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Posts Tagged ‘TRÂNSITO’

* O artigo foi publicado também pelo jornal “A Tribuna”.


Há algumas semanas presenciei um triste discurso do Vereador Carlos Alberto na tribuna da Câmara Municipal sobre as ciclovias (ou trechos de ciclovia) recém introduzidas em algumas vias da cidade. Não escrevi antes sobre o assunto por pura falta de tempo, mas minha indignação não me fez esquecer o assunto.

Desde minha adolescência fui um apaixonado por bicicleta. Com ela ia às aulas na escola, no curso de inglês, na casa de amigos, cachoeiras, padaria e até a outras cidades como Monte Alegre do Sul e Serra Negra. Quando completei 18 anos minha primeira atitude foi ir a uma auto-escola e daí em diante andar de bicicleta tornou-se cada vez mais uma forma de fazer um passeio, deixando de ser meu principal meio de transporte, o que me fez cada vez mais dependente do carro como único meio de transporte. Resultado: hoje tenho 25 quilos a mais que quando tinha meus 17 anos e algumas toneladas de CO2 dispersados na nossa linda terrinha.

Contei essa breve lembrança dos meus bons tempos de ciclista para o nobre Sr. Vereador Carlos Alberto entender que ciclovia não é uma ‘pistinha’ que deve se limitar ao parque linear. Como ele disse: “Se quer andar de bicicleta, que fique no parque linear!”, eu digo: “Se quer andar de carro que vá andar só na pista de Interlagos!”

Precisamos entender que a ciclovia é um espaço reservado que dá condições de conforto e segurança aos ciclistas que utilizam a bicicleta como meio de transporte, e não só como meio diversão e exercício físico. A ciclovia deve ser estendida estrategicamente por todas as pontas da cidade de forma a possibilitar que as pessoas que escolherem utilizar a bicicleta como meio de transporte, muito mais saudável e correto ecologicamente do que o carro, tenham condições de mudar suas opções de transporte.

Se alguém achar que não é necessário, por favor, pegue uma bicicleta e tente andar na Rua Comendador Guimarães. Eu DUVIDO que essa pessoa resista a subir na calçada e ande só no paralelepípedo. É impossível andar em ruas como aquela sem ficar com dores nas costas e nos braços.

Para o argumento do nobre Sr. Vereador Carlos Alberto de que Amparo é uma cidade de topografia muito complicada, onde ‘só tem morro’, digo que se a ciclovia acompanhasse o rio Camanducaia de ponta a ponta da cidade, muitos dos moradores de bairros afastados que não possuem carro poderiam atravessar a cidade sem subir um morro sequer. Apenas teriam que subir um único morro que ligaria a ciclovia a suas casas em qualquer bairro da cidade, basta pensar. Por exemplo na avenida principal do Barassa, caminho para Jd. São Dimas e outros, não haveria a ‘briga’ por um espaço na rua como existe hoje entre carros, motos, bicicletas e até pedestres, que não tem calçada por pura falta de fiscalização da Prefeitura, já que ela tem que obrigar o proprietário do imóvel a construir e conservar a calçada, também conhecida como passeio.

Fiz questão de pedir um minuto do tempo do nobre vereador no dia do seu infeliz discurso para mostrar minha bicicleta, amarrada no poste em frente à Câmara Municipal, para mostrá-lo que existia ali um cidadão cumprindo o seu dever cívico de fiscalizar seus representantes, porque nenhum vereador e nenhum gênio do departamento de trânsito da cidade de Amparo ainda pensou em instalar bicicletários (será que eles sabem o que é isso?) nos prédios públicos e em lugares estratégicos como proximidades de bancos e lugares de aglomeração de público, já que a segurança pública (ou a falta dela) não permite que deixemos uma simples bicicleta solta sem uma corrente e um cadeado. A Prefeitura tem que, no mínimo, oferecer locais adequados e seguros para os ciclistas prenderem seus veículos, como foi instalado ao lado das pistas de street no parque linear, mas agora por toda a cidade. E os vereadores tem que, no mínimo, conversar antes com a população e buscar informações sobre o assuntos que vão tratar, para formarem melhor suas opiniões e não falarem besteiras.

Nobre Sr. Vereador Carlos Alberto, a ciclovia é pintada de vermelha pois ela segue as normas de segurança no trânsito. Assim como o sinal vermelho significa que você deve parar o seu veiculo num cruzamento no mundo todo, a ciclovia é pintada em tons de vermelho no mundo todo.

Também disse ao nobre vereador que concordo que a ciclovia do largo da Matriz deveria ser mais bem pensada e discutida. Acredito que se a ciclovia fosse feita por dentro da praça, por exemplo, ou na beira da calçada fazendo algumas pequenas alterações nos espaços de jardins (que só tem mato), o problema das vagas dos carros não aconteceria. Se bem que acredito que, com ou sem ciclovia, daqui alguns anos não vai haver uma vaga de estacionamento livre no centro, dado tamanho incentivo governamental à venda de carros em nosso país. Citei também a necessidade da instalação de guias que impeçam que motos e carros invadam as ciclovias, assunto que inclusive já tratei com alguns servidores municipais que afirmaram que o tema foi ‘ignorado’ no desenvolvimento do projeto.

