS: Ninguna, pero quisiera precisar algo. Para las sanciones de Estados Unidos contra Cuba son una atrocidad. Se trata de una política que ha fracasado. Lo he dicho muchas veces pero no se publica eso porque molesta que tenga esta opinión que rompe el arquetipo del opositor.

Las sanciones económicas

SL: Entonces usted se opone a las sanciones económicas.

YS: Absolutamente, y lo digo en todas las entrevistas. Hace unas semanas, mande una carta al Senado de Estados Unidos para que permitieran a los ciudadanos estadounidenses viajar a Cuba. Es una atrocidad ver que impiden que los ciudadanos estadounidenses viajen a Cuba, como el gobierno cubano me impide salir de mi país.

SL: ¿Qué piensa de las esperanzas que ha suscitado la elección de Obama que prometió un cambio en la política hacia Cuba y que ha decepcionado a muchos?

YS: Llegó al poder sin el apoyo del lobby fundamentalista de Miami que apoyó al otro candidato. Por mi parte, ya me pronuncié contra las sanciones.

SL: Este lobby fundamentalista se opone al levantamiento de las sanciones económicas.

YS: Puede discutir con ellos y exponerles mis argumentos pero no diría que son enemigos de la patria. No pienso eso.

SL: Una parte de ellos participó en la invasión de su propio país en 1961 bajo las órdenes de la CIA. Varios de ellos están implicados en actos de terrorismo contra Cuba.

YS: Los cubanos del exilio tienen el derecho a pensar y a decidir. Soy favorable a que tengan el derecho de voto. Aquí, se ha estigmatizado mucho al exilio cubano.

SL: ¿El exilio «histórico» o los que han emigrado después por razones económicas?

YS: En realidad, me opongo a todos los extremos. Pero estas personas que están a favor de las sanciones económicas no son anticubanas. Piensa que defienden a Cuba según sus propios criterios.

SL: Tal vez, pero las sanciones económicas afectan a los sectores más vulnerables de la población cubana y no a los dirigentes. Entonces resulta difícil estar a la vez a favor de las sanciones y pretender defender el bienestar de los cubanos.

YS: Es la opinión de ellos. Es así.

SL: No son ingenuos. Saben que los cubanos sufren por las sanciones.

YS: Son simplemente diferentes. Creen que podrán cambiar de régimen imponiendo sanciones. En todo caso creo que el bloqueo ha sido el argumento perfecto para el gobierno cubano para mantener la intolerancia, el control y la represión interna.

SL: Las sanciones económicas tienen efectos. ¿O piensa que sólo son una excusa para La Habana ?

YS: Son un excusa que conduce a la represión.

SL: ¿Afectan el país de un punto de vista económico, según usted? ¿O sólo es marginal?

YS: El verdadero problema es la falta de productividad en Cuba. Si mañana levantaran las sanciones, dudo mucho que se vean los efectos.

SL: En este caso, ¿por qué Estados Unidos no levanta las sanciones y le quita así la excusa al gobierno? Se vería así que las dificultades económicas sólo se deben a las políticas internas. Si Washington insiste tanto en las sanciones a pesar de su carácter anacrónico, a pesar de la oposición de la inmensa mayoría de la comunidad internacional, 187 países en 2009, a pesar de la oposición de una mayoría de la opinión pública de Estados Unidos, a pesar de la oposición del mundo de los negocios, será por algo ¿no?

YS: Simplemente porque Obama no es el dictador de Estados Unidos y no puede eliminar las sanciones.

SL: No las puede eliminar totalmente porque hace falta un acuerdo del Congreso pero puede sin embargo aliviarlas considerablemente, lo que no ha hecho hasta ahora ya que salvo la eliminación de las restricciones impuestas por Bush en 2004, casi nada ha cambiado.

YS: No, no es cierto, pues también ha permito a las empresas estadounidenses de telecomunicaciones hacer transacciones con Cuba.

Los premios internacionales, el blog y Barack Obama

SL: Usted tendrá que admitir que es bastante poco cuando se sabe que Obama prometió un nuevo enfoque con Cuba. Volvamos a su caso personal. ¿Cómo explica esta avalancha de premios, así como su éxito internacional?

YS: No tengo mucho que decir salvo expresar mi agradecimiento. Todo premio implica una dosis de subjetividad por parte del jurado. Todo premio es discutible. Por ejemplo muchos escritores latinoamericanos merecían el premio Nobel de literatura más que Gabriel García Márquez.

SL: ¿Usted dice eso porque piensa que no tiene tanto talento o por su posición favorable a la Revolución cubana? Usted no niega su talento de escritor ¿o sí?

YS: Es mi opinión, pero no por ello voy a decir que consiguió el premio y lo voy a acusar de ser un agente del gobierno sueco.

SL: Obtuvo el premio por su obra literaria mientras que usted ha sido recompensada por sus posiciones políticas contra el gobierno. Es la impresión que tenemos.

YS: Hablemos del premio Ortega y Gasset del periódico El País que suscita más polémica. Lo gané en la categoría «Internet». Algunos dicen que otros periodistas no lo han conseguido, pero yo soy una bloguera y soy pionera en este campo. Me considero como una figura de Internet. El jurado del premio Ortega y Gasset se compone de personalidades sumamente prestigiosas y no diría que se prestaron a una conspiración contra Cuba.

SL: Usted no puede negar que el periódico español El País tiene una línea editorial sumamente hostil hacia Cuba. Y algunos piensan que el premio, dotado con 15.000 euros, era una forma de recompensar sus escritos contra el gobierno.

YS: La gente piensa lo que quiere. Creo que se recompensó mi trabajo. Mi blog tiene 10 millones de entradas al mes. Es un ciclón.

SL: ¿Cómo hace para pagar los gastos de gestión de semejante flujo?

YS: Un amigo en Alemania se encargaba de eso porque el sitio estaba albergado en Alemania. Desde hace más de un año está albergado en España y conseguí 18 meses gratuitos gracias al premio The Bob’s.

SL: ¿Y la traducción en 18 idiomas?

YS: Son amigos y admiradores quienes lo hacen voluntaria y gratuitamente.

SL: A mucha gente le cuesta creer eso pues ningún otro sitio del mundo, incluso los de las más importantes instituciones internacionales como por ejemplo las Naciones Unidas, el Banco Mundial, el Fondo Monetario Internacional, la OCDE, la Unión Europea, dispone de tantas versiones lingüísticas. Ni el sitio del Departamento de Estado de Estados Unidos ni el de la CIA disponen de semejante variedad.

