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Posts Tagged ‘STF’

Há alguns dias assisti entrevista do Supremo Presidente do Supremo, Gilmar Mendes, produzida pelo STF e veiculada em parceria com o youtube. Uma excelente forma de “conversa” com a população que enviou e votou nas perguntas que seriam feitas a ele sem nenhuma interferência do youtube ou do STF, mas que se transformou numa verdadeira arapuca pro coronel. Como alguns políticos que usam o twitter pra falar, em vez de fazer, Gilmar Mendes achou que estaria tudo sob controle naquilo que seria um marco no modelo de comunicação da mais alta corte brasileira, mas ele não imaginou que, sem o filtro da censura imposta pelo poder econômico que seleciona o que e como serão discutidos os assuntos no monopólio midiático nacional, o povo, as pessoas comuns, o colocou na parede, deixando-o em posição acuada como nenhum meio de comunicação conseguiu deixá-lo durante seu reinado. É, o povo sabe o que faz. O povo sabe pensar, apesar da tentativa de imposição de idéias e opiniões emplacada pelo quarteto Globo/Veja/Folha/Estadão. Segue artigo de Leandro Fortes, do blog Brasília, eu vi, e o vídeo da entrevista, é claro.  

Divirtam-se:    

Saída pela direita.

 

“No fim das contas, a função primordial do ministro Gilmar Mendes à frente do Supremo Tribunal Federal foi a de produzir noticiário e manchetes para a falange conservadora que tomou conta de grande parte dos veículos de comunicação do Brasil. De forma premeditada e com muita astúcia, Mendes conseguiu fazer com que a velha mídia nacional gravitasse em torno dele, apenas com a promessa de intervir, como de fato interveio, nas ações de governo que ameaçavam a rotina, o conforto e as atividades empresariais da nossa elite colonial. Nesse aspecto, os dois habeas corpus concedidos ao banqueiro Daniel Dantas, flagrado no mesmo crime que manteve o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda no cárcere por 60 dias, foram nada mais que um cartão de visitas. Mais relevante do que tudo foi a capacidade de Gilmar Mendes fixar na pauta e nos editoriais da velha mídia a tese quase infantil da existência de um Estado policialesco levado a cabo pela Polícia Federal e, com isso, justificar, dali para frente, a mais temerária das gestões da Suprema Corte do País desde sua criação, há mais cem anos.  

Num prazo de pouco menos de dois anos, Mendes politizou as ações do Judiciário pelo viés da extrema direita, coisa que não se viu nem durante a ditadura militar (1964-1985), época em que a Justiça andava de joelhos, mas dela não se exigia protagonismo algum. Assim, alinhou-se o ministro tanto aos interesses dos latifundiários, aos quais defende sem pudor algum, como aos dos torturadores do regime dos generais, ao se posicionar publicamente contra a revisão da Lei da Anistia, de cuja à apreciação no STF ele se esquivou, herança deixada a céu aberto para o novo presidente do tribunal, ministro Cezar Peluso. Para Mendes, tal revisão poderá levar o País a uma convulsão social. É uma tese tão sólida como o conto da escuta telefônica, fábula jornalística que teve o presidente do STF como personagem principal a dialogar canduras com o senador Demóstenes Torres, do DEM de Goiás.  

A farsa do grampo, publicada pela revista Veja e repercutida, em série, por veículos co-irmãos, serviu para derrubar o delegado Paulo Lacerda do comando da PF, com o auxílio luxuoso do ministro da Defesa, Nelson Jobim, que se valeu de uma mentira para tal. E essa, não se enganem, foi a verdadeira missão a ser cumprida. Na aposentadoria, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá tempo para refletir e registrar essa história amarga em suas memórias: o dia em que, chamado “às falas” por Gilmar Mendes, não só se submeteu como aceitou mandar para o degredo, em Portugal, o melhor e mais importante diretor geral que a Polícia Federal brasileira já teve. O fez para fugir de um enfrentamento necessário e, por isso mesmo, aceitou ser derrotado. Aliás, creio, a única verdadeira derrota do governo Lula foi exatamente a de abrir mão da política de combate permanente à corrupção desencadeada por Lacerda na PF para satisfazer os interesses de grupos vinculados às vontades de Gilmar Mendes.  

