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Posts Tagged ‘PODER PÚBLICO’

“A Corte e a Plebe.”

 

“Para a corte, banquete

Para a plebe, farelo.

Esse é meu país,

Minha cidade, minha raiz.

 

Tratando de lavar os pés do feitor,

Enquanto esquece o trabalhador,

Que aqui não tem EPIs

Pra proteger, no mínimo, o nariz

Do veneno que causa dor.

 

Pra ele, aqui não há refeitório

Só o verde a contemplar da janela

Pra esquecer esse eterno velório.

 

Deste povo eu sinto pena!

Cidadãos que não condenam,

E que muitas vezes nem sabem

Que quando chega o deputado,

Surgem mesas decoradas

Com bolo e bolacha maisena.

 

Sinto que a este lugar pertenço!

Só não sei se é este tipo de governo que mereço,

Quando pago meus impostos a duro preço

Pra sustentar marmanjo sem endereço.

 

Muita gente aqui ganhou lugar,

Sem, no mínimo, um concurso a prestar!

Fazem nada o dia todo!

Mas aprenderam rapidinho a puxar de rodo,

A verba da viagem pra no particular gastar.

 

De uma coisa tenho que me conscientizar:

Precisamos a salva de palmas ignorar,

E cada vez mais aprender a assistir e analisar,

Pra no dia que o ‘dia do voto’ chegar,

Essa gente do poder nós vamos espurgar!”

Murilo Oliveira.

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A última terça-feira foi ótima. Participei da I Conferência de Comunicação do Circuito das Águas Paulista, e lá tive várias gratas surpresas. A Conferência regional definiu as diretrizes e ações que o poder público deve ter como prioridade no setor de Comunicação na ótica do Circuito das Águas Paulista, que serão enviadas à Conferência Nacional que ocorrerá em Brasília, em 2 de dezembro de 2009. Os grupos midiáticos donos do poder no setor já estão fazendo barulho contra esse encontro que vai mexer num vespeiro de abelhas africanas. Na Conferência Nacional serão discutidos temas que, há mais de 20 anos, são motivadores de lutas sociais pela democratização dos meios de comunicação, como: concessão de TVs e da radiodifusão; crescimento da internet e das novas mídias; propriedade cruzada dos meios de comunicação; fortalecimento da imprensa e culturas regionais; e concentração de veículos na mão de um mesmo grupo.

Os trabalhos iniciaram com a palestra do Prefeito de Pedreira, Hamilton Bernardes, contando a iniciativa inovadora da inclusão digital, nomeada Infovia, que surge como idéia pioneira nas cidades da região do Circuito das Águas.

A primeira grata surpresa foi a palestra da Profª Maria José da Costa Oliveira (Metrocamp), que abordou a comunicação pública, seus conceitos e rótulos. Em sua abordagem, tratou da comunicação pública como uma via de duas mãos, onde o poder público não atende as verdadeiras necessidades da população se apenas exercer uma comunicação ativa, onde apenas fornece informação de seus atos sem receber de volta as aspirações e críticas da comunidade. Dentre vários conceitos abordados, destaco o conceito da “accountability” que deve ser mais observado pelos poderes públicos de todos os níveis. Uma empresa ou entidade pública é accountable quando tem compromisso com: a transparência; a prestação de contas com veracidade, privilegiando sempre o interesse público; e a centralização dos processos nos cidadãos (público-alvo do poder público). Além disso, o poder público deve dar atenção especial à adaptação aos instrumentos necessários de comunicação com os cidadãos e a entender a complexidade da comunicação pública. O poder público, assim como a comunidade, deve ter um olhar global sobre os problemas, mas sempre agindo localmente. Fica apenas a decepção com a organização do evento que, por incrível que pareça, não ligou o computador das apresentações ao sistema de som, o que não nos permitiu ver um material com áudio produzido pela professora. Ficamos na curiosidade.

A segunda grata surpresa foi no debate após a apresentação da Profª, onde tivemos o privilégio de ouvir algumas palavras de um exemplo vivo, o Sr. Wilson, historiador, ex-exilado político, preso e torturado pela ditadura militar (vulga ditabranda by Folha de S. Paulo). Com mais de 80 anos estava lá, fazendo o que muito jovem não é capaz: pensar; agir; debater; enfim, mudar a sociedade que vivemos. Acredito que hoje vivemos uma ditadura invisível, a ditadura da mídia, e exemplos de lutas como o desse Sr. sempre são motivadores e servem como combustível para não desistirmos de nosso ideais.

A terceira grata surpresa foi logo chegando em casa para o almoço. Recebi uma ligação da prefeitura de Monte Alegre do Sul, me convocando para a vaga a qual fui aprovado no concurso deste ano. Nesta quarta fiz a entrevista no RH e já assinei minha convocação. Agora sou funcionário público.

Voltando do almoço, presenciei a última – e na minha opinião, a melhor – grata surpresa do dia: a palestra do Prof. Hélio Sôlha (Unicamp) que abordou a mídia, seus conceitos, características particulares da mídia brasileira e a necessidade da regulamentação do setor. Foi uma palestra sensacional, e por isso vou dedicar um artigo exclusivamente falando desta palestra no blog, pois aqui faltaria espaço pra tanta informação importante. Sôlha define o ambiente mídia como a “privatização do espaço público”, onde o conceito de cidadania tem uma dupla classificação: o cidadão consumidor e o não consumidor. O capitalismo contemporâneo, dentre outros conceitos, exige o crescimento incessante do consumo e a “venda de olhares” e tudo isso acontece no espaço público, a mídia. Hoje, nada acontece se não estiver na mídia. Movimentos sociais, culturais, etc., ou seja, tudo só tem visibilidade à população se a mídia der a visibilidade necessária. A campanha política só acontece se estiver na mídia, e a discussão em praça pública tornou-se refém da mídia. Entende-se então que a vida social é regulada pelo espaço público (que antigamente eram as praças, e hoje é a mídia), e se o espaço público não tem controle, perdemos também o controle da vida social. Aqui encontramos uma das razões de termos uma sociedade tão anestesiada em relação à vida em sociedade, à cidadania propriamente dita.

Lembro ainda de uma citação feita pela Profª Maria José da Costa Oliveira de uma frase dita por Washington Olivetto, um dos mais bem sucedidos publicitários brasileiros, que uma vez confessou que a atual situação da sociedade brasileira é, em grande parte, em decorrência da desconstrução de valores provocada pela mídia e suas incansáveis campanhas publicitárias.

Para terminar, vou publicar aqui dois conceitos que destaquei na apresentação de Sôlha que acho que temos de refletir e discutir muito mais:
“ – Regular a mídia é regular o espaço público redefinido pelo ambiente mídia”; “ – Estabelecer um controle social sobre a mídia significa rediscutir o direito à liberdade de expressão pela ótica do DIREITO PÚBLICO”.

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