YS: Le digo la verdad.

SL: El presidente Obama incluso respondió a una entrevista que le hizo. ¿Cómo explica eso?

YS: Primero, quiero decir que no eran preguntas complacientes.

SL: Tampoco podemos decir que usted fue crítica, ya que no le pidió que levantara las sanciones económicas de las cuales usted dice que «se usan como justificación lo mismo para el descalabro productivo que para reprimir a los que piensan diferente». Es exactamente lo que dice Washington al respecto. La pregunta más atrevida es cuando usted le preguntó si pensaba invadir Cuba. ¿Cómo explica que el presidente Obama haya tomado el tiempo de responderle a pesar de su agenda sumamente cargada, una crisis económica sin precedentes, la reforma del sistema de salud, Iraq, Afganistán, las bases militares en Colombia, el golpe de Estado en Honduras y centenares de solicitudes de entrevistas de los más importantes medios del mundo en espera?

YS: Soy afortunada. Le quiero decir que también mandé preguntas al presidente Raúl Castro y no me ha respondido. No pierdo la esperanza. Además ahora tiene la ventaja de contar con las respuestas de Obama.

SL: ¿Cómo llegó hasta Obama?

YS: Les transmití la entrevista a varias personas que venían a verme y que podían tener un contacto con él.

SL: ¿Piensa que Obama le respondió porque es una bloguera cubana o porque se opone al gobierno?

YS: No creo. Obama me respondió porque habla a los ciudadanos.

SL: Recibe miles de solicitudes todos los días. ¿Por qué le respondió si usted es una simple bloguera?

YS: Obama es cercano a mi generación, a mi modo de pensar.

SL: ¿Pero por qué usted? Hay millones de blogueros en el mundo. ¿No piensa que ha sido instrumentalizada en la guerra mediática de Washington contra La Habana?

YS: En mi opinión, quería quizás responder a algunos puntos como la invasión a Cuba. Quizás le haya dado la oportunidad de expresarse sobre un tema que quería abordar hace mucho tiempo. La propaganda política nos habla constantemente de una posible invasión de Cuba.

SL: Pero hubo una ¿no?

YS: ¿Cuándo?

SL: En 1961. Y en 2003, Roger Noriega, subsecretario de Estado para los Asuntos Interamericanos dijo que cualquier ola migratoria cubana hacia Estados Unidos sería considerada como una amenaza a la seguridad nacional y necesitaría una respuesta militar.

YS: Es otro tema. Para volver al tema de la entrevista, creo que permitió esclarecer ciertos puntos. Tengo la impresión de que hay un deseo de ambos lados de no normalizar las relaciones, de no entenderse. Le pregunté cuándo íbamos a encontrar una solución.

SL: ¿Quién es responsable de este conflicto entre los dos países según usted?

YS: Es difícil encontrar un culpable.

SL: En este caso preciso es Estados Unidos el que impone sanciones unilaterales a Cuba y no al contrario.

YS: Sí, pero Cuba confiscó propiedades a Estados Unidos.

SL: Tengo la impresión de que se hace la abogada de Washington.

YS: Las confiscaciones ocurrieron.

SL: Es cierto, pero se hicieron conforme al derecho internacional. Cuba confiscó también propiedades a Francia, España, Italia, Bélgica, el Reino Unido, e indemnizó esas naciones. El único país que rechazó las indemnizaciones fue Estados Unidos.

YS: Cuba permitió también la instalación de bases militares en su territorio y de misiles de un imperio lejano…

SL: …Como Estados Unidos instaló bases nucleares contra la URSS en Italia y en Turquía.

YS: Los misiles nucleares podían alcanzar Estados Unidos.

SL: Como los misiles nucleares estadounidenses podían alcanzar Cuba o la URSS.

YS: Es verdad, pero creo que hubo una escalada en la confrontación por parte de ambos países.

Los cinco presos políticos cubanos y la disidencia

SL: Abordemos otro tema. Se habla mucho de los cinco presos políticos cubanos en Estados Unidos condenados a penas de prisión perpetua por infiltrar a grupúsculos de extrema derecha en Florida implicados en el terrorismo contra Cuba.

YS: No es un tema que interesa a la población. Es propaganda política.

SL: ¿Pero cuál es su punto de vista al respeto?

YS: Voy a intentar ser lo más neutral posible. Son agentes del Ministerio del Interior que se infiltraron en Estados Unidos para recoger información. El gobierno cubano dice que no desempeñaban actividades de espionaje sino que habían infiltrado a grupos cubanos para evitar actos terroristas. Pero el gobierno cubano siempre ha dicho que esos grupos estaban vinculados a Washington.

SL: Entonces los grupos radicales de exilados tienen lazos con el gobierno de Estados Unidos.

YS: Eso es lo que dice la propaganda política.

SL: Entonces no es verdad.

YS: Si es verdad quiere decir que los cinco realizaban actividades de espionaje.

SL: Entonces en este caso, Estados Unidos tiene que reconocer que los grupos violentos forman parte del gobierno.

YS: Es verdad.

SL: ¿Piensa usted que los Cinco deben ser liberados o merecen su sanción?

YS: Creo que valdría la pena revisar los casos, pero en un contexto político más apaciguado. No creo que el uso político de este caso sea bueno para ellos. El gobierno cubano mediatiza demasiado este asunto.

SL: Quizás porque es un asunto totalmente censurado por la prensa occidental.

YS: Creo que se podría salvar la situación de esas personas que son seres humanos, que tienen una familia, hijos, pero del otro lado, también hay víctimas.

SL: Pero los cinco no han cometido crímenes.

YS: No, pero dieron información que causó la muerte de varias personas.

SL: Usted se refiere a los acontecimientos del 24 de febrero de 1996, cuando dos aviones de la organización radical Brothers to the Rescue fueron derribados después de violar varias veces el espacio aéreo cubano y lanzar llamamientos a la rebelión.

YS: Sí.

SL: Sin embargo, el fiscal reconoció que era imposible probar la culpabilidad de Gerardo Hernández en ese caso.

YS: Es verdad. Pienso que cuando la política se mete en asuntos de justicia, llegamos a eso.

SL: ¿Piensa usted que se trata de un caso político?

YS: Para el gobierno cubano es un caso político.