O presidente do STF deu centenas de entrevistas sobre os mais diversos assuntos, sobretudo aqueles sobre os quais não poderia, como juiz, jamais se pronunciar fora dos autos. Essa é, inclusive, a mais grave distorção do sistema de escolha dos nomes ao STF, a de colocar não-juízes, como Mendes, na Suprema Corte, para julgar as grandes questões constitucionais da nação. Alheio ao cargo que ocupava (ou ciente até demais), o ministro versou sobre tudo e sobre todos. Deu força e fé pública a teses as mais conservadoras. Foi um arauto dos fazendeiros, dos banqueiros, da guarda pretoriana da ditadura militar e da velha mídia. Em troca, colheu farto material favorável a ele no noticiário, um relicário de elogios e textos laudatórios sobre sua luta contra o Estado policial, os juízes de primeira instância, o Ministério Público e os movimentos sociais, entre outros moinhos de vento vendidos nos jornais como inimigos da democracia.  

Na imprensa nacional, apenas CartaCapital, por meio de duas reportagens (“O empresário Gilmar” e Nos rincões de Mendes”), teve coragem de se contrapor ao culto à personalidade de Mendes instalado nas redações brasileiras como regra de jornalismo. Por essa razão, somos, eu e a revista, processados pelo ministro. Acusa-nos, o magistrado, de má fé ao divulgar os dados contábeis do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), uma academia de cursinhos jurídicos da qual Mendes é sócio. Trata-se de instituição construída com dinheiro do Banco do Brasil, sobre terreno público praticamente doado pelo ex-governador do DF Joaquim Roriz e mantido às custas de contratos milionários fechados, sem licitação, com órgãos da União.  

Assim, a figura de Gilmar Mendes, além de tudo, está inserida eternamente em um dos piores momentos do jornalismo brasileiro. E não apenas por ter sido o algoz do fim da obrigatoriedade do diploma para se exercer a profissão, mas, antes de tudo, por ter dado enorme visibilidade a maus jornalistas e, pior ainda, fazer deles, em algum momento, um exemplo servil de comportamento a ser seguido como condição primordial de crescimento na carreira. Foi dessa simbiose fatal que nasceu não apenas a farsa do grampo, mas toda a estrutura de comunicação e de relação com a imprensa do STF, no sombrio período da Idade Mendes.  

Emblemática sobre essa relação foi uma nota do informe digital “Jornalistas & Companhia”, de abril de 2009, sobre o aniversário do publicitário Renato Parente, assessor de imprensa de Gilmar Mendes no STF (os grifos são originais):   

“A festa de aniversário de 45 anos de Renato Parente, chefe do Serviço de Imprensa do STF (e que teve um papel importante na construção da TV Justiça, apontada como paradigma na área da tevê pública), realizada na tarde do último domingo (19/4), em Brasília, mostrou a importância que o Judiciário tem hoje no cenário nacional. Estiveram presentes, entre outros, a diretora da Globo, Sílvia Faria, a colunista Mônica Bergamo, e o próprio presidente do STF, Gilmar Mendes, entre outros.”  

Olha, quando festa de aniversário de assessor de imprensa serve para mostrar a importância do Poder Judiciário, é sinal de que há algo muito errado com a instituição. Essa relação de Renato Parente com celebridades da mídia é, em todos os sentidos, o pior sintoma da doença incestuosa que obriga jornalistas de boa e má reputação a se misturarem, em Brasília, em cerimônias de beija-mão de caráter duvidoso. Foi, como se sabe, um convescote de sintonia editorial. Renato Parente é o chefe da assessoria que, em março de 2009, em nome de Gilmar Mendes, chamou o presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), às falas, para que um debate da TV Câmara fosse retirado do ar e da internet. Motivo: eu critiquei o posicionamento do presidente do STF sobre a Operação Satiagraha e fiz justiça ao trabalho do delegado federal Protógenes Queiroz, além de citar a coragem do juiz Fausto De Sanctis ao mandar prender, por duas vezes, o banqueiro Daniel Dantas.      