Fica aqui o apelo aos ciclistas que briguem por seus direitos. Todos temos o DIREITO de escolher por onde e COMO ir e vir. Apelo também que respeitem para serem respeitados, afinal com ciclista andando em cima da calçada onde tem ciclovia, toda essa argumentação cai por terra. E o mais importante, gastaram o NOSSO dinheiro para implantarem as ciclovias em nossa cidade, portanto devemos dar valor, utilizando-as para continuar tendo o direito de sermos respeitados por motoristas de carros, motos e outros.

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Acabo de ler excelente matéria de Phydia de Athayde que abre nova discussão sobre um tema já muito explorado, mas muito mal resolvido. O trânsito infernal das grandes cidades brasileiras. Em conjunto com Dal Marcondes, Efraim Neto, Fabrício Angelo e Gisele Paulino da equipe da revista digital Envolverde (www.envolverde.org.br), desvendaram as entranhas, e muitos mitos, dos raros bons exemplos e dos vários maus exemplos de enfrentamento do problema em várias capitais do país e até na Colômbia.

Da Colômbia veio mais uma prova de que os políticos brasileiros brincam com problemas sérios, em troco de mais votos na próxima eleição de pessoas que pagam impostos e caem na conversa de políticos que nos enfiam goela a baixo que as grandes obras viárias solucionam os gargalos dos congestionamentos. Pelo contrário, pois além de encorajar mais gente a ter carro, essas obras apenas criam mais bolsões de congestionamento por não incluírem nos projetos opções para pedestres, ciclistas e principalmente, eficientes sistemas públicos de transporte. O Expresso Tiradentes paulistano, antigo Fura-Fila (promessa de campanha mal atendida, pois foi inaugurado com apenas uma parte do projeto original) custou 95% A MAIS do que o Transmilênio colombiano em Bogotá, que saiu por 3,5 milhões de dólares e transporta 47 mil passageiros por hora que pagam tarifa única. Esse sistema tornou-se referência na América Latina desde a sua inauguração, em 2000, e consiste em 80 quilômetros de corredores por onde circulam mais de mil ônibus.

A ironia do destino é que o modelo para a inspiração desta obra foi um exemplo brasileiro, que prova que com boa vontade e INTELIGÊNCIA, podemos criar soluções estratégicas para esse caos. O exemplo veio de Curitiba, onde 85% dos cidadãos utilizam transporte público, que carrega 20 mil passageiros por hora pagando tarifa única. O sistema conta com corredores de ônibus em quase todas as principais vias e linhas distribuidoras nas extremidades do sistema, trazendo maior mobilidade e menos anda-anda aos passageiros.

Phydia de Athayde e os outros participantes percorreram trechos em várias capitais do país e, ao contrário do que se espera, demoram mais de ônibus do que de carro, os quais consumiram 1/3 do tempo em relação aos transportes públicos. No caminho dos pedestres, poucas calçadas boas e muitos obstáculos que muitos idosos e portadores de deficiências físicas são incapazes de ultrapassar.

Ao contrario da idéia de que alargamento de vias e construções de viadutos são os investimentos ideais e as soluções para o problema, a descentralização e distribuição de serviços públicos como educação, cultura, saúde e outros, por toda a cidade trariam mais e melhores resultados. Claro que juntamente com investimentos em sistemas de transportes públicos inteligentes que incluam opções para ciclistas e pedestres e que, principalmente, invertam a condição carro/pedestre. Os projetos devem estrangular sim o espaço para carros, em contrapeso a disponibilização de mais espaços para pedestres e ciclistas juntamente com transporte público de qualidade. Então, da próxima vez que ver um político falar que você passa por uma obra dele no seu trajeto de casa para o trabalho, considere também que os congestionamentos que você enfrenta foram também causados por ele.

O motorista deve ser incentivado a trocar o transporte convencional por meios mais ecológicos e saudáveis, ao mesmo tempo em que dever ser desestimulado a usar o carro em ruas apertadas e com poucas opções de estacionamentos. É uma questão de solucionar o caos urbano e incentivar uma vida mais saudável, menos sedentária e que proporcionará um ar mais puro.

Considerando o nosso caso, em Amparo, muitas pessoas criticam as obras do centro. Acredito que algumas críticas são consideráveis, mas nem todas. O exemplo deve ser levado a mais pontos da cidade. O espaço liberado para pedestres traz mais vida à cidade e proporciona melhores relações entre pedestres e motoristas, além de valorizar todo o conteúdo histórico do local, mas confesso que nunca vi ciclovias sem proteção para os ciclistas como foram feitas tanto no Parque Linear, que possui uma pequena guia como proteção que pode ser facilmente ultrapassada por veículos (como já aconteceu onde foi derrubado um poste de iluminação que até hoje não foi reinstalado, e que por sorte não feriu ninguém), quanto na Rua XV de Novembro onde TODOS os carros invadem a ciclovia sem qualquer problema, as quais são utilizadas com ‘pistinhas’ por motociclistas que se arriscam e arriscam ciclistas andando em alta velocidade sobre o asfalto liso.

Uma proteção de 30 cm de altura que desse acesso apenas a ciclistas e pedestres resolveria o problemas e baixaria a zero o risco de atropelamentos, mas acredito também que o bom senso de motoristas e o RESPEITO ao próximo e às leis de trânsito deveriam ser suficientes. Faltou inteligência dos engenheiros (que engenheiros?, pois não vejo os nomes deles nas placas de propaganda das obras) e faltou senso de observação dos políticos responsáveis pelas obras, pois em cinco minutos de observação qualquer pessoa vê que aquilo está errado e causando riscos.

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