SL: ¿Y para Estados Unidos?

YS: Tengo entendido que hay una separación de los poderes allí, pero puede ser que el ambiente político haya influido a los jueces y al jurado, pero no creo que se trate de un caso político dirigido por Washington. Es difícil tener una imagen clara de este caso, pues jamás hemos podido tener una información completa al respecto. Pero la prioridad para los cubanos es la liberación de los presos políticos.

Fin de la primera parte

Segunda parte

El financiamiento de los disidentes cubanos por Estados Unidos II

SL: Wayne S. Smith, último embajador de Estados Unidos en Cuba, declaró que era «ilegal e imprudente mandar dinero a los disidentes cubanos». Agregó que «nadie debería dar dinero a los disidentes y aún menos con el objetivo de derrocar al gobierno cubano». Y explica: «Cuando Estados Unidos declara que su objetivo es derrocar al gobierno cubano y después afirma que uno de los medios para lograrlo es proporcionar fondos a los disidentes cubanos, éstos se encuentran de facto en la posición de agentes pagados por una potencia extranjera para derrocar a su propio gobierno».

YS: Creo que se ha presentado el financiamiento de la oposición por Estados Unidos como una realidad, lo que no es el caso. Conozco a varios miembros del grupo de los 75 disidentes arrestados en 2003 y dudo mucho de esta versión. No tengo pruebas de que los 75 hayan sido arrestados por eso. No creo en las pruebas presentadas en los tribunales cubanos.

SL: No creo que sea posible ignorar esta realidad.

YS: ¿Por qué?

SL: El propio gobierno de Estados Unidos afirma que financia la oposición interna desde 1959. Basta consultar, además de los archivos desclasificados, la sección 1705 de la ley Torricelli de 1992, la sección 109 de la ley Helms-Burton de 1996, y los dos informes de la Comisión de Asistencia para una Cuba Libre de mayo de 2004 y de julio de 2006. Todos estos documentos revelan que el presidente de Estados Unidos financia a la oposición interna en Cuba con el objetivo de derrocar al gobierno de La Habana.

YS: No sé pero…

SL: Si me permite le voy a citar las leyes en cuestión. Así, la sección 1705 de la ley Torricelli estipula que «Estados Unidos proporcionará asistencia a las organizaciones no gubernamentales adecuadas para apoyar a individuos y organizaciones que promueven un cambio democrático no violento en Cuba».

La sección 109 de la ley Helms-Burton también es muy clara: «El presidente [de Estados Unidos] está autorizado para proporcionar asistencia y ofrecer todo tipo de apoyo a individuos y organizaciones no gubernamentales independientes para unir los esfuerzos con vistas a construir una democracia en Cuba».


El primer informe de la Comisión de Asistencia a una Cuba libre prevé la elaboración de un «sólido programa de apoyo que favorezca la sociedad civil cubana». Entre las medidas preconizadas se destina una financiación, por importe de 36 millones de dólares, al «apoyo de la oposición democrática y al fortalecimiento de la sociedad civil emergente».

El segundo informe de la Comisión de Asistencia a una Cuba Libre prevé un presupuesto de 31 millones de dólares para financiar, todavía más, a la oposición interna. Además está prevista una financiación de al menos 20 millones de dólares anuales, con el mismo objetivo, para los años siguientes «hasta que la dictadura deje de existir»

YS: ¿Quién le ha dicho que ese dinero llegó a las manos de los disidentes?

SL: La Sección de Intereses Norteamericanos lo afirmó en un comunicado: « La política estadounidense, desde hace mucho tiempo, es proporcionar asistencia humanitaria al pueblo cubano, específicamente a familias de presos políticos. También permitimos que lo hagan las organizaciones privadas».

YS: Bueno…

SL: Incluso Amnistía Internacional, que recuerda la existencia de 58 presos políticos en Cuba, reconoce que éstos están encarcelados «por haber recibido fondos o materiales del gobierno estadounidense para realizar actividades que las autoridades consideran subversivas y perjudiciales para Cuba».

YS: No sé si…

SL: Por otra parte, los propios disidentes admiten recibir dinero de Estados Unidos. Laura Pollán de las Damas de Blanco declaró: «Aceptamos la ayuda, el apoyo, desde la ultraderecha hasta la izquierda, sin condiciones». El opositor Vladimiro Roca también confesó que la disidencia cubana está subvencionada por Washington alegando que la ayuda financiera recibida era «total y completamente lícita». Para el disidente René Gómez el apoyo económico por parte de Estados Unidos «no es una cosa que haya que ocultar o de la que tengamos que avergonzarnos».

Incluso la prensa occidental lo reconoce. La agencia France Presse informa de que «los disidentes, por su parte, reivindicaron y asumieron esas ayudas económicas». La agencia española EFE alude a los «opositores pagados por Estados Unidos». En cuanto a la agencia de prensa británica Reuters, «el gobierno estadounidense proporciona abiertamente un apoyo financiero federal para las actividades de los disidentes, lo que Cuba considera un acto ilegal». Y podría multiplicar los ejemplos.

YS: Todo eso es culpa del gobierno cubano que impide la prosperidad económica de sus ciudadanos, que impone un racionamiento a la población. Hay que hacer cola para conseguir productos. Hay que juzgar primero al gobierno cubano que ha llevado a miles de personas a aceptar la ayuda extranjera.

SL: El problema es que los disidentes cometen un delito que la ley cubana y todos los códigos penales del mundo sancionan severamente. Ser financiado por una potencia extranjera es un grave delito en Francia y en el resto del mundo.

YS: Podemos admitir que el hecho de financiar a una oposición es una prueba de injerencia pero…

SL: Pero en este caso, las personas que usted califica de presos políticos no son presos políticos pues cometieron un delito al aceptar dinero de Estados Unidos y la justicia cubana las condenó sobre esta base.

YS: Creo que este gobierno se inmiscuyó muchas veces en los asuntos internos de otros países financiado a movimientos rebeldes y a la guerrilla. Intervino en Angola y…

SL: Sí, pero se trataba de ayudar a los movimientos independentistas contra el colonialismo portugués y el régimen segregacionista de Sudáfrica. Cuando Sudáfrica invadió Namibia, Cuba intervino para defender la independencia de ese país. Nelson Mandela agradeció públicamente a Cuba por ello y fue la razón por la cual reservó su primer viaje a La Habana y no a Washington o a París.