Certamente em consonância com o “paradigma na área de tevê pública” da TV Justiça tocada por Renato Parente, a censura na Câmara foi feita com a conivência de um jornalista, Beto Seabra, diretor da TV Câmara, que ainda foi mais além: anunciou que as pautas do programa “Comitê de Imprensa”, a partir dali, seriam monitoradas. Um vexame total. Denunciei em carta aberta aos jornalistas e em todas as instâncias corporativas (sindicatos, Fenaj e ABI) o ato de censura e, com a ajuda de diversos blogs, consegui expor aquela infâmia, até que, cobrada publicamente, a TV Câmara foi obrigada a capitular e recolocar o programa no ar, ao menos na internet. Foi uma das grandes vitórias da blogosfera, até então, haja vista nem um único jornal, rádio ou emissora de tevê, mesmo diante de um gravíssimo caso de censura e restrição de liberdade de expressão e imprensa, ter tido coragem de tratar do assunto. No particular, no entanto, recebi centenas de e-mails e telefonemas de solidariedade de jornalistas de todo o país.      

Não deixa de ser irônico que, às vésperas de deixar a presidência do STF, Gilmar Mendes tenha sido obrigado, na certa, inadvertidamente, a se submeter ao constrangimento de ver sua gestão resumida ao caso Daniel Dantas, durante entrevista no youtube. Como foi administrada pelo Google, e não pelo paradigma da TV Justiça, a sabatina acabou por destruir o resto de estratégia ainda imaginada por Mendes para tentar passar à história como o salvador da pátria ameaçada pelo Estado policial da PF. Ninguém sequer tocou nesse assunto, diga-se de passagem. As pessoas só queriam saber dos HCs a Daniel Dantas, do descrédito do Judiciário e da atuação dele e da família na política de Diamantino, terra natal dos Mendes, em Mato Grosso. Como último recurso, a assessoria do ministro ainda tentou tirar o vídeo de circulação, ao menos no site do STF, dentro do sofisticado e democrático paradigma de tevê pública bolado por Renato Parente.      

Como derradeiro esforço, nos últimos dias de reinado, Mendes dedicou-se a dar entrevistas para tentar, ainda como estratégia, vincular o próprio nome aos bons resultados obtidos por ações do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), embora o mérito sequer tenha sido dele, mas de um juiz de carreira, Gilson Dipp. Ministro do Superior Tribunal de Justiça e corregedor do órgão, Dipp foi nomeado para o cargo pelo presidente Lula, longe da vontade de Gilmar Mendes. Graças ao ministro do STJ, foi feita a maior e mais importante devassa nos tribunais de Justiça do Brasil, até então antros estaduais intocáveis comandados, em muitos casos, por verdadeiras quadrilhas de toga.      

É de Gilson Dipp, portanto, e não de Gilmar Mendes, o verdadeiro registro moralizador do Judiciário desse período, a Idade Mendes, de resto, de triste memória nacional.      

Mas que, felizmente, se encerra hoje.”      

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Diploma de jornalista: o buraco é mais embaixo

“…sambista não tem valor nessa terra de doutor e seu doutor o meu pai tinha razão”, canta Paulinho da Viola, no samba intitulado “14 anos”.

Acrescento ao sambistas sem valor os pedreiros, carpinteiros, maquinistas, estivadores, lixeiros, lavradores, camponeses, cortadores de cana, peão de fazenda e de obra, barrageiros, bóias frias, ascensoristas, cobradores, motoristas, carregadores, domésticas, faxineiras e pescadores. A lista é imensa. Esses milhões, a ninguenzada, como dizia o saudoso Darcy Ribeiro, que construíram e constroem o Brasil, têm um traço em comum: exercem profissões de trabalho manual. E é aqui que a cousa pega. Nesse nosso país de doutores, trabalho manual, braçal, é quase indigno. Vale pouco e ganha pouco, herança terrível de 400 anos de escravidão, que pesa sobre nossos ombros.

Vejam que exemplo histórico: José Thomaz Nabuco, filho do intelectual e abolicionista Joaquim Nabuco, no livro “Um médico do Brasil Colônia”, editora Nova Fronteira, 1986, às tantas narra que nosso antepassado comum, Manoel Fernandez Nabuco, chegado à Bahia em 1763, vindo da Vila de Escalhão, Portugal, era médico, naquela época chamado cirurgião, e para ter seu diploma reconhecido pelo cirurgião mor da corte e a licença de “el rei” para exercer sua profissão precisou provar que seus pais e avós paternos e maternos viviam de “suas fazendas”, ou seja: das suas rendas, o que significava não terem exercido trabalhos manuais ou braçais.

