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100 anos de {DES}Respeito.

Na segunda-feira, dia 13 de Abril, comemoramos 100 anos da composição do nosso glorioso Hino Nacional composto pelo poeta, jornalista e crítico Osório Duque Estrada. A música já existia desde 1820 e foi composta por Francisco Manuel da Silva com verso do desembargador Ovídio Saraiva de Carvalho e Silva. Por coincidência, dois “Silva”. E como os “Silva” quase nunca agradam “as elite”, a elite da vez (a portuguesa), considerava a letra ofensiva e a ela logo foi esquecida, restando apenas a melodia instrumental. Em 1841, em comemoração a coroação de Dom Pedro II, o hino recebeu nova letra, que também foi ignorada por ele, que instituiu a melodia, sem letra, como o Hino do Império.

Em 1889, o governo fez um concurso para escolher o novo hino, desta vez de caráter republicano, devido à recente Proclamação da Republica. O poema escolhido era “Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós” de Medeiros e Albuquerque, que foi musicado por vários maestros, porém apenas quatro foram selecionados para a final. A composição de Leopoldo Miguez foi escolhida pela comissão julgadora, mas depois de ouvi-la o presidente Deodoro publicou decreto que reafirmava a música de Francisco Manuel as Silva como hino nacional. Depois disso a obra de Medeiros e Albuquerque e de Leopoldo Miguez foi nominada o Hino da Proclamação da República.

O poema de Joaquim Osório Duque Estrada foi composto em 1909 e modificado onze vezes, até que em 1922 o Presidente Epitácio Pessoa fixou a letra de Duque Estrada e a melodia de Francisco Manuel da Silva como o Hino Nacional Brasileiro apenas alguns dias antes dos 100 anos de independência. Como tudo no Brasil caminha em marcha lenta, apesar da pequena demora de 91 anos o hino estava finalmente estabelecido.

Conhecida a história de um dos mais belos e bem compostos Hinos Nacionais do mundo, precisamos refletir a atual situação deste que tem sido alvo de desrespeito e banalização por parte do povo, e principalmente por parte do setor político da nossa nação.

A data histórica mereceu homenagem, porém não de quem tem a obrigação. Isso mesmo, como é de costume, o Governo esqueceu-se dos valores maiores de uma nação, e o Hino Nacional é um deles. Enfim a homenagem vem daquela que nunca nos esquece, a família, que preparou uma série de comemorações dentre elas a elaboração de uma cartilha escolar sobre o hino. A ação pretende reatar o compromisso esquecido pela maioria das escolas de familiarizar o hino nacional entre as crianças. Pela lei, toda escola pública deve, uma vez por semana, hastear a bandeira e executar o hino de forma a popularizar esta obra tão bem feita e tão desrespeitada por alguns. Penso nas escolas que estudei, todas particulares, e não me recordo de ter tido tal experiência, desconsiderando raras vezes em que cantei o hino, todas elas em ocasiões especiais.

O Governo do Estado de São Paulo criou uma lei que obriga a execução do hino nacional em eventos esportivos em todo o estado. Pena que ao mesmo tempo, o estado em suas instalações espalhadas pelo território paulista, não fornece condições básicas para a execução. A tristeza aumenta quando a execução é num jogo de futebol, onde sabemos que organização passa longe, onde vemos um desrespeito humilhante. O Hino Nacional tocando enquanto jogadores de um time se aqueciam e do outro cumprimentavam o público. Só o trio de arbitragem alinhado e ouvindo respeitosamente. Foram cenas como essas que fomos obrigados a ver. Quando a câmera focaliza os rostos, não há surpresa em ver a maioria das pessoas desatentas e até cantando hinos das torcidas {des}organizadas. Isso é apenas um reflexo da educação escolar recebida quando criança. Mas o mais pitoresco foi publicado há alguns dias. Em eventos esportivos, o hino deve ser tocado apenas se houver publico acima de 5000 pessoas. Se forem menos será que eles não são patriotas?

Enfim, se a idéia é causar patriotismo através da execução do Hino Nacional, creio que teriam melhor resultado se prendessem um corrupto. Talvez vários.

*Fonte: o curioso blog carioca, Rio que Mora no Mar.

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