YS: Pero muchos cubanos murieron por eso, lejos de su tierra.

SL: Sí pero fue por una noble causa, sea en Angola, en el Congo o en Namibia. La batalla de Cuito Cuanavale en 1988 permitió poner fin al apartheid en Sudáfrica. ¡Es lo que dice Mandela! ¿No se siente orgullosa de ello?

YS: De acuerdo, pero a fin de cuentas, me molesta más la injerencia de mi país fuera que otra cosa. Lo que hace falta es despenalizar la prosperidad.

SL: ¿Incluso el hecho de recibir dinero de una potencia extranjera?

YS: La gente tiene que ser económicamente autónoma.

SL: Si entiendo bien, preconiza la privatización de ciertos sectores de la economía.

YS: Privatizar, no me gusta el término porque tiene una connotación peyorativa, pero poner en manos privadas, sí.

¿Conquistas sociales en Cuba?

SL: Es una cuestión semántica entonces. ¿Cuáles son según usted las conquistas sociales de este país?

YS: Cada conquista ha tenido un coste enorme. Todas las cosas que pueden parecer positivas han tenido un coste en términos de libertad. Mi hijo recibe una educación muy adoctrinada y le cuentan una historia de Cuba que no corresponde para nada a la realidad. Preferiría una educación menos ideológica para mi hijo. Por otra parte, nadie quiere ser maestro en este país porque los salarios son muy bajos.

SL: De acuerdo, pero eso no impide que Cuba sea el país que tiene el mayor número de profesores por habitante del mundo, con clases de 20 alumnos como máximo, lo que no es el caso en Francia por ejemplo.

YS: Sí, pero hubo un coste para eso y por eso la educación y la salud no son verdaderas conquistas para mí.

SL: No podemos negar algo reconocido por todas las instituciones internacionales. Con respecto a la educación, la tasa de analfabetismo en América Latina es de un 11,7% y de un 0,2% en Cuba. La tasa de escolarización en la enseñanza primaria es del 92% en América Latina y de un 100% en Cuba y para la enseñanza secundaria de un 52% y un 99,7% respectivamente. Son cifras del Departamento de Educación de la UNESCO.

YS: De acuerdo, pero en 1959, aunque Cuba vivía en condiciones difíciles, la situación no era tan mala. Había una vida intelectual floreciente, un pensamiento político vivo. En realidad, la mayoría de los supuestos logros actuales que se presentan como resultados del sistema eran inherentes a nuestra idiosincrasia. Esos logros existían antes.

SL: No es cierto; y le voy a citar una fuente libre de toda sospecha: un informe del Banco Mundial. Es una cita bastante larga pero vale la pena.

«Cuba está internacionalmente reconocida por sus éxitos en el campo de la educación y de la salud, con un servicio social que supera el de la mayor parte de los países en vías de desarrollo y en ciertos sectores comparable al de los países desarrollados. Desde la Revolución cubana en 1959 y el establecimiento de un gobierno comunista con partido único, el país ha creado un sistema de servicios sociales que garantiza el acceso universal a la educación y a la salud, proporcionado por el Estado. Este modelo ha permitido a Cuba alcanzar una alfabetización universal, erradicar ciertas enfermedades, acceso general al agua potable y a la salubridad pública de base, una de las tasas de mortalidad infantil más bajas de la región y una de las más largas esperanzas de vida. Una revisión de los indicadores sociales de Cuba revela una mejora casi continua desde 1960 hasta 1980. Varios indicios importantes, como la esperanza de vida y la tasa de mortalidad infantil, siguieron mejorando durante la crisis económica del país en los años 90…

En la actualidad la prestación social de Cuba es una de las mejores del mundo en vías de desarrollo, como lo documentan numerosas fuentes internacionales incluidas la Organización Mundial de la Salud, el Programa de las Naciones Unidas para el Desarrollo y otras agencias de la ONU , y el Banco Mundial. Según los indicadores de desarrollo del mundo de 2002, Cuba supera ampliamente a la vez a América Latina y el Caribe y a otros países con ingreso intermedio en los más importantes indicios de educación, salud y de salubridad pública».

Además las cifras lo demuestran. En 1959, la tasa de mortalidad infantil era de 60 por mil. En 2009 era de 4,8. Se trata de la tasa más baja del continente americano del Tercer Mundo; incluso más baja que la de Estados Unidos.

YS: Bueno, pero…

SL: La esperanza de vida era de 58 años antes de la Revolución. Ahora es de casi 80 años y es similar a la de muchos países desarrollados. Cuba tiene ahora 67.000 médicos frente a los 6.000 de 1959. Según el diario inglés The Guardian, Cuba tiene dos veces más médicos que Inglaterra para una población cuatro veces inferior.

YS: De acuerdo, pero en términos de libertad de expresión hubo una reducción respecto al gobierno de Batista. El régimen era una dictadura pero había una libertad de prensa plural y abierta, programas de radio de toda tendencia política.

SL: No es cierto. La censura de la prensa también existía. Entre diciembre de 1956 y enero de 1959, durante la guerra contra el régimen de Batista, la censura se impuso 630 días sobre 759. Y a los opositores se les reservaba una triste suerte.

YS: Es verdad que había censura, intimidaciones y muertos al final.

SL: Entonces no puede decir que la situación era mejor con Batista, ya que se asesinaba a los opositores. Ya no es el caso hoy día. ¿Piensa usted que la fecha del primero de enero es una tragedia para la historia de Cuba?

YS: No, no, para nada. Fue un proceso que suscitó mucha esperanza pero que traicionó a la mayoría de los cubanos. Fue un momento luminoso para una buena parte de la población pero pusieron fin a una dictadura e instauraron otra. Pero no soy tan negativa como algunos.

Luis Posada Carriles, la ley de Ajuste cubano y la emigración

SL: ¿Qué piensa de Luis Posada Carriles, ex agente de la CIA responsable de numerosos crímenes en Cuba y a quien Estados Unidos se niega a juzgar?

YS: Es un tema político que no interesa a la gente. Es una cortina de humo.

SL: Por lo menos interesa a los familiares de las víctimas. ¿Cuál es su punto de vista al respecto?

YS: No me gustan las acciones violentas.

SL: ¿Condena sus actos terroristas?

YS: Condeno todo acto de terrorismo, incluso los que cometen actualmente en Iraq por una supuesta resistencia iraquí que mata a los iraquíes.