Que carga pesada herdamos. Para limpar essa marca ignóbil, que vem de muito longe, ter um diploma universitário é uma das formas mais buscadas e aceitas. Então dá-lhe abertura de faculdades de fachada, arapucas pra tomar dinheiro basicamente dos filhos dessa “ninguenzada” que listei antes. O cidadão, a cida-dã, vai continuar feirante, mecânico, manicure, vendedora, auxiliar administrativo, mas poderá, com orgulho, dizer “eu tenho um diploma da faculdade”, ou melhor e mais bonito, “eu sou doutor”.

Todos os bacharéis e licenciados formados no ensino superior são doutores sem ter feito mestrado e muito menos doutorado. São os advo-gados, médicos, dentistas, engenheiros, procu-radores, juízes, deputados… até os delegados de polícia. Os bacharéis que são doutores.

Como titulei, o buraco é mais embaixo. O que precisamos, de fato, é tratar dignamente, principalmente remunerar dignamente todo esse povo, esses milhões que fazem nosso país. Se assim fizéssemos, não haveria essa pressão violenta para conseguir o diploma universitário. Uma boa formação, um bom ensino de segundo grau, um bom salário bastariam para uma vida digna e cidadã.

A profissão de jornalista é muito importante, fundamental mesmo para se construir sociedades democráticas, plurais, mais justas e igualitárias. Seu reconhecimento e regulamentação não deve se limitar à obrigatoriedade do diploma universitário. Deve ser bem remunerada, prote-gida nos seus direitos e benefícios e admirada pela qualidade da sua produção, independência, senso crítico e ético e não apenas por um diploma que, no mais das vezes, veio de faculdades nascidas para aplacar a mancha horrenda de não sermos doutores.

Com essa visão, me pergunto por que precisamos de advogados, que obrigatoriamente precisam de diplomas de faculdades de direito, geralmente de baixíssima qualidade. Deveríamos também poder defender nossos direitos de cidadãos frente a qualquer arbitrariedade, seja da esfera pública ou da privada, com ou sem advogados, mas sim protegidos por uma vivência democrática, a constituição federal e um conjunto de leis conhecidas e respeitadas. Assim fosse e esse imenso cartório, essa reservona de mercado seria menor e menos nociva. Nada contra os advogados, penso que isso vale para muitas outras profissões que poderão ser exercidas sem a obrigatoriedade do diploma universitário específico. Claro que a sofisticação e diversidade das atividades econômicas exigem formação especializada, inclusive bons advogados. Mas insisto: não é apenas a obrigatoriedade do diploma que a possibilita.

Essas reservonas não interessam aos jornalistas, às suas lutas e reconhecimento. Penso que eles precisam trazer para esse nobre ofício um número cada vez maior de gentes com talento, com ou sem o diploma, inclusive os milhares de jovens que hoje lutam para dar voz à suas comunidades através de rádios comunitárias, jornais, revistas, blogs e outros variados meios por todo esse nosso Brasil.

Wagner Nabuco é historiador, diretor-geral da Caros Amigos, sem diploma de administrador de empresas.

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O jeito ‘Veja de ver a vida’


Já é sabido que a revista Veja gosta de ver a vida de uma maneira que só ela vê. A maneira que muitos dos figurões das manchetes adoram.

Outro dia estava em casa e me encorajei em dar umas foliadas numa Veja, e quando me deparei com uma matéria sobre a discussão entre Joaquim Barbosa e Gilmar Mendes no STF, me diverti com o modo ‘Veja de ver o acontecido’. Segue abaixo:

“Na semana passada, durante uma rude discussão sobre a aposentadoria de servidores do Paraná, o ministro Joaquim Barbosa atacou o presidente Gilmar Mendes COM UMA SÉRIE DE ACUSAÇÕES SEM FUNDAMENTO QUE ELE LEU EM ALGUM PANFLETO PARTIDÁRIO.”