SL: ¿Quién mata más a los iraquíes? ¿Los ataques de la resistencia o los bombardeos de Estados Unidos?

YS: No sé.

SL: Una palabra sobre la ley de Ajuste Cubano que estipula que todo cubano que emigra legal o ilegalmente a Estados Unidos consigue automáticamente el estatus de residente permanente.

YS: Es una ventaja que no disfrutan los demás países. Pero el hecho de que los cubanos emigren a Estados Unidos se debe a que la situación está difícil aquí.

SL: Y también Estados Unidos es el país más rico del mundo. Muchos europeos también emigran allí. Usted reconoce que la ley de Ajuste cubano es una formidable herramienta de incitación a la emigración legal e ilegal.

YS: Es, efectivamente, un factor de incitación.

SL: ¿No ve eso como una herramienta para desestabilizar la sociedad y al gobierno?

YS: En este caso podemos decir también decir que el hecho de otorgar la ciudadanía española a los descendientes de españoles nacidos en Cuba es un factor de desestabilización.

SL: No tiene nada que ver pues hay razones históricas para eso y además España aplica esta ley a todos los países de América Latina y no sólo a Cuba, mientras que la ley de Ajuste Cubano es única en el mundo.

YS: Pero hay fuertes relaciones. Se juega al béisbol en Cuba como en Estados Unidos.

SL: En República Dominicana también y sin embargo no hay una ley de ajuste dominicano .

YS: Existe sin embargo una tradición de acercamiento.

SL: ¿Entonces por qué esta ley no se aprobó antes de la Revolución ?

YS: Porque los cubanos no querían irse de su país. En la época, Cuba era un país de inmigración y no de emigración.

SL: Es absolutamente falso ya que en los años 50 Cuba ocupaba el segundo puesto de los países americanos en términos de emisión migratoria hacia Estados Unidos, justo detrás de México. Cuba mandaba más emigrantes a Estados Unidos que toda Centroamérica y toda América del Sur juntas, mientras que actualmente Cuba sólo ocupa el décimo puesto a pesar de la ley de Ajuste Cubano y de las sanciones económicas.

YS: Quizás, pero no había esa obsesión de abandonar el país.

SL: Las cifras demuestran lo contrario. Actualmente, repito, Cuba sólo ocupa el décimo puesto en el continente americano en términos de emisión migratoria a Estados Unidos. Entonces la obsesión de la que usted me habla es más fuerte en nueve países del continente por lo menos.

YS: Sí, pero en la época los cubanos se iban y regresaban.

SL: Es el mismo caso en la actualidad, ya que cada año los cubanos del exterior regresan de vacaciones aquí. Además, antes de 2004 y de las restricciones que impuso el presidente Bush que limitaron los viajes de los cubanos de Estados Unidos a 14 días cada tres años, los cubanos constituían la minoría de Estados Unidos que viajaba más a menudo a su país de origen, mucho más que los mexicanos por ejemplo, lo que demuestra que los cubanos de Estados Unidos son en su inmensa mayoría emigrados económicos y no exilados políticos ya que regresan a su país de visita, algo que no haría un exilado político.

YS: Sí, pero pregúnteles si quieren quedarse a vivir aquí otra vez.

SL: Pero es lo que ha hecho usted ¿no? Además en su blog usted escribió en julio de 2007 que su caso no era un caso aislado. La cito: «Hace tres años […] en Zurich […], decidí regresar a quedarme en mi país. Mis amigos creyeron que les hacía un chiste, mi mamá se negó a aceptar que ya su hija no vivía en la Suiza de la leche y el chocolate». El 12 de agosto de 2004 usted se presentó en la oficina de inmigración provincial de La Habana para explicar su caso. Usted escribió: «Tremenda sorpresa cuando me dijeron, pide el último en la cola de los ‘que regresan’ […].Así que encontré, de pronto, otros ‘locos’ como yo, cada uno con su truculenta historia de retorno». Entonces existe este fenómeno de regreso al país.

YS: Sí, pero son gente que regresa por razones personales. Hay algunos que tenían deudas en el exterior, otros que no soportaban la vida afuera. En fin, una multitud de razones.

SL: Entonces, a pesar de las dificultades y de las vicisitudes cotidianas, la vida no es tan terrible aquí ya que algunos regresan. ¿Piensa usted que los cubanos tienen una visión demasiado idílica de la vida en el exterior?

YS: Eso se debe a la propaganda del régimen que presenta de manera demasiado negativa la vida afuera y eso ha tenido el resultado contrario para la gente, que ha idealizado demasiado el modo de vida occidental. El problema es que en Cuba, la emigración de más de once meses es definitiva cuando uno podría vivir dos años fuera y regresar por un tiempo e irse de nuevo etc.

SL: Entonces, si entiendo bien, el problema en Cuba es más bien de orden económico ya que la gente desea abandonar el país sólo para mejorar su nivel de vida.

YS: Muchos quisieran viajar al exterior y poder regresar luego pero las leyes migratorias no lo permiten. Estoy segura de que si fuera posible mucha gente emigraría dos años y regresaría luego para irse de nuevo y regresar, etc.

SL: En su blog hubo comentarios interesantes al respecto. Varios emigrados hablaron de sus desilusiones con el modo de vida occidental.

YS: Es muy humano. Usted se enamora de una mujer y tres meses después pierde sus ilusiones. Se compra un par de zapatos y al cabo de dos días ya no le gustan. Las desilusiones forman parte de la condición humana. Lo peor es que la gente no puede regresar.

SL: Pero la gente regresa.

YS: Sí, pero sólo de vacaciones.

SL: Pero tienen el derecho a quedarse todo el tiempo que quieran, varios años incluso, salvo que pierden algunas ventajas vinculadas a su condición de residente permanente como la libreta, la prioridad para la vivienda, etc.

YS: Sí, pero la gente no puede quedarse varios meses aquí, pues tienen su vida fuera, su trabajo, etc.

SL: Eso es otra cosa y es lo mismo para todos los emigrados del mundo entero. En todo caso, pueden perfectamente regresar a Cuba cuando quieran y quedarse allí todo el tiempo que quieran. La única cosa es que si se quedan más de once meses fuera del país pierden algunas ventajas. Por otra parte me cuesta comprender, si la realidad es tan terrible aquí, alguien que tiene la oportunidad de vivir fuera, en un país desarrollado, ¿por qué desearía regresar a vivir de nuevo en Cuba?