Veja se referia à matéria sensacional de Leandro Fortes (CartaCapital) que foi investigar e descobriu que o Supremo Presidente do Supremo tem negócios nada convencionais em sua terra natal, Diamantino-MT. Acredito que o número 1 da hierarquia da Justiça Nacional deveria ser o exemplo de todos os exemplos, mas Gilmar Mendes pelo o que conta Leandro Fortes, não é nada disso. Dentre os negócios, Gilmar montou uma escola que obteve contratos sem licitação com órgãos públicos e empréstimos camaradas em agências de fomento, instalou o Frigorífico Bertin, condenado pelo CADE por FORMAÇÃO DE CARTEL e fundou a Uned que recebeu do prefeito, e irmão Chico Mendes, facilidades no IPTU e ISS. A reportagem ainda conta sobre o assassinato de uma jovem que se opôs a Chico Mendes, uma possível formação de um “núcleo de inteligência” por Gilmar Mendes, ajuda na eleição do irmão e bate-bocas de mangas arregaçadas com adversários políticos.

Essas são as ‘acusações sem fundamento’ que Veja destacou. Veja chamou a atitude de repúdio ao ‘jeito Gilmar Mendes de presidir o STF’ por Joaquim Barbosa de “um dia de índio”, e insinuou que os outros ministros chegaram a pensar em impeachment, quando todos os outros veículos de informação nem chegaram perto dessa alucinação. Impeachment deveria sofrer o Supremo Presidente, que expõe opiniões sobre processos que ainda vai julgar, tem negócios suspeitos e chama o presidente da nação às falas por um suposto grampo em seu telefone, que nunca foi ouvido por ninguém ate hoje. Sobre isso aliás o ministro do TSE Aires Brito disse que não se preocupa com grampos, pois não tem nada a esconder. Por que será que Gilmar Mendes se enlouqueceu com uma possível escuta? Será que ele precisa esconder alguma coisa?

Pra piorar, em trecho que segue, Veja caminha sobre a tênue linha entre a ambigüidade e o racismo:
“Barbosa, filho de pedreiro, que sempre estudou em escola pública, recebeu a toga de Lula em 2003. Foi escolhido por seus inegáveis méritos jurídicos, mas também pela disposição do presidente da República de nomear alguém com o perfil de Barbosa.”

Perfil = Negro?

Veja = Mentira.

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Gilmar Mendes: um caso a parte.


Não vou dizer nada. Apenas gostaria que TODO brasileiro lesse essas coisas:

Clique aqui para ir ao abaixo assinado que pede o impeachment de Mendes

– Carta aberta do Jornalista Leandro Fortes:

“No dia 11 de março de 2009, fui convidado pelo jornalista Paulo José Cunha, da TV Câmara, para participar do programa intitulado Comitê de Imprensa, um espaço reconhecidamente plural de discussão da imprensa dentro do Congresso Nacional. A meu lado estava, também convidado, o jornalista Jailton de Carvalho, da sucursal de Brasília de O Globo. O tema do programa, naquele dia, era a reportagem da revista Veja, do fim de semana anterior, com as supostas e “aterradoras” revelações contidas no notebook apreendido pela Polícia Federal na casa do delegado Protógenes Queiroz, referentes à Operação Satiagraha.Eu, assim como Jailton, já havia participado outras vezes do Comitê de Imprensa, sempre a convite, para tratar de assuntos os mais diversos relativos ao comportamento e à rotina da imprensa em Brasília. Vale dizer que Jailton e eu somos repórteres veteranos na cobertura de assuntos de Polícia Federal, em todo o país. Razão pela qual, inclusive, o jornalista Paulo José Cunha nos convidou a participar do programa.