YS: Por múltiples razones, por sus lazos familiares, etc.

SL: Entonces la realidad no es tan dramática.

YS: No diría eso, pero algunos disponen de mejores condiciones de vida que otros

SL: ¿Cuáles son según usted los objetivos del gobierno de Estados Unidos respecto a Cuba?

YS: Estados Unidos desea un cambio de gobierno en Cuba, pero es lo que deseo yo también.

SL: Entonces comparte un objetivo común con Estados Unidos

YS: Como muchos cubanos.

SL: No estoy convencido de eso. Pero, ¿por qué? ¿Porque es una dictadura? ¿Qué quiere Washington de Cuba?

YS: Creo que se trata de una cuestión geopolítica. También está la voluntad del exilio cubano, que se toma en cuenta, y que quiere una nueva Cuba, el bienestar de los cubanos.

SL: ¿Con la imposición de sanciones económicas?

YS: Todo depende a quién se refiere. En cuanto a Estados Unidos, creo que quieren impedir que explote la bomba migratoria.

SL: ¿Ah sí? ¿Con la ley de Ajuste Cubano que incita a los cubanos a que abandonen el país? No es serio. ¿Por qué no anulan esta ley entonces?

YS: Creo que el verdadero objetivo de Estados Unidos es acabar con el gobierno de Cuba para disponer de un espacio más estable. Se ha hablado mucho de David contra Goliat para hablar del conflicto. Pero el único Goliat para mí es el gobierno cubano que impone un control, la ilegalidad, los bajos salarios, la represión, las limitaciones.

SL: ¿Usted no piensa que la hostilidad de Estados Unidos ha contribuido a ello?

YS: No sólo pienso que ha contribuido a ello sino que se ha convertido en el principal argumento para decir que vivimos en una fortaleza asediada y que toda disidencia es traición. Creo en realidad que el gobierno cubano teme que esta confrontación desaparezca. El gobierno cubano desea el mantenimiento de las sanciones económicas.

SL: ¿De verdad? Porque es exactamente lo que dice Washington de modo un poco contradictorio porque si fuera el caso, debería levantar las sanciones y dejar así al gobierno cubano frente a sus propias responsabilidades. Ya no existiría la excusa de las sanciones para justificar los problemas en Cuba.

YS: Cada vez que Estados Unidos ha intentado mejorar la situación, el gobierno cubano ha tenido una actitud contraproducente.

SL: ¿En qué momento Estados Unidos ha intentado mejorar la situación? Desde 1960 sólo se han reforzado las sanciones, con la excepción del período Carter. Resulta difícil entonces mantener este discurso. En 1992 Estados Unidos votó la ley Torricelli con carácter extraterritorial; en 1996, la ley Helms-Burton, extraterritorial y retroactiva; en 2004, Bush adoptó nuevas sanciones y las acrecentó en 2006. No podemos decir que Estados Unidos ha intentado mejorar la situación. Los hechos demuestran lo contrario. Además, si las sanciones son favorables al gobierno cubano y sólo se trata de una excusa ¿por qué no eliminarlas? No son los dirigentes quienes sufren por las sanciones, sino el pueblo.

YS: Obama dio un paso en ese sentido, insuficiente quizás pero interesante.

SL: Sólo eliminó las restricciones que Bush impuso a los cubanos y que les prohibía viajar a su país más de 14 días cada tres años, en el mejor de los casos, y con tal de que tuvieran a un miembro directo de su familia en Cuba. Incluso redefinió el concepto de familia. Así, un cubano de la Florida que sólo tenía a un tío en Cuba no podía viajar a su país pues no era considerado como miembro «directo» de la familia. Obama no eliminó todas las sanciones que impuso Bush y ni siquiera regresamos al estatus que había con Clinton.

YS: Creo que las dos partes deben bajar el tono sobre todo, y Obama lo ha hecho. Después Obama no puede eliminar las sanciones pues hace falta un acuerdo del Congreso.

SL: Pero puede aliviarlas considerablemente firmando simples órdenes ejecutivas, lo que se niega a hacer por el momento.

YS: Está ocupado con otros temas, como el desempleo y la reforma de salud.

SL: Sin embargo tomó el tiempo de responder a su entrevista.

YS: Soy una persona afortunada.

SL: La posición del gobierno cubano es la siguiente: no tenemos que dar ningún paso hacia Estados Unidos pues no imponemos sanciones a Estados Unidos.

YS: Sí, y el gobierno dice también que Estados Unidos no debe pedir cambios internos porque es injerencia.

SL: Es el caso, ¿no?

YS: ¿Entonces si yo pido un cambio también es injerencia?

SL: No, porque usted es cubana y por eso tiene derecho a decidir del futuro de su país.

YS: El problema no es quién pide los cambios, sino los cambios en cuestión.

SL: No estoy seguro porque como francés no me gustaría que el gobierno belga o alemán se inmiscuyera en los asuntos internos de Francia. Como cubana, ¿usted acepta que el gobierno de Estados Unidos le diga cómo debe regir su país?

YS: Si el objetivo es agredir el país, es evidentemente inaceptable.

SL: ¿Considera usted las sanciones económicas como una agresión?

YS: Sí, las considero como una agresión que no ha tenido resultados y que es una momia de la guerra fría, que no tiene ningún sentido, que afecta al pueblo y que ha reforzado al gobierno. Pero repito que el gobierno cubano es responsable al 80% de la crisis económica actual y el 20% es por las sanciones económicas.

SL: Otra vez, le repito, es exactamente la posición del gobierno de Estados Unidos y las cifras demuestran lo contrario. Si fuera el caso no creo que 187 países del mundo se molestaran en votar una resolución contra las sanciones. Es la decimoctava vez consecutiva que una inmensa mayoría de los países de la ONU se pronuncia contra este castigo económico. Si fuera marginal no creo que se molestaran.

YS: Pero no soy una especialista en economía, es mi sentimiento personal

SL: ¿Qué preconiza usted para Cuba?

YS: Creo que hay que liberalizar la economía. Por supuesto no se puede hacer de un día para otro porque provocaría una fractura y disparidades sociales que afectarían a los más vulnerables. Pero hay que hacerlo gradualmente y el gobierno cubano tiene la posibilidad de hacerlo.

SL: Un capitalismo «sui generis», como dice usted.

YS: Cuba es una isla sui generis. Podemos crear un capitalismo sui generis.

SL: Yoani Sánchez, gracias por su tiempo y su disponibilidad.

YS: Gracias a usted.

Final de la segunda y última parte

Salim Lamrani es profesor encargado de cursos en la Universidad Paris-Sorbonne -Paris IV y en la Universidad Paris-Est Marne-la-Vallée y periodista francés, especialista de las relaciones entre Cuba y Estados Unidos. Acaba de publicar Cuba: Ce que les médias ne vous diront jamais (Paris: Editions Estrella, 2009). Revisado por Caty R.

 Comp. fotg. RCBáez_Yoani Sanchez esa desconocida

http://www.rebelion.org/noticia.php?id=103999

TV muda comportamentos?

Vou postar aqui um artigo do blog Não posso evitar…, enviado via email pelo amigo Everton Pereira, que trata de como a TV influencia, ou não, as cabeças dos telespectadores.

Acredito que o mais importante conceito apresentado é que a TV pode até não mudar um comportamento, mas as pessoas que despendem muito tempo com ela acabam enfraquecendo as relações familiares e de amizade, bem como limitam a curtos espaços de tempo as atividades em grupo, sucumbindo assim aos valores passados na programação televisiva.

Segue o artigo:

“Uma das passagens mais interessantes (e menos exploradas) do SuperFreakonomics – O lado oculto do dia-a-dia aborda a correlação entre a televisão e a violência. Mas antes que a leitora desande a falar mal da programação da TV brasileira (que ela mesma assiste vidrada), esclareço que a nefasta influência pouco tem a ver com o que quer que esteja passando.

No início dos anos 1970, Stanley Milgram (o mesmo dos Seis Graus de Separação e do Experimento da Obediência) fez um dos mais criativos estudos para verificar se o teor dos programas de televisão poderia ter alguma influência no comportamento dos indivíduos.

Em seu elaborado experimento, patrocinado pela rede CBS, Milgram customizou um episódio de Medical Center – uma série de TV sobre a rotina de um grande hospital. Nele, um dos personagens vive um infortúnio atrás do outro: ele perde o emprego, sua mulher fica doente e seu barco afunda (literalmente).

Desesperado, ele arromba a caixa de donativos do hospital e rouba o dinheiro ali contido. O filme oferecia, então, dois possíveis finais: num deles o sujeito é preso pela polícia e, no outro, escapa incólume. Depois que os voluntários assistiam a uma das versões do programa, era-lhes prometido um pequeno rádio como brinde por participarem do experimento, sendo que eles precisavam retirar o mimo num escritório perto dali.

Ao chegar no local, contudo, encontravam-no vazio. Mas numa sala adjacente havia um pote de plástico transparente com donativos para uma obra de caridade. O desfecho do estudo consistia em observar que porcentagem dos voluntários roubava o dinheiro ali contido e ver se havia correlação com a versão do programa assistido.

Realizado entre setembro de 1970 e Novembro de 1971, o experimento falhou em mostrar qualquer relação entre o que as pessoas assistiam e seu posterior comportamento. A atitude antissocial do personagem da série não era suficiente para influenciar os participantes do estudo.

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O que você está assistindo, pequeno meliante? (Fonte: Getty)

Mas como, então, a TV conseguiria alterar o comportamento das pessoas, se não através do conteúdo dos seus programas? Levitt e Dubner encontraram a resposta vasculhando estatísticas de três décadas antes do experimento de Milgram.

Durante a década de 1940, as transmissões de TV foram avançando nos EUA uma cidade após a outra. Esta penetração sequencial revelou-se um imenso laboratório natural uma vez que, incidentalmente, dividia o país entre as localidades que tinham TV e as que não tinham. Os pesquisadores puderam, então, avaliar semelhanças e diferenças entre essas e aquelas. Uma das diferenças era, exatamente, o índice de violência.

Segundo suas contas, para cada ano a mais que uma cidade foi exposta à TV, os crimes violentos aumentavam em 2%, enquanto que infrações contra a propriedade cresciam à taxa de 4%. Pode não parecer muito, mas durante a década de 1960 inteira isso representou, para as cidades com TV, índices de violência maiores em 25% e 50% respectivamente – esse sim, um número alarmante.

Até aí, nenhuma novidade, certo? Mas o grande talento do pesquisador revela-se na busca de explicações para o fenômeno observado. Os autores de SuperFreakonomics propõem uma teoria pouco ortodoxa: crianças que passam longo tempo na frente da TV têm maior propensão a cometerem crimes na idade adulta, independente do que assistam.

A interessante idéia de Levitt e Dubner chama atenção não para o que a criança faz (assistir TV), mas para o que ela deixa de fazer. Quanto mais tempo uma criança passa à frente de uma TV, menos tempo ela tem para brincar com seus amigos, ler ou interagir com a família. Do mesmo modo, pais que assistem muita televisão dedicam menos atenção a seus filhos. Com esse esgarçamento das relações sociais e familiares, valores éticos e conceitos morais tornam-se mais frágeis, abrindo caminho para desfechos indesejados. Como a violência.

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Tv_bebes
A TV preparando mais uma grande geração

Quase meio século antes de Levitt e Dubner, o canadense Marshall McLuhan escreveu Understanding Media: The Extensions of Man, onde cunhou sua célebre frase O meio é a mensagem*.

Com essa econômica sentença, McLuhan deu importante contribuição à Teoria de Comunicação sugerindo que, muitas vezes, o meio de comunicação interfere diretamente na forma como a mensagem é percebida. Isto é, uma mesma mensagem pode ter impactos diferentes se for transmitida pela televisão, impressa numa revista, rodopiada num aviãozinho na praia ou estampada nas costas de um campeão olímpico.

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E o que temos, pois, quando juntamos Levitt e Dubner com Milgram e McLuhan? Temos uma sociedade que enfia a cabeça dentro de um tubo enquanto a vida passa lá fora. Temos um meio de comunicação que dita normas, regras e comportamentos. Temos um meio que passa a mensagem sobre o que pensa o povo. Ou pensará. Mas será isso tão ruim assim? Não. Ainda temos o Big Brother…

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* McLuhan também é o autor da frase “Se funciona, já é obsoleto”além do termo “aldeia global”. Outras tiradas suas incluem “Posso estar errado, mas nunca estou em dúvida”, “Dinheiro é o cartão de crédito do pobre”, “O problema da educação barata é que você nunca para de pagar por ela”, “O alimento da mente é semelhante ao do corpo: o que sai nunca é igual ao que entra” e a intraduzível All advertising advertises advertising.”