Nesta carta, contudo, falo somente por mim.Durante a gravação, aliás, em ambiente muito bem humorado e de absoluta liberdade de expressão, como cabe a um encontro entre velhos amigos jornalistas, discutimos abertamente questões relativas à Operação Satiagraha, à CPI das Escutas Telefônicas Ilegais, às ações contra Protógenes Queiroz e, é claro, ao grampo telefônico – de áudio nunca revelado – envolvendo o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres, do DEM de Goiás. Em particular, discordei da tese de contaminação da Satiagraha por conta da participação de agentes da Abin e citei o fato de estar sendo processado por Gilmar Mendes por ter denunciado, nas páginas da revista Carta Capital, os muitos negócios nebulosos que envolvem o Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), de propriedade do ministro, farto de contratos sem licitação firmados com órgãos públicos e construído com recursos do Banco do Brasil sobre um terreno comprado ao governo do Distrito Federal, à época do governador Joaquim Roriz, com 80% de desconto. Terminada a gravação, o programa foi colocado no ar, dentro de uma grade de programação pré-agendada, ao mesmo tempo em que foi disponibilizado na internet, na página eletrônica da TV Câmara. Lá, qualquer cidadão pode acessar e ver os debates, como cabe a um serviço público e democrático ligado ao Parlamento brasileiro. O debate daquele dia, realmente, rendeu audiência, tanto que acabou sendo reproduzido em muitos sites da blogosfera.

Qual foi minha surpresa ao ser informado por alguns colegas, na quarta-feira passada, dia 18 de março, exatamente quando completei 43 anos (23 dos quais dedicados ao jornalismo), que o link para o programa havia sido retirado da internet, sem que me fosse dada nenhuma explicação. Aliás, nem a mim, nem aos contribuintes e cidadãos brasileiros. Apurar o evento, contudo, não foi muito difícil: irritado com o teor do programa, o ministro Gilmar Mendes telefonou ao presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, do PMDB de São Paulo, e pediu a retirada do conteúdo da página da internet e a suspensão da veiculação na grade da TV Câmara. O pedido de Mendes foi prontamente atendido.Sem levar em conta o ridículo da situação (o programa já havia sido veiculado seis vezes pela TV Câmara, além de visto e baixado por milhares de internautas), esse episódio revela um estado de coisas que transcende, a meu ver, a discussão pura e simples dos limites de atuação do ministro Gilmar Mendes. Diante desta submissão inexplicável do presidente da Câmara dos Deputados e, por extensão, do Poder Legislativo, às vontades do presidente do STF, cabe a todos nós, jornalistas, refletir sobre os nossos próprios limites. Na semana passada, diante de um questionamento feito por um jornalista do Acre sobre a posição contrária do ministro em relação ao MST, Mendes voltou-se furioso para o repórter e disparou: “Tome cuidado ao fazer esse tipo de pergunta”. Como assim? Que perguntas podem ser feitas ao ministro Gilmar Mendes? Até onde, nós, jornalistas, vamos deixar essa situação chegar sem nos pronunciarmos, em termos coletivos, sobre esse crescente cerco às liberdades individuais e de imprensa patrocinados pelo chefe do Poder Judiciário? Onde estão a Fenaj, e ABI e os sindicatos?

Apelo, portanto, que as entidades de classe dos jornalistas, em todo o país, tomem uma posição clara sobre essa situação e, como primeiro movimento, cobrem da Câmara dos Deputados e da TV Câmara uma satisfação sobre esse inusitado ato de censura que fere os direitos de expressão de jornalistas e, tão grave quanto, de acesso a informação pública, por parte dos cidadãos. As eventuais disputas editoriais, acirradas aqui e ali, entre os veículos de comunicação brasileiros não pode servir de obstáculo para a exposição pública de nossa indignação conjunta contra essa atitude execrável levada a cabo dentro do Congresso Nacional, com a aquiescência do presidente da Câmara dos Deputados e da diretoria da TV Câmara que, acredito, seja formada por jornalistas.

Sem mais, faço valer aqui minha posição de total defesa do direito de informar e ser informado sem a ingerência de forças do obscurantismo político brasileiro, apoiadas por quem deveria, por dever de ofício, nos defender.

Leandro Fortes Jornalista Brasília, 19 de março de 2009.”

– No blog do Paulo Henrique Amorim:

“Empresário Gilmar Mendes faz política e negócios em Diamantino

17/novembro/2008 15:02

Carta Capital mostra, em reportagem de Leandro Fortes, como opera o coronel Gilmar Mendes em Diamantino, Mato Grosso

Mendes instalou em Diamantino uma empresa condenada por formação de cartel.

Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista

Leandro Fortes é o repórter da Carta Capital que demonstrou como o Supremo Presidente do Supremo, Gilmar Mendes, acumula as atividades de Chefe da Magistratura com a de dono de um negocio que se excede em irregularidades.

O negócio é uma escola, o Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), que obteve contratos sem licitação com órgãos públicos e empréstimos camaradas em agências de fomento.

A resposta de Mendes à acusação foi peremptória: a Carta Capital é uma revista de “péssima qualidade”.

O Supremo Presidente prefere a Veja…

Na edição que está nas bancas, Fortes volta a Mendes.

Fortes foi a Diamantino, cidade de Mato Grosso, a 208 quilômetros de Cuiabá.

Ali, Mendes é o rei do pedaço.

Sem nenhum pudor, arregaça as mangas, bate boca com os adversários e milita nas eleições municipais ao lado do irmão, Chico Mendes, que controlou a cidade até a ultima eleição.

Mendes usa o cargo (ou, os cargos, desde o tempo iluminado do Farol de Alexandria) para eleger o irmão.

Foi Mendes quem instalou em Diamantino o Frigorífico Bertin, ao mesmo tempo em que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o CADE, condenou o Bertin por formação de cartel.

O Governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, na solenidade de lançamento do Bertin em Diamantino falou sem papas na língua: “Gilmar Mendes vale por todos os deputados e senadores de Mato Grosso”.

Isso é que ser um Presidente Supremo.

A reportagem de Fortes fala das ligações de Mendes com um Ministro dos Transportes de FHC, Eliseu Padilha.

E da sociedade de Mendes com um assessor de Padilha, acusado de formar quadrilha no Ministério dos Transportes

Mendes se associou a ele para fundar o quê?

Uma faculdade em Diamantino: a Faculdade de Ciências Sociais e Aplicadas, a Uned.

O irmão de Gilmar, o então prefeito Chico Mendes, compreendeu o alcance daquele empreendimento para a Civilização Ocidental e deu “umas facilidades” no capitulo dos tributos, o IPTU e o ISS.

A reportagem de Fortes descreve também o assassinato de uma jovem que se opôs a Chico Mendes.

Mas, aí, é melhor ler a integra no site da Carta Capital

– Também no Blog do Paulo Henrique:

Carta: Gilmar é quem vaza para a Veja. Ele queria copiar Serra. E Itagiba sabia

5/dezembro/2008 14:47

Mendes entregou falso grampo à Veja e não à PF

Leandro Fortes da Carta Capital acaba de publicar na revista que vai hoje à tarde para as bancas reportagem que desmonta, irremediavelmente, a farsa montada por Gilmar Mendes: a do “Estado Policial”…

O Estado Policial é ele.

Ele é o Golpe de “Estado de Direita” !

Clique aqui para ir ao abaixo assinado que pede o impeachment de Mendes

Leia algumas das revelações da Carta Capital:

“O militar (Sergio de Souza Cirillo, que trabalhava na Segurança de Mendes) pode confirmar que foi no gabinete da presidência do tribunal que um repórter da revista Veja teve acesso a um relatório sigiloso do setor de inteligência sobre a possibilidade de ter havido escuta ambiental na Alta Corte. Apesar de inconclusivo, o tal relatório motivou uma
reportagem de capa da revista, virou tema de debate nacional e serviu como elemento da tese do “Estado policial”, mais tarde reforçada pelo vazamento de um diálogo entre Mendes e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). Sabe-se, até o momento, que a Polícia Federal não encontrou nenhum vestígio da existência do tal grampo.”

Mas foi ele que provocou a degola do ínclito delegado Paulo Lacerda e sustenta a farsa que é essa CPI dos Grampos, ou CPI dos Amigos de Dantas… – PHA )

Continua Leandro Fortes:

“Mendes pretendia formar um núcleo de inteligência nos moldes daquele montado por José Serra, em 1999, no Ministério da Saúde, sob os auspícios do atual deputado Marcelo Itagiba (PMDBRJ), presidente da CPI dos Grampos. Para tal, seguiu os conselhos de um velho amigo e companheiro do governo Fernando Henrique Cardoso: o general Alberto Cardoso.”

Leandro Fortes também demonstra que Marcelo Itagiba, o Serrista n.1, sempre soube, naquela farsa da CPI dos Amigos de Dantas, que a origem do grampo é o Supremo Presidente Gilmar Mendes !!!