E se tratando do tema mídia e comportamento, aproveito a oportunidade de postar aqui todos os trechos do documentário sobre publicidade, consumo e infância chamado “Criança, a alma do negócio”, com direção de Estela Renner, produção de Maria Farinha Produções e produção executiva de Marcos Nisti, que apresenta como uma geração inteira está sendo transformada em consumistas compulsivos através da programação televisiva e das mais diversas propagandas e publicidades dirigidas às crianças direta ou indiretamente. Crianças não tem dinheiro. Seus pais tem. Então alguém descobriu como tirar o dinheiro dos pais através de seus filhos, mesmo que isso destruísse os futuros cidadãos, produzindo uma massa inconsciente de seus deveres e da própria realidade.

Por isso penso ser tão importante o controle social da mídia e a reformulação de um conjunto de leis que possam reger melhor esse tão desequilibrado sistema, assim como o fez nossa pátria irmã, a Argentina.

Vende-se!

“Aqui tem empresa de telecomunicações e de energia elétrica. Se você não é tão ambicioso assim, temos empresas de saneamento básico, rodovias, ferrovias e portos. Mas se sua empresa é de alto padrão de exploração, podemos te entregar uma petrolífera, uma mineradora e uns gasodutos que podem gerar lucros incalculáveis. Por quanto você pode levar? A preço de banana. Quer levar? Então você precisa ter uma empresa internacional. Isso basta? Não. Você precisa também trazer algum capital. Para investir em melhores serviços? Que nada amigão, é para comprar um congresso. Você ainda pode contar com um de nossos ministros do ‘Estado Mínimo’. Só isso? Ah, desculpe, já ia me esquecendo que você precisa ter um idiota traidor na Presidência da República.”

Brasil e Argentina tem muito em comum. Pelo menos tinham. Não, não falo de futebol. Os dois países passaram por situações semelhantes. Exploração colonial e devastação de culturas nativas são pequenos exemplos. Mais recentemente podemos citar as ditaduras e os governos privatistas. Será que conseguimos calcular quantos anos de atraso tais semelhanças nos acarretaram?

Quando este tema entra em debate, sempre ouvimos o velho blá blá blá de que o país não tinha dinheiro, que as estatais eram ineficazes e que o Estado não podia arcar com estes custos. Não podia mesmo. Mas também não devia ter entregado de mão beijada como fizeram Argentina e Brasil. Hoje temos, no caso do Brasil, como reflexo desse obscuro período, Teles que são as campeãs de reclamação e fornecedoras de péssimos serviços. Temos empresas de energia elétrica que lesam os consumidores cobrando mais que o devido. Temos uma mineradora que está entre as mais poderosas do mundo, comandada pela iniciativa privada. Temos a banda larga mais lenta e mais cara do mundo. Temos, talvez, as rodovias mais pedagiadas da América Latina e quando se trafega em rodovias não privatizadas, anda-se por verdadeiros lixos que não recebem o investimento devido para justamente servirem de motivação para novas privatizações e novos pedágios. Temos ferrovias sucateadas. Temos portos, que são talvez os mais importantes ‘portões’ de entrada e saída de todo tipo de coisa importada e exportada, nas mãos da iniciativa privada. Enfim, temos muito o que tomar de volta para nosso controle ainda…

Abaixo podemos conferir dois vídeos que assisti no blog Cloaca News. O primeiro retrata como foi o período privatista argentino e quais foram as consequências para o povo argentino. O segundo, apesar de nos trazer o mestre de todas as privatizações brasileiras, FHC, mostra quem, na verdade, é o grande adorador do tal ‘Estado Mínimo’ que se mostrou como um verdadeiro assalto ao Estado brasileiro.

Será que votar no Zé Pedágio é o melhor caminho para tirar o PT do poder? Quando será que a sociedade brasileira vai entender que a polarização PTxPSDB é maléfica para nossa democracia?

Acabo de receber um link de uma notícia que mostra que a Globo não cansa de, tentar, manipular o insconsciente coletivo. Parece piada, mas não é que a emissora dos Marinho resolveu, em ano eleitoral, fazer um jingle publicitário em comemoração aos seus 45 anos de história, suja, muito semelhante, pra dizer o mínimo, com o slogan eleitoral do Zé Chirico!?

Quando ví logo me lembrei de toda a história de manipulação nos casos Brizola e Collor.

Será que a classe média tupiniquim, a mais vulnerável massa manipulada pela elite golpista, cairá no conto e na manipulação da Globo/Veja/Folha novamente? Espero que não, pois na verdade a Globo e seus parceiros não objetivam a vitória de Serra e muito menos do P$DB, mas sim a própria vitória sobre o povão mal informado.

Segue o link – http://bit.ly/cKwuDd, e o vídeo e a transcrição do texto do filme:

Texto do filme: Globo 45 anos

Nova idade, com muito mais vontade.
De querer ainda mais…
Qualidade
Emoção? Mais!
Alegria? A gente traz!
E diversão? Vamos atrás!
Mais informação? A gente é capaz!
Todos queremos mais
Educação
Saúde
E, claro, amor e paz
Brasil? Muito mais
É a sua escolha que nos satisfaz
É por você que a gente faz
Sempre mais

Seguindo neste tema, vou postar aqui as capas de algumas edições da Revista Veja que nos mostram, através de uma análise da linguagem visual utilizada pela semanal, como funciona a manipulação por “manchetes” que dizem muito mais do que o conteúdo de determinadas matérias jornalísticas (sic), se é que matéria paga leve este nome.

Fica muito claro como a Veja aborda certos assuntos analisando suas capas. Só com as cores utilizadas, conseguimos descobrir se vem bomba ou se vem açúcar para o personagem escolhido.

Aqui veio bomba:

Aqui veio açúcar:

E aqui, sabendo da linha visual de Veja em suas capas, vejamos como ela retrata os candidatos a presidência:

  

 

E, finalmente, aqui vai umas capas alternativas que caberiam bem à Veja:

Pra quem ainda não conhece a história recente de Veja e seus articulistas “assassinos de reputação”, segue o link do estudo do “caso de Veja” por um dos jornalistas, esse sim jornalista de verdade, mais respeitados do Brasil.

http://sites.google.com/site/luisnassif02/.