E, agora, o que fará a Polícia Federal dos Amigos de Dantas ?

O que fará o Ministro da Justiça Abelardo Jurema ?

O que fará o presidente que tem medo ?

Clique aqui para ir ao site da Carta Capital

Clique aqui para ler sobre o Plano Cohen.

Clique aqui para ler sobre a Carta Brandi.

Não estou dizendo nada. Apenas leio. Mas não leio Veja.

Clique aqui para ir ao abaixo assinado que pede o impeachment de Mendes

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No último dia 13 de abril os três poderes brasileiros uniram-se nas figuras de Lula, Sarney e Gilmar Mendes para assinar o II Pacto Republicano, que de republicano tem quase nada.

Sob a regência de Gilmar Medes, o acordo entre os três poderes têm como finalidades superficiais o aumento da agilidade, do acesso irrestrito e da eficiência do judiciário nacional. Porém numa analise mais profunda como a de Janice Ascari, procuradora de República e responsável pelas investigações de casos como o do Juiz Lalau e do Juiz João Carlos da Rocha Mattos (que comandava um esquema de venda de sentenças), conseguimos entender qual o único e derradeiro motivo de tal acordo: manter as coisas como elas sempre foram.

Vamos aos pontos. O pacto tem como objetivo:

– Dificultar as escutas telefônicas legais, sob o argumento de abusos. Num país com 44 milhões de telefones fixos e 145 milhões de celulares, não consigo ver abuso em autorização de 3.814 escutas legais, que há seis meses eram mais de 12.000, conforme informações do CNJ (Conselho Nacional de Justiça).

– Revisar a legislação sobre abuso de autoridade. Não aquele abuso cometido pela Guarda Municipal cidade ou pela PM do seu estado, pois dos seus direitos, eles não querem nem saber. Querem revisar os supostos abusos de autoridade cometidos em operações da PF, onde os alvos sempre são “peixes grandes”, o que vai favorecer a impunidade de quem ocupa cargos públicos mais elevados. Gilmar Mendes acha incorreta a exibição de um preso algemado, mas nunca o vi repreendendo a polícia militar que levanta a cara do ladrão de galinha quando a câmera o focaliza. Pobre não entra nas contas dele.

– Aprovar no congresso lei que permita ao réu que se sentir “lesado” por uma decisão de primeira instância, a recorrer diretamente ao STF. Dizem que se aprovada, o STF que foi criado para guardar a constituição e os nossos direitos, será transformado em um tribunal de pequenas causas. Mas não a sua, ou você acha que o cidadão José vai conseguir recorrer ao STF por que a prefeitura não pagou o seu precatório que, aliás, foi julgado no STF que os órgãos públicos tinham que pagá-los, mas o congresso, sofrendo pressões de prefeitos e partidos, está estudando aprovação de lei que prorroga o prazo de pagamento novamente, ou seja, querem legalizar o calote fazendo que muito possuidores de precatórios, por necessidade ou desesperança de receber, os vendam no mercado negro por preços irrisórios. Concluo que essa lei vai ser apenas para que os “Daniels Dantas” recorram ao STF quando um juizinho metido com o De Sanctis resolver aplicar as leis vigentes e mandar prendê-los. Mas por que será que os “peixes grandes” preferem ser julgados pelo STF, que dentro da normalidade, seria muitas vezes até mais rigoroso que juízes de instâncias menores? Será que no STF eles conseguem algum tratamento especial? Acho que não, talvez seja por que lá o cafezinho tenha mais açúcar.

– E o objetivo mais repudiante, é a proposta de emenda à constituição (PEC 358/2005) que aumenta o alcance do foro especial, incluindo mais autoridades antes não incluídas, e estende o mesmo privilégio às ações civis de improbidade (mau uso do dinheiro público) inclusive para ex-ocupantes de cargos públicos.

Gostaria de saber: onde está o REPUBLICANO no pacto? Favorecer maus funcionários públicos é republicano? Permitir que “peixes grandes” não sejam julgados por instâncias menores é republicano? Legalizar o calote é republicano? Permitir que acusados de improbidade não sejam condenados é ser republicano?

Talvez na República das Bananas… E talvez por isso, o STF não condena um político há 40 anos…

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